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Ciranda é reconhecida como patrimônio cultural do Brasil

18.12.21

/ por casinhas agreste

No Recife, ministro Gilson Machado reconhece ciranda como patrimônio cultural do Brasil e critica governadores e prefeitos

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, esteve no Recife nesta sexta-feira (17), para participar das cerimônias de Revalidação do Frevo e do Reconhecimento da Ciranda do Nordeste como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Na ocasião, ele não se posicionou sobre a possibilidade ou não de ter o Carnaval e criticou os governadores e prefeitos com relação ao passaporte vacinal. 

A Ciranda do Nordeste é uma manifestação cultural com uma dança rodeada de significados que envolvem o balanço do mar, ciclos da vida e brincadeiras de criança. Com suas singularidades estéticas, poéticas e musicais que a diferencia de outras modalidades de ciranda praticadas no Brasil, a do Nordeste foi reconhecida, pelo Iphan, como Patrimônio Cultural do Brasil. 

A cerimônia do Frevo aconteceu pela manhã, às 10h, no Paço do Frevo. Em seguida, o ministro marcou presença na ExpoAgro Nordeste, no Cordeiro. Já o reconhecimento da Ciranda do Nordeste foi às 14h30, na Casa da Cultura Luiz Gonzaga. De lá, o ministro seguiu para a 21ª edição da Fenearte, no Centro de Convenções de Pernambuco.

Questionado sobre a incógnita do Carnaval, Gilson Machado criticou os governadores e prefeitos pela exigência do certificado de vacinação, mas não se posicionou sobre o tema. "Aqui em Pernambuco estão exigindo certificado de vacinação para entrar em hospital. Se o cara tá doente, pra quê vai precisar do passaporte para entrar no hospital? E como é que vai pegar o Galo da Madrugada, com duas milhões de pessoas e exigir o passaporte vacinal? Como vai ser feito? Quero devolver essa pergunta ao governador, que fechou escola, igreja, e está querendo [o Carnaval]. O Governo Federal não tem poder de decidir nada, ele foi dado aos governadores e prefeitos pelo STF. Estamos assistindo de camarote", pontuou.
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Mesmo não se posicionando sobre o Carnaval, ele disse que espera pelo fim da pandemia em janeiro. "É claro que eu torço para que a pandemia se acabe, seja página virada e, em janeiro, seja decretado o fim dela. Todos nós torcemos por isso, mas agora eu quero assistir a decisão dos governadores", alfinetou.

 

Na Casa da Cultura, o ministro ressaltou que Pernambuco é uma cidade de cultura forte. "Dos 54 patrimônios culturais imateriais do Brasil, Pernambuco tem 14. É o Estado com o maior caleidoscópio de cultura do mundo, nada se compara à cultura pernambucana. Aqui, temos o frevo, a ciranda, o forró, e passam a ter acesso a políticas públicas. Agora, o Governo Federal pode capacitar e divulgar no exterior. Poucos lugares no mundo podem bater no peito e dizer que tem a identidade cultural que Pernambuco tem", reconheceu.

Cirandeiro desde criança, mestre Noé da Ciranda falou da importância do reconhecimento para os cirandeiros e cirandeiras. "Valoriza um ritmo que existe há anos em Pernambuco. O reconhecimento. Quem não conhece, vai querer participar e descobrir o ritmo. A ciranda agrega muitas pessoas, é um ritmo que não tem briga, só tem cidadão de bem, donas de casa com as crianças, idosos, e ainda tem muita gente no Estado que não conhece a cultura".

Para ele, o reconhecimento dá um conforto maior para a classe que tanto lutou. "A gente se sente confortável, valorizado, vê que valeu a pena a caminhada que foi difícil e sem apoio, sem uma luz e um degrau para subir. A gente subiu um degrau importante e fica feliz".

Por sua vez, a presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Larissa Peixoto, explicou que o pedido para que a Ciranda do Nordeste se transformasse em Patrimônio Cultural brasileiro chegou no órgão em 2015, e que uma série de pesquisas para a validação foram feitas desde então. "Com a pesquisa concluída, o processo foi avaliado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio e, no caso da Ciranda do Nordeste, foi aprovado por unanimidade como Patrimônio Cultural brasileiro. Esse reconhecimento traz para o Estado a responsabilidade de salvaguardar esse bem e a partir desse reconhecimento, é papel do Estado e da sociedade preservar essa prática para as gerações futuras", disse.

Já o presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto, falou sobre a importância da ciranda como manifestação pernambucana. "Demonstra que Pernambuco é um fórum de ricas manifestações. Temos o forró, o frevo, o caboclinho. Agora, o reconhecimento formal do Iphan e do estado brasileiro, que demonstra que a ciranda faz parte da vida do povo. Ele também ressalta a ciranda como uma manifestação completa: ela mexe com a dança, música, roupas, e com a tradição de Pernambuco. O reconhecimento tem a ver com a proteção e promoção dessa manifestação para que ela se perpetue".

O secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto, reafirmou o esforço coletivo para a validação. "Pernambuco, com 14 bens patrimonializados conhecidos nacionalmente pelo Iphan, se coloca no estado brasileiro de maior criatividade reconhecida, e não é à toa. São 500 anos de existência de uma cultura rica, diversa e miscigenada. A Secretaria de Cultura se junta a esse esforço coletivo juntamente com as associações representativas desses movimentos culturais para a criação e ordenamento dessas dinâmicas nos ciclos culturais adequados. A ciranda tem uma representatividade muito grande, uma quantidade enorme de brincantes, criadores, pessoas importantes para a nossa identidade cultural e que, a partir de agora, vão possuir um olhar diferenciado do Estado como política de proteção de todas essas dinâmicas". 

"Fora Bolsonaro"
O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, participou do evento de reconhecimento da Ciranda do Nordeste como Patrimônio Cultural do Brasil nesta sexta-feira (17), na Casa da Cultura Luiz Gonzaga. Na ocasião, após ser recebido com uma ciranda que falava sobre corrupção, o ministro, em seu discurso, comentou: "ouvi vocês falando de corrupção. Em três anos desse governo não temos nenhum caso de corrupção, se vocês mostrarem, eu peço exoneração do meu cargo aqui, agora".

Após isso, os presentes no evento contra o governo Bolsonaro, começaram a gritar "Fora Bolsonaro", o que fez o ministro ir embora da cerimônia imediatamente. Em um ato contínuo, o ex-presidente Lula foi ovacionado. 

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