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Kiev, capital da Ucrânia, volta a ser alvo de ataques da Rússia, e 11 morrem

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10.10.22

Polícia diz que mísseis deixaram também 64 feridos, em um dos piores bombardeios à capital ucraniana desde o início da invasão russa ao país vizinho. Putin fala de retaliação após explosão de ponte russa na Crimeia, e G7 anuncia cúpula de emergência.

Depois de mais de três meses sem ataques, Kiev voltou a ser fortemente bombardeada pela Rússia nesta segunda-feira (10). Em uma das piores investidas contra a capital ucraniana desde o início da guerra no país, 11 civis morreram e 64 ficaram feridos. Moscou atacou ainda outras cidades grandes do país, indicando uma nova fase de escalada da guerra que já dura sete meses e meio.

O presidente russo, Vladimir Putin, falou que os mísseis lançados nesta segunda-feira fazem parte de uma "forte resposta" que suas tropas já começaram a fazer ao bombardeio, no sábado (8), de uma ponte na Crimeia, a península ucraniana anexada pela Rússia em 2014 (leia mais abaixo). Putin acusou a Ucrânia pela autoria da explosão e ameaçou uma onda de novas investidas.
Já o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, negou e acusou a Rússia de querer causar pânico e caos em seu país.
Segundo a a polícia de Kiev, 11 pessoas morreram por conta do bombardeio, que atingiu principalmente Shevchenkivskyi, o distrito central de Kiev. Centenas de pessoas passavam no momento pelo local, que vive relativa normalidade desde o início do ano, quando, depois de um diálogo de paz entre as duas partes, as tropas russas se retiraram da capital ucraniana.

BOMBARDEIO AO VIVO: Repórter brasileiro é surpreendido por míssil em Kiev
Outras cidades importantes do país e que vinham sendo poupadas dos ataques russos havia meses, como Lviv, que fica perto da fronteira com a Polônia, também foram atingidas por mísseis nesta segunda-feira.

A agência de notícias ucraniana Uniam também informou que vários mísseis atingiram Dnipro, um importante centro industrial na região da capital do país, e as cidades de Zhytomyr, Ternopil e Khmelnytskyi.




Carros são vistos em chamas após mísseis russos atingirem Kiev, a capital da Ucrânia  — Foto: Reuters/Valentyn Ogirenko


Imagens gravadas no centro de Kiev mostraram ruas atingidas pelos mísseis, carros pegando fogo, civis mortos e muita fumaça. Segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia, a Rússia disparou ao menos 83 mísseis contra Kiev, Lviv e Zaporizhzhia. Kiev diz ter interceptado e abatido 40 deles.

O prefeito de capital ucraniana, Vitali Klitschko, disse no Telegram que as explosões ocorreram no "coração da cidade" e que os alvos eram sua infraestrutura. Ele pediu aos moradores para permanecerem em abrigos e evitarem a região central da capital.
Logo após os bombardeios, civis lotaram a estação de metrô Vystavkovyi Tsentr, no centro. Pela tarde, as sirenes que anunciam possibilidade de um ataque voltaram a soar na cidade.

Líderes da União Europeia, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, falaram com Zelensky ao telefone e prometeram apoiar a Ucrânia em uma retaliação a Moscou.

Os líderes do G7 - o clube das nações mais ricas do mundo, que recentemente excluiu a Rússia - anunciaram uma cúpula virtual de emergência na terça-feira (11) com a participação de Zelensky para discutir reações à nova ofensiva da Rússia.
Escalada em Kiev
O ataque desta segunda-feira surpreendeu por ter acontecido na capital ucraniana, que, apesar de ter sofrido intensos bombardeios ​​no início da guerra, vive em relativa calma desde o fim de abril.


À época, a Rússia abandonou um avanço em Kiev por causa da forte resistência ucraniana, impulsionada pelo recebimento armas ocidentais.

Após um pequeno avanço das negociações de paz entre as duas partes - cujo diálogo foi interrompido há meses - Moscou concordou em se retirar da capital ucraniana e passou a focar seus esforços no leste da Ucrânia e em cidades estratégicas no sul.

Mas, segundo Zelensky, os ucranianos já se preparavam para a possibilidade de retaliação de Vladimir Putin, por conta do ataque à ponte da Crimeia no fim de semana. Sirenes alertaram para ataques aéreos em todo o país.


No domingo (9), um ataque com mísseis russos na cidade de Zaporizhzhia atingiu um prédio de apartamentos e várias casas particulares, matando 17 pessoas e ferindo 60, disseram autoridades ucranianas.

A única ponte que liga a Rússia à península ucraniana da Crimeia, anexada por Moscou em 2014, foi atingida por explosões neste sábado. A "Ponte da Crimeia" foi inaugurada em 2018 por ordem do presidente Vladimir Putin e, atualmente, é estratégica para os russos nos conflitos contra a Ucrânia.

União Europeia quer endurecer sanções contra Rússia, que segue bombardeios contra Ucrânia

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17.7.22


Segunda cidade da Ucrânia,  no nordeste do país, Kharkiv foi alvo de mísseis na noite de sábado (16)

Ucraniana chora destruição em sua terra natal - Foto: Sergey Bobok/AFP
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) debatem, na segunda-feira (18), se devem endurecer as sanções contra a Rússia, cujo Exército continua a bombardear várias cidades na Ucrânia no momento em que a guerra entra em seu sexto mês.
Segunda cidade da Ucrânia,  no nordeste do país, Kharkiv foi alvo de mísseis na noite de sábado (16), informou o governador da região, Oleg Synegubov.

"Por volta das três da manhã, no distrito de Kyivsky (de Kharkiv), um dos andares de um complexo industrial de cinco andares pegou fogo após a queda de mísseis. Uma mulher de 59 anos ficou ferida e está hospitalizada", afirmou. 
Vitaliy Kim, governador da região de Mykolaiv (sul), perto do Mar Negro, também denunciou vários ataques cometidos no sábado e na manhã deste domingo (17).

