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10 Estados têm problemas para registrar casos de covid em novo sistema do governo

1.10.21

/ por casinhas agreste

Três semanas após mudança em sistema do Ministério da Saúde, 10 estados ainda têm problemas para registrar dados de Covid-19
Falhas nos registros afetam número de casos e variações da média móvel divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa. Acúmulo de notificações e atrasos no preenchimento têm sido relatados pelas secretarias estaduais de Saúde.
 G1

Uma mudança no sistema do Ministério da Saúde feita há três semanas ainda causa problemas no registro de casos de Covid-19 de pelo menos 10 estados do país. É o que mostra um levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa, formado por g1, O Globo, Extra, Folha, Estadão e UOL, com base nas informações das secretarias estaduais de Saúde.

Balanços divulgados pelo consórcio têm sofrido várias distorções nas últimas semanas, como o represamento de casos e correções de dados já publicados. A alteração no sistema que centraliza os dados de casos de Covid-19, o e-SUS Notifica, foi feita no dia 8 de setembro.

Antes da mudança, a média móvel de casos vinha com tendência de queda, permanecendo assim por vários dias. Quando os estados começaram a corrigir as falhas de registro, a média de casos voltou a subir.

Houve alta de casos em 9 dos últimos 12 dias. E estabilidade nos outros.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que "o sistema e-SUS está estável e não há relatos de novas ocorrências".

Segundo especialistas, os problemas de registro prejudicam o acompanhamento dos números da doença no Brasil.

Com a atualização, o Ministério da Saúde passou a exigir mais informações que alteraram a maneira de preencher os dados e nem todos os estados conseguiram se adaptar rapidamente.

Os estados que dizem que ainda não conseguiram normalizar a situação são: Acre, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná e São Paulo.

Já Amazonas, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina afirmam que a situação já foi restabelecida.

Alagoas, Amapá, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Sergipe não responderam aos questionamentos.

Os únicos estados que dizem não terem sido afetados pela mudança no sistema do ministério são: Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Pernambuco e Tocantins.

Os veículos do consórcio aplicaram o seguinte questionário aos 26 estados e ao DF:

O estado sofreu impacto com a mudança na API do Ministério da Saúde?
Se sim, qual foi o impacto?
Já foi normalizado?
- Se sim, quando?
- Se não, qual o problema ainda corrente?
Os estados relatam um acúmulo de notificações, demora do ministério para dar suporte e instabilidades diárias (veja ao fim desta reportagem o que diz cada um).

Mudança em sistema do Ministério da Saúde gera variações acentuadas no número de casos de Covid
Mudança em sistema do Ministério da Saúde gera variações acentuadas no número de casos de Covid

Especialistas avaliam mudança
Segundo o médico sanitarista e ex-diretor do DataSUS Giliate Coelho, pode ter faltado tempo e treinamento para o uso da nova plataforma.

"O Ministério passou a exigir, por exemplo, o lote, o número de lote de alguns tipos de exame que são realizados. Então, antigamente ele só pedia o dado se o exame foi realizado ou não e a data da realização. Aí ele passou a pedir o número do lote. Esse é um dado diríamos assim burocrático", explica.

"Exige um tempo dos profissionais se capacitarem, dos hospitais treinarem as equipes e também de modificação dos sistemas que são utilizados nos estados, municípios e hospitais. Então, com isso exige um tempo e quando a gente está no meio de uma pandemia realmente é complicado você realizar qualquer mudança um pouco mais abrupta porque você corre o risco do dado mínimo não ser enviado, que é o dado de notificação de Covid."
A mudança exigiu a revisão geral dos dados desde o início da pandemia. Em São Paulo, isso significa olhar para mais de 20 milhões de registros.

As inconsistências que começaram a aparecer entre casos confirmados e suspeitos passaram a ser analisadas por um grupo de técnicos da Secretaria Estadual da Saúde, explica Olívia Ferreira de Paula, assessora do centro de vigilância epidemiológica. Nesta semana, eles descobriram que parte das informações não estão entrando ou não estão sendo lidas pelo novo sistema.

"Essa alteração não aconteceu de forma integral e completa no banco porque isso leva tempo", afirma Olívia.

"Assim como o estado de São Paulo leva um tempo para processar os 20 milhões, os mais de 20 milhões de notificações de casos de covid no estado, entre casos confirmados, suspeitos e descartados. É essa volumetria, esse banco de dados, que a gente tem que reprocessar todas as vezes."

Segundo ela, não houve tempo hábil para se adaptar à mudança.

"Então o ministério mudou a chave e ficou pendente essa questão de alterar os resultados. Só que ele não havia notificado ninguém sobre esse período de reprocessamento, e a necessidade de se reprocessar as bases de dados para ter o resultado correto."
Na quinta-feira, a Fiocruz divulgou que o Brasil registra o menor patamar de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o início da pandemia. Um número que pode refletir um quadro diferente do apresentado pelos dados das secretarias.

A professora Márcia Castro, da Escola de Saúde Pública de Harvard, diz que é grave ficar sem dados seguros. Segundo ela, as atualizações nos bancos de dados são necessárias, mas não deveriam atrapalhar o acompanhamento da evolução da pandemia.

"Sem dados você não tem como agir, né? Quer dizer, o poder da informação é exatamente você conseguir mensurar o problema e portanto achar respostas pro problema."
"A gente tem que se lembrar que o Brasil é muito grande, são 5.570 municípios, e a capacidade de alguns municípios em se adaptar a essa mudança, que muda toda a rotina da coleta da entrada de dados, vai criar esse gargalo", explica Márcia.

