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PERNAMBUCO: Conselho Estadual de Saúde recomenda mais restrições contra a Covid, mas governo decide não acatar

7.5.21

/ por casinhas agreste

Recomendações incluem suspensão de aulas presenciais, quarentena de 21 dias e restrições rigorosas e emergenciais em áreas com maior concentração de casos e mortes devido à doença.
G1 PE
O Conselho Estadual de Saúde recomendou que Pernambuco adote medidas mais restritivas para conter a pandemia de Covid-19, no momento em que o estado atinge recordes de casos confirmados e de pacientes internados na rede pública. O órgão colegiado é presidido pelo secretário estadual de saúde, André Longo, que anunciou que não vai adotar a recomendação.
Entre as recomendações estão a suspensão de aulas presenciais em todo o sistema de ensino público e privado do estado, adesão a uma quarentena de 21 dias e construção emergencial de estratégias de restrição rigorosa em áreas com maior concentração de casos e mortes por Covid-19.

A recomendação foi divulgada na quinta-feira (6), mesmo dia em que o governo anunciou que, em vez de adotar medidas mais restritivas no enfrentamento da pandemia, pretende manter as restrições atuais até o dia 23 de maio.

O Conselho Estadual de Saúde é um órgão colegiado formado por 32 entidades de três setores: trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS), gestores e prestadores do sistema e, ainda, por usuários da rede pública de saúde.

O secretário de saúde do estado é quem preside o conselho, mas não estava presente na reunião que deliberou a recomendação, na quarta-feira (5).

A recomendação foi enviada ao Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do governo, à Assembleia Legislativa de Pernambuco, ao Ministério Público e a todos os conselhos municipais de saúde. O objetivo das ações é diminuir a pressão sobre o sistema de saúde, que, atualmente, tem recorde de doentes internados em Pernambuco.

De acordo com a epidemiologista Ana Brito, pesquisadora da Fiocruz e professora aposentada da Universidade de Pernambuco (UPE), a recomendação foi baseada em dois parâmetros.

Um deles é a dinâmica de transmissão do vírus no estado e a taxa de ocupação de leitos por doentes com sintomas respiratórios. Na quinta-feira (6), 97% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estavam ocupados.

Ana Brito participou da reunião como representante da Rede Solidária em Defesa da Vida, composta por especialistas que atuam junto com o poder público no enfrentamento à pandemia. Ela afirmou que, desde dezembro, o estado tem aumentos sustentados de doentes e de mortes.

"Trabalhamos numa corda bamba, porque precisamos salvar a saúde da população, mas também a saúde do sistema de saúde. E, quando se aumenta o número de pessoas doentes, vai aumentar a demanda de assistência em saúde. Temos taxa de ocupação de leitos em 97%. Isso não é somente colapso, é impossibilidade de incluir novos atendimentos, é fila, é pessoas em corredores de emergências", afirmou.

Em pronunciamento transmitido pela internet, na quinta-feira, o secretário André Longo afirmou que respeita o conselho, mas disse que não vai adotar as medidas mais restritivas.

Ele foi questionado pelo G1 sobre o porquê de o estado ter em vigor medidas muito mais flexíveis que em outros momentos da pandemia e negou que as restrições sejam, atualmente, brandas.

"O conselho tem autonomia para fazer recomendações, tem um comitê que faz o acompanhamento lá, são os dados que a gente apresenta, mas a decisão é da autoridade sanitária e a decisão, nesse momento, é pela manutenção das medidas restritivas, porque a gente não detecta uma aceleração, e sim um platô desses números e, nesse platô, a gente vai observar", afirmou o secretário.

O secretário disse, ainda, que é possível que a recomendação seja acatada em medidas pontuais de quarentena, em regiões como o Agreste, por exemplo, que atualmente apresenta tendência de alta nos números da Covid.

No entanto, isso ocorrerá se for detectado "por duas semanas seguidas, um comportamento em determinada região que aponte para a necessidade de fazer uma intervenção pontual".

Análise
Para a epidemiologista Ana Brito, o que o estado e o Brasil têm adotado, desde o início da pandemia, é uma série de "medidas quarentenáveis", que, na prática, esbarram na falta de estrutura para que sejam cumpridas.

"Como você quer abrir centro comercial com uma força de trabalho permanentemente exposta? As medidas são ineficazes. Com a escassez de doses de vacina, que poderiam criar uma barreira imunológica à transmissão do vírus, o único recurso que temos é o uso de máscaras e a restrição de circulação de pessoas", questionou Ana Brito.
No dia 15 de março, por exemplo, o governo decretou quarentena em todo o estado. No entanto, não houve restrição de circulação de pessoas, como na quarentena ocorrida em 2020 em cinco cidades do Grande Recife.

Foram registradas reclamações dos trabalhadores de serviços essenciais devido à lotação dos ônibus, que, desde o início da pandemia, circulam com frota reduzida.

"Um problema que nunca enfrentamos é a mobilidade da população que trabalha nos serviços essenciais. Mesmo se você mantém os serviços funcionando de maneira sanitária, a mobilidade dos trabalhadores está exposta permanentemente. Você não está fazendo sequer uma medida quarentenável", explicou a epidemiologista.

Pandemia em Pernambuco
Pernambuco confirmou, nesta sexta-feira (7), mais 2.763 casos de Covid-19 e 49 mortes provocadas pela doença, um dia depois de bater recorde no número diário de confirmações e ultrapassar pela primeira vez 3 mil novos doentes em 24 horas. Desde o início da pandemia, o estado totalizou 420.766 pessoas infectadas e 14.434 óbitos.

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