"Por volta de 3h05, Mykolaiv foi atingida por um bombardeio em massa. Até o momento, temos informações de um incêndio em duas plantas industriais", disse ele, acrescentando que as cidades de Shevchenkove, Zoria e Novoruske também foram bombardeadas no sábado
"Três pessoas morreram, e outras três ficaram feridas em Shevchenkove", e uma mulher morreu em um bombardeio em Shyrokiv, onde "um prédio residencial foi destruído", relatou. 
A região de Donetsk (leste) também foi alvo dos "russos (que) continuam bombardeando a infraestrutura civil", disse o governador da região, Pavlo Kyrylen. 
Nesse contexto, os ministros da UE avaliarão várias propostas, entre elas uma da Comissão Europeia, que recomenda proibir a compra de ouro da Rússia e, assim, alinhar as sanções com seus parceiros do G7. Outra proposta é incluir novas autoridades russas à lista negativa do bloco.

"Preço Alto" 
"Moscou deve continuar pagando um preço alto por sua agressão", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A avaliação da UE sobre a possibilidade de se adotar novas sanções acontece na esteira de um relatório divulgado pela operadora ucraniana de energia nuclear, que acusou as forças russas de implantarem lançadores de mísseis na central nuclear de Zaporizhia. Esta área está sob controle russo desde março deste ano. 

"A situação [na planta nuclear] é extremamente tensa, e a tensão aumenta a cada dia. Os ocupantes estão trazendo seu maquinário, incluindo os sistemas de mísseis, com os quais atacaram o outro lado" do rio Dnipro e "o território Nikopol", 80 km a sudoeste de Zaporizhzhia, relatou, acrescentando que cerca de 500 soldados russos permanecem na usina, controlando-a.

A maior central nuclear da Ucrânia caiu nas mãos das forças russas no início de março, pouco depois do início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Combates no Donbass
Em um discurso dirigido aos ucranianos, Zelensky afirmou que a resistência conseguiu recuperar parte do território perdido para a Rússia desde o início da guerra, e que continuará recuperando zonas ocupadas.
"Resistiremos. Venceremos. E reconstruiremos nossas vidas", disse.
No momento, a maior parte dos combates está concentrada no sul e na bacia mineira e industrial do Donbass, no leste. 
As forças separatistas no Donbass afirmam que continuam avançando e em processo de retomada do controle total da cidade de Siversk, atacada depois da tomada de Lysyschansk, mais a leste, no início do mês. 

De acordo com o Ministério da Defesa do Reino Unido, "as forças russas avançam lentamente para o oeste, após bombardeios e assaltos em direção a Siversk, (lançados) de Lysychansk, para abrir uma rota para Sloviansk e Kramatorsk". 
Sem especificar a data do deslocamento, o Ministério russo da Defesa anunciou ontem que o ministro Serguei Shoigu visitou os soldados envolvidos na ofensiva. Foi a segunda vez, desde o início do conflito. Também não foi especificado se a visita ocorreu na Ucrânia, ou na Rússia. 

Shoigu "deu as instruções necessárias para incrementar" as medidas que impeçam que "Kiev lance bombardeios em massa [...] contra as infraestruturas civis e contra os edifícios residenciais no Donbass e em outras regiões", indicou o ministério. 

A guerra na Ucrânia entrará em seu sexto mês em 24 de julho. Até agora, não se tem um número total oficial de vítimas civis do conflito. 

A ONU afirma que há cerca de 5.000 mortos confirmados, incluindo mais de 300 crianças, mas que o número real é, provavelmente, muito maior.

Somente na cidade de Mariupol (sudeste), que caiu em maio após um terrível cerco, as autoridades ucranianas indicam que houve 20.000 mortos.

Rússia bombardeia capital da Ucrânia antes de cúpula do G7 na Alemanha

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26.6.22


Quatro explosões foram registradas em Kiev e atingiram um complexo residencial perto do centro, causando um grande incêndio

Bombardeio em Kiev - Foto: Sergei Supinsky/AFP
A Rússia bombardeou um bairro residencial em Kiev, capital da Ucrânia, neste domingo (26), horas antes do início da cúpula do G7 na Alemanha, onde será discutida a devastadora ofensiva russa para tomar a região do Donbass, no leste da Ucrânia. 
Quatro explosões foram registradas por volta das 06h30 (00h30 em Brasília) em Kiev e atingiram um complexo residencial perto do centro, causando um grande incêndio, segundo jornalistas da AFP presentes no local. 
Pelo menos duas pessoas foram hospitalizadas, disse o prefeito da capital, Vitaly Klitschko, no Telegram, especificando que havia pessoas "sob os escombros", o que poderia agravar o número de vítimas.
A capital ucraniana não registra ataques russos desde o início de junho e os de domingo ocorrem antes do início da cúpula do G7 no sul da Alemanha e alguns dias antes da cúpula da Otan em Madri, na próxima semana. 
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, descreveu os novos bombardeios russos em Kiev como uma "barbárie" durante a cúpula do G7. 

"É mais uma barbárie dele", respondeu Biden a jornalistas que lhe perguntaram sobre os ataques russos a um bairro residencial de Kiev, durante a cúpula que acontece aos pés dos Alpes, na região alemã da Baviera.

Trata-se de "intimidar os ucranianos (...) dada a proximidade da cúpula da Otan", disse Klitschko após as explosões. Na cúpula do G7, os líderes das sete principais nações industrializadas - Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos - buscarão, entre outros, fortalecer o apoio à Ucrânia. 

O Reino Unido, que anunciou ajuda adicional que pode chegar a US$ 525 milhões, alertou no sábado contra qualquer "fadiga" no apoio a Kiev, o que poderia favorecer o líder russo Vladimir Putin. 

