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Maduro atribui apagão na Venezuela à ataque hacker dos Estados Unidos; 15 pessoas morrem em hospitais


Blecaute que teve início na quinta-feira (7) atinge diversas regiões do país
Por G1

Em seu primeiro pronunciamento desde o início do apagão que começou na quinta-feira (7) na Venezuela, Nicolás Maduro atribuiu a um ataque hacker o blecaute. "Foi utilizada uma tecnologia de alto nível que só os Estados Unidos possuem", disse. Oposição e imprensa atribuem a queda de energia ao sucateamento da rede de energia elétrica do país.

Durante manifestação pró-governo em Caracas, Maduro disse que foi informado na tarde de quinta (7) sobre uma falha geral do sistema elétrico. Segundo ele, um ataque cibernético impediu a restituição da energia elétrica.

"Às 19h do mesmo dia se encaminhava o processo de recuperação quando recebemos um ataque cibernético internacional contra o cérebro de nossa empresa de eletricidade que automaticamente derrubou todo o processo de reconexão", disse Nicolás Maduro.
No ato, Maduro disse ainda que há infiltrados na empresa elétrica e que os envolvidos serão identificados e julgados pela Justiça nacional. "A empresa de energia deve ser liberada de sabotadores, infiltrados e conspiradores para proteger seu sistema de ataques cibernéticos do exterior", disse.

No Twitter, o presidente venezuelano já havia responsabilizado os Estados Unidos pela "guerra elétrica" que estaria por trás do blecaute. "A guerra elétrica anunciada e dirigida pelo imperialismo estadounidense contra o nosso povo será derrotada", afirmou em post feito no primeiro dia sem luz.


@NicolasMaduro
 La guerra eléctrica anunciada y dirigida por el imperialismo estadounidense en contra de nuestro pueblo será derrotada. Nada ni nadie podrá vencer al pueblo de Bolívar y Chávez. ¡Máxima unidad de los patriotas!

O apagão afeta, além de Caracas, 22 dos 23 estados do país, motivo pelo qual o presidente pediu paciência. "Espero que o processo de restabelecimento seja definitivo e estável para a maioria dos venezuelanos nas próximas horas. Peço compreensão", disse Maduro durante o ato pró-governo.

Nicolás Maduro participa de protesto pró-governo no sábado (9) em sua primeira aparição pública desde o início do blecaute 

O sábado em Caracas foi marcado por protestos de apoiadores e opositores de Nicolás Maduro. Juan Guaidó, líder da oposição e presidente autoproclamado, esteve presente no ato contra o governo.

Pacientes mortos
O apagão já provocou a morte de 15 pacientes com problemas renais por causa da paralisação de serviços de diálise, segundo a organização não-governamental Codevida. Falta energia elétrica em 95% das 139 unidades de tratamento no país.

"Entre ontem e hoje, foram reportados 15 mortos por falta de diálise. Nove mortes ocorreram em Zulia; duas, em Trujillo; e quatro no hospital Pérez Carreño, em Caracas", afirmou à AFP o diretor da ONG, Francisco Valencia.

A situação é mais dramática nos estados do interior, que enfrentam 50 horas de apagão ininterrupto. Em Caracas, houve restabelecimento em alguns setores por algumas horas.

Na sexta-feira, "48 crianças que dependem da única unidade de diálise pediátrica do país não puderam fazer o tratamento, o que se soma à falta de remédios e insumos, que se prolonga por anos", disse Valencia.

Oposição culpa sucateamento da rede elétrica
Durante ato contra o regime de Maduro realizado no sábado (9), Juan Guaidó disse que o apagão é decorrente de corrupção e falta de manutenção.

"Esse é um regime ineficiente que é produto da corrupção e por esse motivo nós estamos nessa situação", disse Guaidó na manifestação.

Juan Guaidó faz pronunciamento durante protesto contra Maduro em Caracas  — Foto: Cristian Hernandez/AFP Juan Guaidó faz pronunciamento durante protesto contra Maduro em Caracas  — Foto: Cristian Hernandez/AFP
Juan Guaidó faz pronunciamento durante protesto contra Maduro em Caracas — Foto: Cristian Hernandez/AFP

No Twitter, Guaidó questionou a versão do governo de que o blecaute é fruto de sabotagem externa. "A única sabotagem é a do usurpador a todo o povo da Venezuela", publicou.

Um engenheiro elétrico ouvido pelo "El Nacional" nega a possibilidade de uma sabotagem ou invasão hacker ter causado o blecaute. "Demitiram profissionais para contratar partidários políticos, suspenderam planos de manutenção, fizeram compras inconvenientes e desnecessárias, além de desperdiçar recursos", disse o engenheiro Miguel Lara ao jornal venezuelano.

"Outros aspectos importantes foram o congelamento das tarifas e, assim, a concentração do setor elétrico em uma empresa técnica e economicamente inviável", disse Lara ao "El Nacional".

O governo americano também negou qualquer responsabilidade pelo apagão. O representante dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliot Abrams, disse que o país usa sanções e diplomacia para pressionar Nicolás Maduro. Abrams ainda afirmou que a situação no país é resultado da corrupção e da incompetência do regime.

Secretário de Estado americano atribui apagão na Venezuela à 'incompetência de Maduro'

Blecaute teve início na quinta-feira (7)
O apagão que atingiu diversas regiões da Venezuela já dura quase dois dias. Mesmo as partes da capital Caracas que tiveram a energia elétrica restabelecidas voltaram a ficar sem luz ainda na sexta-feira (8).

Pelas redes sociais, venezuelanos relataram comércio fechado, semáforos sem funcionar e caos no transporte público. O Aeroporto Internacional de Maiquetía, o principal da Venezuela, está sem energia desde a quinta-feira (7). O metrô da capital Caracas não opera desde o início do apagão.

Comércio em Caracas fechado durante apagão na Venezuela — Foto: Manaure Quintero/Reuters Comércio em Caracas fechado durante apagão na Venezuela — Foto: Manaure Quintero/Reuters
Comércio em Caracas fechado durante apagão na Venezuela — Foto: Manaure Quintero/Reuters

Efeitos em Roraima
A instabilidade no sistema de energia da Venezuela preocupa o estado brasileiro de Roraima, que também sofreu com quedas de energia pontuais. O estado depende da rede de energia venezuelana e é o único que não faz parte do Sistema Interligado Nacional (SIN) brasileiro.

Segundo a Roraima Energia, o sistema elétrico do estado está sendo mantido 100% por usinas termelétricas. O problema teve início ainda na quinta-feira (7), após identificação de dois desligamentos na interligação Venezuela-Brasil.


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