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CPI: Cabo da PM ganharia pelo menos R$ 60 milhões com venda de vacina à Saúde

1.7.21

/ por casinhas agreste

crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Diário PE
Cabo da Polícia Militar de Minas Gerais que diz atuar como vendedor autônomo de vacina pela empresa Davati Medical Supply, Luiz Paulo Dominghetti Pereira disse acredita que receberia de US$ 0,03 a US$ 0,05 por dose de imunizante comercializado com a sua intermediação, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta quinta-feira (1º/7). Se o valor estiver correto, caso a negociação de 400 milhões de doses tivesse sido efetivada, ele receberia de US$ 12 milhões — o equivalente a R$ 60,36 milhões — a US$ 20 milhões, o equivalente a R$ 100,6 milhões (considerando a cotação atual do dólar, de R$ 5,03).

O homem ganha o salário bruto de R$ 7,5 mil do governo de Minas Gerais pela atuação como policial militar. Ele receberia, então, mais de 8 mil vezes o seu salário bruto.

Dominghetti relatou à CPI que é militar, e que começou a atuar no mercado de insumos para complementação de renda. O vendedor disse que atuava para a Davati desde janeiro, em um acordo verbal com o representante da empresa Cristiano Alberto Carvalho, chamado por Dominghetti de "CEO". O CEO da empresa, entretanto, seria Herman Cardenas. Depois, em abril, segundo o militar, a parceria foi oficializada em uma carta, que o referendou como intermediário na negociação com o Ministério da Saúde.

O depoente afirmou que atua representando ou vendendo vacinas e medicamentos desde janeiro ou fevereiro do ano passado. Questionado sobre quantas vendas ele já fez junto ao governo federal ou estaduais, disse que essa proposta ao Ministério da Saúde seria a primeira.

À CPI, o homem reafirmou a denúncia de pedido de propina US$ 1 por dose de vacina contra Covid-19 ao tentar vender 400 milhões de doses de imunizantes ao governo federal. A vacina seria vendida, segundo ele, a US$ 3,50. A proposta de propina partiu, conforme Dominghetti, do ex-diretor do Departamento de Logística (DLOG), do Ministério da Saúde, Roberto Dias, exonerado na terça-feira (29/6) após reportagem da Folha de S.Paulo com os relatos de Dominghetti.

O depoente afirmou que esteve no Ministério da Saúde três vezes, e que esteve com três executivos da pasta: Roberto Dias, o ex-secretário executivo Elcio Franco e com outra pessoa ligada à Vigilância Sanitária. Ele contou que recebeu uma proposta de propina em reunião no restaurante Vasto, no Brasília Shopping, na capital federal. Estavam no local, segundo ele, além de Dias, o ex-assessor do DLOG tenente-coronel Marcelo Blanco e um empresário, que ele diz não se lembrar quem seja.

Troca de e-mails
 
A vacina negociada por Dominghetti é da Astrazeneca. E-mails que chegaram à CPI após as denúncias mostram que houve uma negociação formal do ministério. “Prezados, este ministério manifesta total interesse na aquisição das vacinas desde que atendidos todos os requisitos exigidos. Para tanto, gostaríamos de verificar a possibilidade de agendar uma reunião hoje, às 15h, no Departamento de Logística em Saúde. No aguardo, agradecemos antecipadamente”, diz e-mail enviado por Roberto Dias às 10h37, pedindo um encontro menos de cinco horas depois, em resposta à uma proposta da Davati.

A referida mensagem foi enviada dia 26 de fevereiro, um dia após o suposto encontro relatado por Dominghetti. Junto estava uma oferta de vacina AstraZeneca assinada por Herman. A AstraZeneca já informou que "atualmente não disponibiliza a vacina por meio do mercado privado ou trabalha com qualquer intermediário no Brasil". "Todos os convênios são realizados diretamente via Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e Governo Federal", pontuou.

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