O Reino Unido, juntamente com os Estados Unidos, Canadá e Japão, também proibirá a importação de ouro russo como parte das novas sanções impostas a Moscou pela invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro. 
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse no sábado que participará por videoconferência da cúpula do G7 diante de um conflito que está entrando em seu quinto mês e corre o risco de se prolongar. Zelensky, que considera as sanções "insuficientes", solicitará novas entregas de armas pesadas e sistemas de defesa antiaérea para neutralizar o avanço russo. 

"Este é um passo na guerra, moralmente difícil, emocionalmente difícil (...) Não é só a destruição das nossas infraestruturas, é também a pressão cínica e calculada sobre as emoções da população", lamentou. 

No sábado, os militares relataram um "ataque russo maciço... com mais de 50 mísseis de vários tipos lançados do ar, mar e terra" na noite anterior vindos de Belarus. O corpo armado enfatizou que o X-22, Onyx e Iskander eram "extremamente difíceis" de interceptar com dispositivos ucranianos. 

Putin, por sua vez, anunciou que seu país entregaria mísseis capazes de transportar ogivas nucleares para Belarus "nos próximos meses". Trata-se do Iskander-M, afirmou o líder russo durante uma reunião com seu colega bielorrusso, Alexander Lukashenko, em São Petersburgo, no noroeste da Rússia. 
Ambos os líderes também disseram que queriam modernizar a aviação bielorrussa para que possa transportar armas nucleares. Minsk não está oficialmente envolvida no conflito, mas como aliado do Kremlin, fornece apoio logístico.

Folha PE

Rússia alerta para risco 'real' de uma Terceira Guerra Mundial pela Ucrânia

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26.4.22


Declaração surge após visitas do alto escalão americano à Ucrânia
AFP
Soldado ucraniano em cima de tanque russo em Kiev - Foto: Ronaldo Schemidt / AFP
A Rússia alertou nesta segunda-feira (25) para o risco "real" de uma Terceira Guerra Mundial, depois que autoridades do alto escalão americano visitaram a Ucrânia e garantiram que é possível ganhar o conflito com o "equipamento adequado".
Diante das sanções sem precedentes contra Moscou impostas pelos países ocidentais e o crescente apoio militar à Ucrânia, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, alertou que "o perigo (de uma guerra mundial) é grave, é real, não pode ser subestimado".

Lavrov também acusou o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, de "fingir" negociar. "É um bom ator, mas se olhar com atenção e ler com cuidado o que ele diz, serão encontradas milhares de contradições", indicou.

"A boa vontade tem limites, mas se não for recíproca, não contribui para o processo de negociações. Mas seguimos mantendo negociações com a equipe enviada por Zelensky", continuou Lavrov.
Desde o início da guerra, há mais de dois meses, Zelensky pede incessantemente aos aliados ocidentais o envio de armamento mais pesado para fazer frente à teórica superioridade militar da Rússia.

E os pedidos parecem fazer efeito. Vários países da Otan se comprometeram nos últimos dias a proporcionar armas pesadas e equipamentos para a Ucrânia, apesar dos protestos de Moscou.

Visita de autoridades americanas

Este apoio crescente ficou evidente com a visita no domingo a Kiev de dois funcionários do alto escalão americano, o chefe do Pentágono, Lloyd Austin, e o secretário de Estado, Antony Blinken, que se reuniram durante três horas com Zelensky.
"O primeiro passo para vencer é acreditar que você pode vencer. E eles acreditam que podem vencer", declarou Austin a um grupo de jornalistas depois da reunião. "Podem vencer se tiverem o equipamento certo, o apoio adequado", completou.

Em um discurso mais cedo, o presidente Zelensky afirmou que a vitória ucraniana era questão de tempo e que, "graças à coragem" do povo, a Ucrânia "é um verdadeiro símbolo da luta pela liberdade".

Durante a visita, Austin e Blinken anunciaram o envio de 700 milhões de dólares em ajuda militar adicional, elevando o total do aporte americano dos Estados Unidos para 3,4 bilhões.

"Queremos ver a Rússia enfraquecida ao ponto de não poder fazer o tipo de coisa que fez ao invadir a Rússia", afirmou Austin após voltar nesta segunda-feira à Polônia.

Somando-se a este apoio, o Reino Unido enviará uma "pequena quantidade" de lançadores de foguetes blindados antiaéreos Stormer, disse o ministro da Defesa.

Os Estados Unidos aproveitaram o encontro com Zelensky para anunciar a reabertura progressiva da embaixada americana em Kiev e a nomeação da atual embaixadora na Eslováquia, Bridget Brink, como chefe dessa missão, um posto vago desde 2019.

Rússia denuncia ataques fronteiriços

No campo de batalha, concentrado agora no leste e sul da Ucrânia, os combates prosseguiam provocando danos na Ucrânia, o que ofuscou as celebrações da Páscoa neste país de maioria ortodoxa.

Pelo menos cinco pessoas morreram e 18 ficaram feridas pelo bombardeio russo de instalações ferroviárias nas cidades de Khmerynka e Koziatyn (região de Vinnytsia, centro-oeste), segundo a Promotoria local.

Por sua vez, o governador da região russa de Belgorod, na fronteira com a Ucrânia, acusou Kiev de bombardear uma vila, ferir dois civis e danificar duas casas.

A Rússia acusou repetidamente a Ucrânia de atacar seu território, especificamente duas aldeias em Belgorod e uma aldeia na região de Briansk.

As autoridades russas também relataram um incêndio de origem indeterminada em um depósito de combustível em Bryansk, que serve como base logística para suas forças, e o abate de dois drones na região de Kursk, também na fronteira com a Ucrânia.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que sua força aérea atingiu 82 alvos militares, incluindo quatro postos de comando e dois depósitos de petróleo. Eles também afirmam ter atingido 27 alvos com mísseis de alta precisão.

