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Na largada do segundo turno, Haddad revê Constituinte e Bolsonaro desautoriza vice


Em entrevista ao Jornal Nacional, os dois concorrentes ao Palácio do Planalto tratam de temas espinhosos da campanha

Por: Correio Braziliense
Foto: TV/Globo
Os dois candidatos que avançaram ao segundo turno da eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) foram entrevistados na noite desta segunda-feira (8/10) no Jornal Nacional, da Rede Globo. Enquanto o petista tentou se distanciar do ex-ministro Zé Dirceu, o deputado e capitão da reserva acenou para duas fatias do eleitorado em que teve desempenho pior: mulheres e nordestinos.

Logo nas considerações iniciais, Bolsonaro agradeceu aos eleitores do Nordeste — única região do país em que não teve maioria dos votos — e disse que só não teve desempenho melhor no local por conta de "fake news". "Não pretendemos acabar com o Bolsa Família", disparou. Em relação às mulheres, o candidato do PSL afirmou que pretende "jogar pesado na questão da insegurança pública e fazr com que a mulher se sinta protegida". Ele também reforçou o discurso com nichos do eleitorado que já lhe pertencem, citando uma passagem bíblica, agradecendo a lideranças evangélicas, policiais e integrantes das forças armadas e dizendo querer que "a inocência da criança em sala de aula seja preservada".

Depois, o deputado foi questionado sobre declarações do vice de sua chapa, o general Mourão, que já havia aventado a possibilidade de fazer uma nova Constituição com notáveis indicados pelo presidente e de o presidente dar um autogolpe. Bolsonaro respondeu: "Ele é general, eu sou capitão, mas eu sou o presidente". "Eu o desautorizei nesses dois momentos. Jamais posso admitir uma nova constituinte", acrescentou.

Em relação ao autogolpe, Bolsonaro — que errou o nome do vice em duas oportunidades, chamando-o de Augusto Mourão, quando seu nome, na verdade, é Antônio Hamilton Martins Mourão — disse não ter entendido "o que ele quis dizer", mas rechaçou a possibilidade. "Falta [a ele] tato, vivência com a política", afirmou. "Nesses dois momentos, ele foi infeliz. Deu uma canelada", completou.

Já Fernando Haddad fez um discurso em defesa da democracia. Desautorizou o ex-ministro José Dirceu, que em entrevista ao jornal El País, afirmou que "é uma questão de tempo" para o PT "tomar o poder". "Dentro do país é uma questão de tempo pra gente tomar o poder. Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição", disse ele, quando questionado sobre o que acha da possibilidade de o PT "ganhar mas não levar" as eleições. Haddad afirmou que Dirceu não participa do comando de campanha dele e não participará do governo, caso seja eleito.

O candidato do PT ao Palácio do Planalto também afirmou que reviu a proposta de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte. "Vamos fazer as reformas por meio de emendas constitucionais. Serão duas: primeiro, a tributária. Quem paga mais imposto é  o pobre, os muito ricos não pagam quase nada. A outra é a bancária. Não dá para viver com a concentração de bancos que temos no país", afirmou, citando que mantém o compromisso de isentar do Imposto de Renda quem ganha até cinco salários mínimos.

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