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Ciro Gomes, o político temperamental que pode definir a eleição


Integrante de uma poderosa família do estado do Ceará, foi prefeito, governador, deputado e ministro duas vezes, uma trajetória que o levou a sete partidos durante a carreira política

Votos em Ciro podem cobrir uma parte importante dos 17 pontos que separam Bolsonaro (46,04%) de Haddad (29,26%)
Foto: Thiago Gadelha / AFP
AFP

O candidato de centro-esquerda Ciro Gomes, um temperamental advogado e político nordestino, pode ter, com os 12,5% de votos recebidos no primeiro turno, uma das chaves do resultado do segundo turno presidencial.

Aos 60 anos, com posição de destaque em uma poderosa família do estado do Ceará, tentou encarnar uma terceira via entre o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro e o aspirante do PT, Fernando Haddad, escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde abril cumpre pena de 12 anos de prisão por corrupção.

As pesquisas reduziram suas pretensões de capitalizar o descontentamento do eleitor progressista com o petismo, que muitos associam à corrupção e crise econômica.

O resultado de domingo o deixou longe do segundo turno, de 28 de outubro, uma consequência, de acordo com os analistas, das poucas alianças que conseguiu estabelecer na campanha.

Mas agora seus votos, que superam os do candidato de centro-direita Geraldo Alckmin (4,76%), podem cobrir uma parte importante dos 17 pontos que separam Bolsonaro (46,04%) de Haddad (29,26%). E ter um impacto psicológico capaz de atrair outras adesões.



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Ministro de Lula
Gomes, que foi ministro da Integração Nacional de Lula, afirmou que discutirá com os líderes do PDT a posição para o segundo turno, mas antecipou um provável apoio: "Farei o que fiz por toda minha vida, que é lutar pela democracia e contra o fascismo", declarou.

Mas a disposição não é tão evidente como aparenta, pois o cearense critica com o mesmo ímpeto o atual presidente Michel Temer e a corrupção no PT.

Em sua terceira candidatura à presidência, o político experiente se deixou levar pela impetuosidade.

Um exemplo foi uma declaração sobre Bolsonaro durante a campanha. Ele chamou o rival de "nazista filho da puta".

Antes chegou a declarar, extremamente irritado, que Lula era um "merda", chamou Temer de "ladrão fisiológico" e alguns policiais de "marginais fardados".

As declarações já renderam a abertura de mais de 70 processos.

Ciro Gomes, integrante de uma poderosa família do estado do Ceará, foi prefeito, governador, deputado e ministro duas vezes, uma trajetória que o levou a sete partidos durante a carreira política.

Ocupou a pasta de Fazenda em 1994 (sob a Presidência de Itamar Franco), no primeiro ano de aplicação do Plano Real contra a hiperinflação, e foi ministro da Integração Nacional de Lula, de 2003 a 2006.

Ele foi pesquisador-visitante na Universidade de Harvard.

Sem falsa modéstia, afirmou na campanha que era o político "experiente, honesto e com autoridade" que o Brasil precisava.

Pai de quatro filhos, Gomes vive atualmente com a quarta esposa, Giselle Bezerra, uma produtora de televisão de 39 anos.

Em 2002, quando era casado com a atriz Patrícia Pillar, disse que se fosse eleito presidente o papel da primeira-dama ser "dormir" com ele.

Depois de confessar que foi criado em um ambiente "machista", Gomes afirmou que esta "piada" foi provavelmente "o maior erro" de sua vida.


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