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Quadrilha investigada por pirâmide financeira movimentou mais de R$ 40 milhões em PE, no RJ e na BA

17.8.21

/ por casinhas agreste

De acordo com a Polícia Civil, as empresas envolvidas buscavam principalmente servidores públicos, que, por telefone, eram convencidos a aplicar dinheiro em investimentos fraudulentos.
Por G1 PE
Quadrilha investigada por pirâmide financeira movimentou mais de R$ 40 milhões


Mais de R$ 40 milhões foram movimentados pela quadrilha investigada por montar um esquema de pirâmide financeira em Pernambuco, no Rio de Janeiro e na Bahia (veja vídeo acima). Segundo a Polícia Civil, os funcionários das empresas envolvidas buscavam principalmente servidores públicos, que, por telefone, eram convencidos a aplicar dinheiro em investimentos fraudulentos.

Durante a Operação Summit, deflagrada nesta terça-feira (17), foram cumpridos 32 mandados de busca e apreensão, sendo 14 no Recife, 17 no Rio de Janeiro e um em Salvador. Os crimes investigados são os de estelionato, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica, economia popular e contra o consumidor.

O grupo empresarial investigado é a Única Serviços em Consultoria e Gestão Empresarial LTDA, que atuava no Rio de Janeiro, mas que foi alvo de operações da Polícia Federal, em 2018, e da Polícia Civil desse estado do Sudeste, em 2019. Com isso, as empresas migraram para Pernambuco. O G1 busca o contato do grupo.

De acordo com o delegado Carlos Couto, as empresas descobriam dados de servidores públicos e, por meio de telemarketing, convenciam as vítimas a investirem dinheiro. Ele afirmou, ainda, que os funcionários da empresa convenciam os clientes de que não havia chances de perder dinheiro.


“Os consumidores investiam dinheiro nessas empresas e esse dinheiro era revertido para a base da cadeia, ou seja, o dinheiro novo remunerava clientes antigos. Isso é um crime de pirâmide financeira, que existe desde o início dos anos 1920, que vem rotineiramente ganhando novas roupagens. Esse tipo de grupo atua justamente onde há baixa regulação do mercado financeiro, como com títulos ativos, com outros dividendos”, afirmou o delegado.

Polícia deflagrou operação contra suspeitos de pirâmide financeira no Recife, Rio de Janeiro e Salvador — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Polícia deflagrou operação contra suspeitos de pirâmide financeira no Recife, Rio de Janeiro e Salvador — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Geralmente, os investidores eram convencidos a aplicar, no mínimo, R$ 5 mil. A taxa de juros estipulada variava entre 0,5% e 5% ao mês. Os funcionários afirmavam que os investimentos eram acobertados por um seguro, que, na verdade, se tratava de um seguro empresarial comum, contra incêndio e outras eventualidades.

"Nossa estimativa é de que eles movimentaram mais de R$ 40 milhões, mas a gente tem materializado no inquérito policial, pelo menos, R$ 9 milhões, só de boletins de ocorrência registrados. Isso ocorre porque a maioria das ofertas clandestinas termina não caindo na polícia, existe uma subnotificação dos casos", declarou Carlos Couto.

De acordo com a gerente de fiscalização do Procon de Pernambuco, Danyelle Sena, uma das empresas era registrada como correspondente bancário, mas atuava fazendo a ligação entre a pirâmide financeira e as vítimas.


"Essa empresa tem CNPJ de correspondente bancário, mas atua unicamente como uma ponte para que ela possa induzir o aposentado, pensionista, servidor público a tirar um empréstimo e, através disso, investir nessa falsa empresa de investimento", contou Danyelle Sena.

O esquema
A polícia informou que os crimes eram praticados por meio de um esquema "Ponzi", que é um tipo de pirâmide financeira com maior aparência de investimento, já que as vítimas não têm obrigação de indicar outras pessoas para participarem da rede.

Esse tipo de esquema leva o nome do criminoso financeiro ítalo-americano Charles Ponzi, que, na década de 1920, ganhou notoriedade por ser o autor de um grande esquema de fraude financeira.

Na Operação Summit, a organização criminosa investigada tinha sede no Recife e no Rio de Janeiro, apontou a polícia e, em maio, o grupo financeiro "quebrou".

Também participam da operação o Banco Central, a Comissão de Valores Imobiliários, a Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e as polícias civis do Rio de Janeiro e da Bahia, além do Procon dos três estados.

G1 PE

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