Por sua vez, o ministério ucraniano afirmou que a Rússia está atacando a infraestrutura e as linhas de fornecimento de ajuda militar de seus parceiros.

Os combates também continuam na região de Kharkov (a segunda maior cidade da Ucrânia, nordeste), onde bombardeios diários forçaram civis, durante semanas, a dormir em abrigos subterrâneos.

UE ajuda TPI

O conflito que começou com a invasão russa em 24 de fevereiro entrou em seu terceiro mês com um saldo indefinido de milhares de mortos, mais de cinco milhões de exilados e outros milhões de deslocados internos pela violência.

Os combates mais sangrentos ocorreram na cidade portuária de Mariupol (sudeste), no Mar de Azov, quase totalmente controlada pelos russos, embora milhares de pessoas resistam em condições precárias na usina de Azovstal.

A Ucrânia acusou as forças russas de manter hostilidades contra o complexo, apesar de Vladimir Putin ter ordenado não atacar e a Rússia garante que Kiev impede a saída de seus soldados e civis pelos corredores humanitários habilitados.

A cidade é fundamental para os planos de Moscou de abrir uma ponte terrestre entre os territórios separatistas pró-russos de Donbass e a península da Crimeia, anexada desde 2014.

O conflito também interrompeu toda a colaboração diplomática entre a Rússia e os países ocidentais. Nesta segunda, Moscou anunciou a expulsão de 40 diplomatas alemães em resposta a uma ação semelhante adotada no início de abril por Berlim, após o início da ofensiva russa.

Em Haia, a Procuradoria do Tribunal Penal Internacional anunciou que participará da investigação da União Europeia sobre os possíveis crimes internacionais cometidos na Ucrânia.

Nesse contexto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, visita hoje a Turquia, país que tenta mediar o conflito, antes de seguir para Moscou e depois para Kiev na terça-feira.

Paraibana que saiu da guerra na Ucrânia é recebida pela família na Paraíba

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10.4.22


Brasileira que saiu da Ucrânia durante a guerra chega à Paraíba e é recebida pela família
Silvana passou 26 dias sem contato com a família, que mora em João Pessoa. Ela, o marido ucraniano, Vasyl Pilipenko, e a sogra, de 80 anos, estavam em Mariupol e conseguiram ligar para o filho no fim de março.


Silvana Pilipenko encontra com a mãe e outros familiares em João Pessoa após fugir da guerra na Ucrânia — Foto: Marques de Souza/TV Cabo Branco

Silvana Pilipenko, artesã paraibana que estava desaparecida na Ucrânia e deixou o país durante a guerra, chegou à Paraíba neste domingo (10). Familiares e amigos foram até o Aeroporto Castro Pinto para recebê-la após difíceis momentos durante o conflito que já registra diversas mortes.

Dona Antônia, que mora na Paraíba, aguardava a chegada da filha, que é casada com um ucraniano há 27 anos, ao lado de outros familiares, que também se reuniram para recebê-la no aeroporto.

O voo em que ela estava com o marido e a sogra chegou a São Paulo nesse sábado (9), em um avião que partiu de Dubai, cidade dos Emirados Árabes. A vinda para o Brasil acontece após a chegada deles à Crimeia, região da Ucrânia anexada à Rússia em 2014.
Durante a conexão em Dubai, ela postou um vídeo nas redes sociais e pediu que os brasileiros continuem orando pelo povo ucraniano.

"Para que essa guerra chegue ao fim, para que Putin tome consciência e recue com as suas tropas. E aquela nação possa ter paz e tentar recomeçar a reconstruir tanto a cidade como reconstruir o emocional de cada pessoa, e que aquelas famílias possam se reunir, já que muitos estão separados, refugiados em países diferentes", disse.

Percurso difícil até chegar à Crimeia
A paraibana falou publicamente pela primeira vez no dia 31 de março, desde que conseguiu sair do país e entrar na Crimeia.

“Eu, minha sogra e meu esposo estamos fisicamente bem, mas emocionalmente abalados, e precisamos de um tempo para nos reconstruir. Foram dias difíceis, muito difíceis, mas eu agradeço cada oração de vocês, o empenho de vocês, porque eu tenho certeza que as orações foram parte fundamental para que a nossa saída [da Ucrânia] tivesse êxito”, disse.

Silvana passou 26 dias sem contato com a família, que mora em João Pessoa. Ela, o marido ucraniano, Vasyl Pilipenko, e a sogra, de 80 anos, estavam em Mariupol e conseguiram contato com o filho do casal, Gabriel Pilipenko, na terça-feira (29).
No vídeo, a artesã agradeceu a preocupação das pessoas no Brasil e pediu orações para a população ucraniana.

“Continuem orando para aquele povo, para que ele continue sendo forte, continue resistindo e continue sobrevivendo a essa guerra. Eu peço a cada um de vocês que continue orando pelo povo ucraniano porque é uma situação muito delicada e quem está lá não vê muita saída, não tem muitas escolhas”, contou.

Um dia antes da publicação do vídeo, a mãe de Silvana, Antônia Vicente, contou como se deu a fuga da filha da Ucrânia. “Ela disse que escondeu muito o celular [durante a fuga] para poder chegar com o aparelho e dar notícia”, disse Antônia.

Silvana relatou para a mãe que durante a viagem de Mariupol até a Crimeia, ficou bastante cansada. Além disso, a sogra dela estava doente e no percurso havia muitas barreiras, com o carro sendo parado para revistas. “Tiravam até os tapetes e abriam as mochilas”, contou Antônia.

Dificuldades até chegar ao Brasil
Gabriel Pilipenko, filho de Silvana, contou ao g1 que Silvana e a família estavam em casa, em Mariupol, quando foram localizados. O engenheiro explicou também que o Itamaraty ajudou em todo o processo, especialmente funcionário André Mourão, da embaixada Brasileira na Ucrânia.