"Então talvez a pergunta mais importante é por que houve essa mudança, como que essa mudança vai levar a uma melhor resposta por parte do governo e se portanto isso justifica o custo que a gente está vendo agora."

RJ, SP e CE estão entre os mais afetados
O estado do RJ foi um dos mais afetados pela mudança. Os dados ficaram ocultos depois da alteração e, dez dias depois, apareceram 92 mil novos registros em apenas dois dias. Segundo a secretaria estadual de saúde, os casos tinham ocorrido no início da pandemia.

Em São Paulo também houve problemas. Houve uma queda brusca nos números depois da atualização do sistema do SUS. Dias depois, foi feita uma correção e surgiram 45 mil novos casos em dois dias (16 e 17),

Já no Ceará, foram retirados 12 mil casos do total no dia 20.

Nos estados mais populosos, a extração é feita somente via API, uma tecnologia que permite a comunicação entre sistemas de forma mais fácil, principalmente em casos de grandes volumes de dados. Por isso, nem todas as secretarias foram impactadas da mesma forma com as mudanças no sistema.

O que dizem os estados
Veja o que diz cada um dos estados:

ACRE: Diz que houve acúmulo de notificações durante o período de ajuste nos procedimentos para coleta dos dados. E que estão finalizando os ajustes.

ALAGOAS: Não respondeu.

AMAZONAS: Não especificou, mas em nota no dia 23/9 disse ter identificado instabilidade no e-SUS Notifica no dia 10 a 13 de setembro.

AMAPÁ: Não respondeu.

BAHIA: Nos dias 11 e 21 de setembro, a Bahia não conseguiu extrair a base de dados do Ministério da Saúde. "Nos dias 12 e 21 de setembro enviamos o script de extração para o Ministério da Saúde e somente em 24 de setembro tivemos suporte da equipe de tecnologia ministerial."

CEARÁ: Assim como outros estados, o Ceará diz que percebeu os impactos no fluxo de dados sobre casos de Covid-19 com a alteração da API do Ministério da Saúde. "Muitas vezes, sofrendo com lentidão, indisponibilidade e falta de clareza na documentação técnica."

DISTRITO FEDERAL: "Agora há necessidade de um tempo maior para que as informações sejam acessadas e analisadas no sistema. No entanto, é importante frisar que no DF este impacto é menor, pois a Secretaria de Saúde do DF também faz a captação de novos casos diretamente dos laboratórios da rede pública e privada, não utilizando exclusivamente o ESUS. Para todos os casos com resultados positivos para Covid-19, os laboratórios do DF possuem a rotina diária de informar também diretamente ao Cievs/DF."

ESPÍRITO SANTO: Diz que não foi afetado.

GOIÁS: Diz que não foi afetado.

MARANHÃO: Diz que não foi afetado.

MINAS GERAIS: "Os sistemas e-SUS e SIVEP-Gripe, do Ministério da Saúde (MS), apresentaram lentidão acentuada ao longo das três últimas semanas, o que demandou das equipes da SES-MG mais tempo para o levantamento de dados. Atualmente, os sistemas continuam apresentando lentidão."

MATO GROSSO DO SUL: Não respondeu.

MATO GROSSO: Diz que não foi afetado.

PARÁ: Diz que notou instabilidade no sistema API do Ministério da Saúde na últimas semanas. "Devido a essa situação, o preenchimento de algumas informações na página se encontra em atraso. A secretaria informa que já notificou o MS sobre a situação."

PARAÍBA: "A alteração da API do MS fez com que alterássemos o script de contabilização de casos Covid-19. O script está passando por alterações, desse modo não há como avaliar o impacto."


PERNAMBUCO: Diz que não foi afetado.

PIAUÍ: "Não conseguimos mais baixar por completo os casos inseridos no e-SUS."

PARANÁ: "Houve mudanças técnicas, como mudanças de nomenclaturas, o que por sua vez prejudica a API que alimenta o sistema da secretaria. Além disso, houve interrupção na alimentação dos dados, o que impacta o balanço diário."

RIO DE JANEIRO: "A secretaria não divulgou balanço um dia e divulgou com atraso em outro. Cerca de 92 mil casos do início da pandemia e que não eram computados foram incluídos de uma vez só no balanço."

RIO GRANDE DO NORTE: Não respondeu.

RONDÔNIA: "Dificuldade para importar o Banco Diário e adequação da leitura do campo 'testes', gerou a não atualização dos dados em determinadas datas."

RORAIMA: "Duplicidades nos dados, caracteres inválidos, campos em branco."

RIO GRANDE DO SUL: "O Ministério da Saúde implementou em setembro algumas mudanças no sistema de notificações do e-SUS, que é utilizado para o registro de casos leves de covid-19 e que não precisam de hospitalização. As alterações feitas demandaram alguns ajustes nas ferramentas automatizadas que a Secretaria da Saúde do RS usa para a tabulação de dados do sistema. As adequações já foram efetuadas e neste momento o fluxo das notificações no sistema até a publicação dos casos encontra-se normalizado."

SANTA CATARINA: "Foram incluídos 20.488 novos casos e excluídos 2.701 (o que resulta em 15.081 novos casos no balanço do dia 22). Nem todos os casos eram retroativos, e houve mudança nos números de casos ativos, que quase dobrou."

SERGIPE: Não respondeu.

SÃO PAULO: "Estatísticas posteriores à alteração deixaram de incluir parte dos casos leves de Covid-19 notificados no decorrer da pandemia, e estatísticas retroativas não foram migradas para novos campos inseridos na base de dados, e a nova API e orientações do Ministério não permitem a identificação destes dados."

TOCANTINS: Diz que não foi afetado.

Do G1

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