Gabriel estava a trabalho em Taiwan e tentou entrar na Ucrânia para obter informações sobre a mãe. No entanto, mudou de ideia ao chegar na Alemanha e ver que a situação se mostrava muito perigosa. Segundo a família, ele permanece no país germânico devido ao trabalho.


Ucrânia encontra 410 corpos de civis na região de Kiev após saída de russos

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3.4.22


O número total foi divulgado após o prefeito de Bucha revelar que quase 300 de seus moradores foram enterrados em valas comuns por russos

Os corpos de 410 civis foram encontrados na região de Kiev recentemente libertada das tropas russas pelas forças ucranianas, informou neste domingo (3) a procuradora-geral ucraniana, Iryna Venediktova.

Durante um programa transmitido em vários canas de TV na Ucrânia, Venediktova revelou que "os peritos forenses já examinaram 140 deles".

Cidade Bucha, nos arredores de Kiev, é liberada, diz prefeito
Foto: ANSA / Ansa - Brasil
O número total foi divulgado após o prefeito de Bucha, Anatoly Fedoruk, revelar que quase 300 de seus moradores foram enterrados em valas comuns pelo Exército russo.

"Os corpos encontrados em Bucha levantam sérias questões sobre possíveis crimes de guerra", anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra.

Corredores humanitários - Hoje, a vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, havia informado que a expectativa é de que o trabalho de evacuação de civis com a ajuda da Cruz Vermelha de Mariupol continuasse, com um ônibus tentando se aproximar da cidade sitiada pelas tropas russas.

No entanto, a chefe da unidade de crise de Lviv, Nataliya Smikh, disse à ANSA que "os corredores humanitários para a chegada de alimentos e evacuações em Mariupol e Kharkiv estão bloqueados e o de Odessa funciona a 50%".

Terra

Capital Kiev amanhece sob intenso bombardeio russo; há mortes

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14.3.22


Desde o início da guerra na Ucrânia, há grande preocupação com uma possível tomada da capital ucraniana pelos russos

AFP
Prédio bombardeado por russos na capital da Ucrânia, Kiev - FOTO: AFP
Leitura: 2min

Kiev amanheceu sob intenso bombardeio aéreo russo nesta segunda-feira (14). Ao menos um prédio residencial da capital ucraniana foi alvo dos invasores. Há registro de ao menos uma morte. 
Segundo o G1, 12 pessoas ficaram feridas neste brutal ataque russo contra o prédio residencial de Kiev.
Inicialmente, o serviço de resgate havia publicado nas redes sociais que duas pessoas haviam morrido no ataque. Em seguida, apagaram a informação e retificaram divulgando que houve uma vítima fatal, segundo o G1.
Além desse prédio residencial, a prefeitura da capital informou que uma fábrica de aviões também foi alvo dos russos. 
Desde o início da guerra, em 24 de fevereiro, há um grande temor internacional com relação ao risco dos russos tomarem a capital ucraniana. É em Kiev onde há a administração federal do país e, se os russos tomarem o controle da capital, o próprio estado ucraniano como conhecemos hoje pode ser reformulado.
Fuga
Quase dois milhões de moradores de Kiev fugiram da cidade. Segundo a TV Globo, isso é quase a metade de toda a população da capital. 

O edifício de nove andares foi alvo do bombardeio por volta das cinco da manhã, no horário local, de acordo com os serviços ucranianos de emergência.

Outras 15 pessoas foram resgatadas de um incêndio causado pelo bombardeio e 63 foram retiradas do lugar.

Ucrânia pressiona por encontro entre Putin e Zelenski

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que continuará a negociar com a Rússia e que sua delegação "tem a tarefa clara" de fazer de tudo para facilitar um encontro entre ele e o líder russo, Vladimir Putin.

Zelenski já pediu repetidas vezes por uma reunião com Putin, mas afirma que até agora seus pedidos não foram respondidos pelo Kremlin.

Moscou não descartou a ideia de um encontro entre Putin e Zelenski, segundo o porta-voz presidencial, Dmitri Peskov. "Precisamos entender qual deveria ser o resultado e o que será discutido nesse encontro", ponderou, segundo noticiou agência russa Interfax np domingo.

Zelenski afirmou que representantes dos dois países conversam diariamente por videoconferência, acrescentando que tais contatos são necessários para estabelecer um cessar-fogo e mais corredores humanitários.

No domingo, ambos os lados apontaram avanços nas negociações de um cessar-fogo. Uma nova rodada de conversas deve ocorrer nesta segunda.

*Com informações da Redação Terra

GUERRA NA UCRÂNIA: Ataque em base militar na Ucrânia deixa 35 mortos, segundo novo balanço do governo

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13.3.22


Os incêndios na base militar foram quase completamente extintos e os bombeiros estavam vasculhando os escombros
Bombardeio na Ucrânia - Foto: Aris Messinis / AFP
Trinta e cinco pessoas morreram e 134 ficaram feridas no bombardeio russo deste domingo (13) a uma base militar ucraniana no oeste do país, perto da fronteira polonesa, de acordo com um novo relatório do governador da região, Maxim Kozitski. 

Anteriormente, as autoridades tinham reportado um saldo de 9 mortos e 57 feridos naquela base em Yavoriv, a cerca de 40 km a noroeste de Lviv e a cerca de 20 km da fronteira com a Polônia. 

"Tenho que anunciar que infelizmente perdemos mais heróis: 35 pessoas morreram como resultado do bombardeio do Centro Internacional de Manutenção da Paz e Segurança", escreveu Kozitski mais tarde no Telegram, atualizando o número inicial de nove mortos.


Outros "134 com ferimentos de gravidade variável estão em um hospital militar", acrescentou Kozitski, alertando que o número de vítimas pode aumentar. 
Os incêndios na base militar foram quase completamente extintos e os bombeiros estavam vasculhando os escombros.

Este complexo também foi um centro para exercícios conjuntos envolvendo soldados ucranianos e aliados da Otan. 

Por sua vez, o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, destacou que os instrutores estrangeiros estavam trabalhando, embora não tenha esclarecido se havia algum presente durante a ofensiva.

Folha PE

Atirador que mata '40 inimigos por dia' chega para defender à Ucrânia

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11.3.22


Wali, famoso por sua atuação recorde no Afeganistão, tem sido usado como propaganda pela mídia do país
Redação Terra

Em um país com uma força militar razoável, lutando uma guerra contra uma das maiores potências bélica do mundo, qualquer ajuda é muito bem-vinda. É por isso que a chegada de um atirador famoso, chamado Wali, está sendo explorada pela mídia ucraniana em meio aos conflitos com a vizinha Rússia.

Conhecido como o atirador "mais letal" de todos, Wali é capaz de entregar "40 inimigos mortos por dia”. Além disso, o sniper detém um recorde que tem sido explorado como propaganda na Ucrânia, nação que precisa de uma moral alta para combater seus vizinhos russos, atuais detentores da hegemonia nuclear.

Em 2009, na Guerra do Afeganistão, Wali eliminou um adversário no campo de batalha com um tiro disparado a uma distância de 3,5 km. Na ocasião, ele lutava no Oriente Médio pelo Regimento Real do Canadá.

Em entrevista ao La Presse, Wali explicou que viajou para a guerra na Ucrânia em resposta a um chamado do próprio presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski. "Ele precisava de um franco-atirador. Eu tive que ir. É como um bombeiro que ouve uma sirene tocando", resumiu Wali.

Rússia nega intenção de derrubar governo da Ucrânia, os dois países fecharam um acordo para manter seis corredores humanitários

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9.3.22


Oficialmente, o regime de Vladimir Putin diz que seu objetivo é "desmilitarizar" e "desnazificar" o país.
A Rússia negou nesta quarta-feira, 9, que seu objetivo com a invasão à Ucrânia seja derrubar o governo do presidente Volodymyr Zelenski, que alega ser o principal alvo da ofensiva de Moscou.
Em um briefing com jornalistas, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, afirmou que houve "algum progresso" nas negociações em Belarus, garantindo que as Forças Armadas não receberam a tarefa de "derrubar o atual governo".


Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, durante entrevista coletiva em Moscou

Foto: Shamil Zhumatov

Oficialmente, o regime de Vladimir Putin diz que seu objetivo é "desmilitarizar" e "desnazificar" a Ucrânia e obter o reconhecimento da anexação da Crimeia e da soberania de Donetsk e Lugansk.

No entanto, potências ocidentais acusam a Rússia de querer instalar um governo fantoche pró-Kremlin em Kiev, assim como já acontece em Belarus, para evitar a aproximação de mais uma ex-república soviética com a União Europeia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Além disso, o próprio Zelenski disse ser o "alvo número 1" da ofensiva russa na Ucrânia.
Os dois países fecharam um acordo para manter seis corredores humanitários abertos nesta quarta-feira, envolvendo cidades como Enerhodar, Sumy, Mariupol, Volnovakha, Izium e os arredores da capital Kiev.

"Faço um apelo para que a Federação Russa assuma um compromisso público formal [de respeitar os corredores]", disse a vice-premiê da Ucrânia, Iryna Vereshchuk. "Habitantes de Volnovakha falaram comigo e me pediram que a promessa da Federação Russa seja respeitada. As pessoas precisam sair dos lugares onde estão se escondendo da chuva de mísseis que as está matando", acrescentou.

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Apenas em Sumy, cerca de 5 mil civis foram evacuados na última terça-feira, 8, e levados para Poltava, que ainda não é alvo da invasão russa. Até o momento, a guerra na Ucrânia já gerou cerca de 2,2 milhões de refugiados, segundo a ONU, e centenas de milhares de deslocados internos.

Ucrânia: 'Há risco claro de acidente nuclear', diz chefe da ONU para energia atômica

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Diante da tensão do momento, o argentino Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), se ofereceu para ser mediador de um encontro entre Rússia e Ucrânia no âmbito nuclear.
Marcia Carmo - De Buenos Aires para a BBC News Brasil       Do Site Terra

A usina nuclear de Zaporizhzhia foi atingida nas primeiras horas da sexta-feira (4/3)
Foto: BBC News Brasil

Na última sexta-feira (4/3), o Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou uma reunião de emergência após o incêndio na usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia. O incêndio, que foi controlado, despertou forte preocupação na comunidade internacional em meio à invasão da Rússia no território ucraniano.

Um dos principais objetivos do encontro era ouvir as percepções do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), o embaixador argentino Rafael Mariano Grossi, que, a partir de um voo de Viena (Áustria) a Teerã (Irã), com interrupções na internet, explicou a situação na central nuclear naquele momento.
O silêncio e a espera dos diplomatas para que a conexão de Grossi fosse retomada mostraram a importância de suas avaliações e de seu papel neste momento - que envolve a Rússia, uma das maiores potências nucleares do planeta, que conta com armas do tipo, e a Ucrânia, que possui 15 reatores nucleares, decisivos para o uso de sua energia.

Grossi, de 61 anos, especialista em energia nuclear, é formado em ciências políticas e em questões nucleares. Ele presidiu em 2020 a Conferência do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) e é diretor-geral da agência da ONU desde 2019, onde chegou com apoio de vários países da América Latina.

Nesta entrevista exclusiva à BBC News Brasil, falando de Viena, em português, o diplomata e especialista em questões nucleares afirmou que "existe risco claro de acidente nuclear" na Ucrânia.

Diante da gravidade e da tensão da situação - com risco de acidente nuclear, como afirmou -, ele se ofereceu para ser mediador de um encontro entre Rússia e Ucrânia no âmbito nuclear.

Leia os principais trechos a seguir:

BBC News Brasil - O senhor se ofereceu para ser negociador em um encontro entre Ucrânia e Rússia na usina desativada de Chernobyl (que explodiu em 1986). Existe essa possibilidade?

Rafael Mariano Grossi - A Ucrânia é um país com uma rede nuclear muito importante. Tem 15 reatores nucleares, tem instalações como Chernobyl, que é simbólica e icônica, e tem muitas instalações de segurança, de lixo radioativo. Então, existe um risco claro de acidente nuclear. Portanto, no cumprimento da minha missão, que é uma missão técnica, eu, pessoalmente, ofereci visitar a Ucrânia para tentar negociar e chegar a um acordo com as duas partes. Chegar a um acordo com pontos-chave de segurança nuclear para que sejam evitados, exatamente, ataques às centrais, às instalações nucleares. Para garantir o fornecimento de eletricidade nestas instalações nucleares e garantir a refrigeração. Não é uma mediação política. Essa não é missão da agência, que tem um mandato muito claro e restrito às questões nucleares.

EUA barra importação de petróleo e gás da Rússia; UE anuncia plano para reduzir dependência do país

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8.3.22


Anúncios são retaliação à invasão da Ucrânia e fizeram o barril chegar a US$ 130 nesta terça. Reino Unido pode aderir ao embargo

Agência O Globo
Joe Biden no anúncio do embargo - Foto: Jim Watson/AFP

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou a proibição da importação do petróleo, gás e carvão da Rússia. É a mais nova sanção ao país, que é um grande produtor mundial de combustíveis fósseis.  O Reino Unido pode aderir ao embargo.

O anúncio foi feito poucos minutos depois de a Comissão Europeia ter divulgado seus planos para reduzir a dependência de gás e energia oriundos da Rússia. Segundo o anúncio oficial, o objetivo é que o bloco diversifique suas fontes de energia e se torne mais autossuficiente "bem antes de 2030".

Diante da iminência dos anúncios, o Brent disparou de manhã, ultrapassando os US$ 130 o barril.


Até agora, EUA e aliados haviam poupado o setor de energia nas sanções impostas à Rússia pelo Ocidente, pois a Europa é muito dependente do gás russo - sobretudo a Alemanha.

EUA e UE chegaram a discutir um embargo conjunto, mas não chegaram a um consenso. Os EUA, então, decidiram seguir sozinhos com a decisão, e a expectativa é que os britânicos apoiem a medida.

- Haverá custos aqui nos EUA. Desde o início eu disse que defender a liberdade teria custos. Repulicanos e democratas entendem isso, entendem que está claro que devemos fazer isso - disse Biden em seu discurso.
No caso da UE, o plano é reduzir o uso de gás pelo bloco em 30% até 2030, de forma que a UE consiga a "independência total" dos combustíveis fósseis da Rússia "bem antes" desta data.

O plano também se insere nos esforços do bloco para cumprir as metas contra as mudanças climáticas. O objetivo é ampliar o consumo de energia a partir de outras fontes, sobretudo as renováveis.

"Devemos nos tornar independentes do petróleo, carvão e gás russos. Simplesmente não podemos confiar em um fornecedor que nos ameace explicitamente", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.

Na madrugada desta terça-feira, a Rússia ameaçou bloquear o envio de gás para a Europa.
A Europa importa 41% do gás que consome da Rússia. Além disso, depende do petróleo (27% das importações) e do carvão (47% das compras) russos como fonte de energia.

Enquanto os Estados Unidos importam cerca de 400 mil barris diários de petróleo da Rússia, os países europeus compram muito mais: 4,3 milhões de barris por dia. Além disso, 800 mil barris chegam ao continente europeu via dutos - ou seja, um bloqueio coordenado demandaria tempo e não poderia ser imediato.

Os EUA, por sua vez, ensaiam uma aproximação com a Venezuela para suprir seu mercado quando o bloqueio do petróleo russo entrar em vigor.

No caso do Reino Unido, as importações da Rússia são 8% do total comprado pelo país e 18% no caso do diesel.

A inclusão do petróleo na lista de sanções americanas vai representar uma escalada nas retaliações ocidentais à Rússia pela invasão da Ucrânia. Os insumos energéticos — petróleo e gás — não foram incluídos nas primeiras levas de sanções justamente pelo efeito bumerangue que provocariam, com preços de gasolina e energia disparando para os consumidores de EUA e Europa.

Nos Estados Unidos, o galão de gasolina alcançou o maior patamar desde 2008, e os preços estão em alta em vários países europeus.

Explosão de mina terrestre deixa 3 mortos e 3 crianças feridas ao norte de Kiev

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As testemunhas contaram que as minas estavam "escondidas na calçada sob palha e escombros", afirmou Denisova
AFP

Equipes de resgate desmantelando os escombros de uma escola destruída depois que tropas russas bombardearam a cidade de Chernihiv - Foto: STR / Serviço de Emergência do Estado Ucraniano / AF

Três adultos morreram e três crianças ficaram feridas na explosão de uma mina terrestre em uma estrada na região de Chernihiv, ao norte da capital ucraniana, Kiev, anunciou Lyudmyla Denisova, encarregada de Direitos Humanos do Parlamento ucraniano.

Os civis estavam em um carro. Os adultos morreram instantaneamente e as crianças foram hospitalizadas, segundo Denisova, que também ressaltou que o uso de minas terrestres é proibido pelo direito internacional.

"O uso deste tipo de arma contra a população civil é um crime contra a humanidade", disse.
Esta é a primeira vez desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, que um responsável ucraniano fala oficialmente de mortes causadas por este tipo de armamento.

As testemunhas contaram que as minas estavam "escondidas na calçada sob palha e escombros", afirmou Denisova.

Chernihiv fica a 150 quilômetros de Kiev, perto da fronteira com Belarus, país aliado da Rússia. A cidade foi duramente castigada nos últimos dias pela aviação russa, segundo as autoridades locais.

A Anistia Internacional (AI) denunciou em 28 de fevereiro o uso na Ucrânia de bombas de fragmentação e pediu o início de uma investigação por "crimes de guerra".

Este tipo de munição contém dezenas de pequenas bombas que se dispersam por um amplo perímetro e algumas delas não explodem no momento do lançamento, podendo provocar mortes muito tempo depois do lançamento.

Folha PE

Avião da FAB que vai levar ajuda humanitária à Ucrânia e resgatar brasileiros sai do Recife

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Aeronave decolou da cidade às 8h05 desta terça-feira (8). Avião tem capacidade para receber até 72 passageiros. Chegada ao destino, na Polônia, está prevista para quarta-feira (9).

Avião da FAB com ajuda humanitária à Ucrânia decola do Recife

A aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que vai ser usada para o resgate de brasileiros que fugiram da guerra na Ucrânia partiu do Recife na manhã desta terça-feira (8), às 8h05 (veja vídeo acima). O KC-390 Millennium vai para Varsóvia, na Polônia, de onde segue com uma doação humanitária para o país invadido pela Rússia.
O avião chegou à capital pernambucana no fim da tarde de segunda-feira (7), vindo da Base Aérea de Brasília.

Dentro da aeronave, estão 11,6 toneladas de medicamentos para atendimento emergencial, alimentos e itens de necessidade básica com tecnologia para funcionamento autônomo – utilizados em locais sem recursos e em situações extremas, como guerras e conflitos.
No Recife, a aeronave fez uma parada técnica, algo normal em trajetos mais longos, que serve para reabastecimento do avião e descanso da tripulação, entre outros procedimentos, segundo a FAB.

Após deixar a capital pernambucana, o avião tem escalas previstas em Cabo Verde, na costa africana; e em Lisboa (Portugal) antes de chegar ao destino final. O pouso na capital polonesa deve acontecer na quarta-feira (9) e os brasileiros repatriados devem chegar ao Brasil na quinta-feira (10).

O g1 questionou ao governo federal se já tinha a lista de brasileiros que voltarão no voo, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. O avião pode receber até 72 passageiros (veja vídeo abaixo). A cidade do Brasil onde eles vão chegar também não foi divulgado.
Confira as últimas notícias sobre a guerra
A Operação Repatriação é realizada de forma integrada pelos ministérios da Defesa, das Relações Exteriores e da Saúde. Antes da aeronave decolar, em Brasília, foi realizada uma solenidade com autoridades do governo brasileiro.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, está em Portugal e vai para a Polônia acompanhar o trabalho de retirada dos brasileiros da região da guerra.
O coordenador da força-tarefa de resgate e repatriação de brasileiros na Ucrânia, Unaldo Eugênio de Sousa, afirmou ao g1 que ainda foram identificados 34 brasileiros em território ucraniano. Desses, 14 já manifestaram que não desejam sair do território.

A carga enviada é composta por alimentos, purificadores de água e medicamentos provenientes de doações. Ao todo são:

50 purificadores de água, de tecnologia e fabricação nacionais (com capacidade combinada para purificar cerca de 300 mil litros de água por dia);
50 kits voltaicos com painel solar para abastecer o equipamento de energia de forma autônoma;
10 toneladas de alimentos desidratados de alto teor nutritivo (400 mil refeições);
5 kits de medicamentos para emergências médicas, oriundos dos estoques públicos administrados pelo Ministério da Saúde, sem comprometer o abastecimento nacional.

G1 PE

GUERRA: Bombardeio Russo mata crianças mais 21 pessoas em cidade ucraniana

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Sumy, perto da fronteira com a Rússia, é cenário de combates violentos há vários dias.
 AFP


Bombardeio deixou nove civis mortos na cidade ucraniana de Sumy - Foto: Reprodução/Twitter
Ao menos 21 pessoas, incluindo duas crianças, morreram, na segunda-feira (7) à noite, em um bombardeio na cidade de Sumy, 350 km ao leste de Kiev, informaram, nesta terça-feira (8), os serviços de emergência ucranianos.

"Foram encontrados os corpos de 21 pessoas, duas delas crianças", no local do acidente, disse a Promotoria regional no Facebook, atualizando o balanço anterior de nove mortos.

"Aviões inimigos atacaram de maneira insidiosa edifícios residenciais", afirma uma mensagem publicada no Telegram pelos serviços de emergência, que chegaram ao local às 23h00 locais. Os socorristas encontraram os corpos de nove civis e conseguiram resgatar uma mulher dos escombros.

Sumy, perto da fronteira com a Rússia, é cenário de combates violentos há vários dias.
De acordo com a vice-primeira-ministra ucraniana Iryna Vereshchuk, o ministério russo da Defesa se comprometeu em uma carta enviada à Cruz Vermelha a respeitar o corredor humanitário para a retirada de civis nesta terça-feira, com uma trégua das 9h00 às 21h00 locais (4h00 às 16h00 de Brasília). O primeiro comboio com civis deveria sair às 10h00 locais.

Mas logo em seguida, Vereshchuk denunciou uma violação das garantias.

"Temos informações de que o lado russo planeja perturbar este corredor e que há manipulações para obrigar as pessoas a seguir outro itinerário que não está coordenado (com os ucranianos) e é perigoso", disse.

Também insistiu nos pedidos de corredores humanitários para retirar civis de outras cidades como Kiev, Kharkiv, Mariupol e Volnovakha e pediu a Moscou uma 'coordenação urgente com os ucranianos" para garantir um cessar-fogo nestas regiões.

Folha PE

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