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Líder do governo na Câmara defende Bolsonaro e acirra crise com Maia

25/03/2019

/ por casinhas agreste
Do Correio Braziliense

Bolsonaro recebeu o líder do governo na Câmara para uma conversa de cerca de uma hora no Palácio da Alvorada. Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press

Em mais um capítulo da escalada de atritos entre o Palácio do Planalto e o Congresso, o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), saiu em defesa da nova política e afirmou que o presidente Jair Bolsonaro está convicto de que agiu certo no embate com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Após participar de reunião com o presidente no Palácio da Alvorada para viabilizar a tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado enviou, por volta das 13h30, uma série de mensagens ao grupo dos parlamentares do PSL no WhatsApp. O líder governista não citou nominalmente a “velha política”, expressão criticada por Maia na troca de farpas com Bolsonaro, mas disse que é “preciso mudar a situação” se referindo “às práticas do passado”.

“Nosso presidente está certo e também convicto de suas atitudes. (…) As práticas do passado não nos levaram ao caminho em que queremos estar. Todos nós, em particular do PSL, somos agentes para ajudar a mudar a situação em que nos encontramos”, escreveu Major Vitor Hugo no WhatApp aos integrantes da bancada. “Temos a possibilidade de escolher de que lado estar... Somos todos a nova política”, completou. O deputado encaminhou, em seguida, duas postagens que fazem referência a supostas negociações de cargos nos governos Michel Temer e Dilma Rousseff em troca do apoio do Congresso.

No fim da tarde, Vitor Hugo voltou a publicar no grupo. Entretanto, o tom das mensagens foi mais apaziguador, mostrando a importância de Maia para a aprovação da reforma da Previdência. “O apoio de Maia é importante para a aprovação da Nova Previdência e também do pacote de lei anticrime. Ele mesmo tem sinalizado que cabe ao governo montar sua base e queremos crer que o PSL é pedra fundamental nesse processo”, disse. Aos deputados, contou que se reuniu ao longo da semana com o presidente da Câmara e que também conversou com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, “para buscar pontes”.

Interlocutores de Maia afirmam que a divulgação das mensagens deixou o presidente da Câmara ainda mais irritado. A avaliação dos aliados do deputado do DEM é de que esse novo episódio deve acirrar ainda mais os ânimos com Bolsonaro — os dois trocam farpas em torno da articulação da reforma da Previdência desde a última sexta-feira. O deputado fluminense se irritou com o governo depois de ter sofrido ataques nas redes sociais feitos por um dos filhos do chefe de Estado, o vereador Carlos Bolsonaro.

Reunião
Após dias seguidos de embate, o domingo tinha tudo para ser um dia tranquilo. Durante a manhã, Bolsonaro se reuniu com Vítor Hugo a fim de tentar conter o estrago dos desentendimentos entre os Poderes. O presidente aproveitou o dia para discutir estratégias de articulação para o início da semana. Com a possibilidade de Maia ficar de fora do processo de negociações entre o Planalto e o Congresso, Bolsonaro tenta alinhar as novas medidas que serão adotadas.

Ao sair da residência oficial da Presidência da República, Vitor Hugo disse que conversou com Bolsonaro sobre a aprovação da nova Previdência e a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) na Casa. “Tratamos sobre articulação política, sobre a próxima semana, como retomar os trabalhos para a aprovação da Nova Previdência, a questão dos votos na CCJ, o trabalho junto ao Felipe Francischini (presidente da CCJ) e ao Onyx (Lorenzoni, Casa Civil)”, afirmou.

Embora a troca de mensagens com a bancada do PSL mostre que Vitor Hugo conversou com o presidente sobre os desentendimentos com Maia, o deputado negou que tivessem tratado diretamente do assunto. “Vamos caminhar para uma aproximação”, disse. Ele afirmou ainda que Bolsonaro está calmo. “O presidente nunca perdeu a tranquilidade”, declarou. Questionado sobre um possível rompimento entre Bolsonaro e o deputado do DEM, o líder do governo na Câmara disse que há disposição entre os dois de se aproximarem. “O clima vai arrefecer agora.  A semana passada foi muito tensa e agora a gente vai caminhar para uma aproximação”, minimizou.

Vitor Hugo disse ainda que vai intensificar conversas com as bancadas na Câmara, para esclarecer dúvidas sobre a reforma da Previdência. “Nós vamos continuar conversando com parlamentares, com os líderes. Já conversei com Rogério Marinho (secretário da Previdência) a respeito de prosseguir nas bancadas para poder explicar um pouquinho mais sobre as dúvidas acerca da reforma da Previdência, da construção da Nova Previdência, e a gente vai continuar com esse trabalho”, completou o deputado.

“Precisa descer do palanque”
Em forte recado ao governo, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (PRB-SP), disse que Jair Bolsonaro precisa “descer do palanque” e se colocar no papel de presidente. À frente do PRB e com forte ascendência sobre a bancada, que tem 31 deputados, ele reclama da falta de atenção do governo com os parlamentares, que não estão sendo recebidos nos ministérios. “O novo Brasil tem de começar de onde o Brasil estava dando certo, não do zero. Eles parecem que querem começar o Brasil do zero.”

Atraso no cronograma
Enquanto o governo tenta ajustar as estratégias de articulação no Congresso, a proposta de emenda à Constituição da Previdência segue travada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A expectativa do governo de tê-la aprovada no colegiado até 28 de março não será cumprida. A três dias do prazo, ainda não há relatoria definida e lideranças partidárias esperam pela presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Câmara para discutir pontos da reforma dos militares. Um acordo entre os líderes de todos os partidos foi que só começariam a analisar a constitucionalidade do texto da reforma geral, depois que o governo entregasse a matéria das Forças Armadas. Entretanto, o projeto causou descontentamento entre os congressistas.

A Presidência da CCJ precisa ainda escolher entre os 66 integrantes o relator da PEC da Previdência. Na semana passada, o presidente da comissão, Felipe Francischini (PSL-PR), disse que só divulgaria o nome depois que o Executivo esclarecesse as dúvidas dos parlamentares referentes ao texto dos militares. 

Integrantes da equipe econômica do governo estão preocupados com a tramitação do texto se o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixar de liderar as movimentações. O secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, convocou a população a cobrar os parlamentares pela aprovação da reforma da Previdência. Segundo o economista, os deputados “acham que seus pedidos não estão sendo atendidos e não se mostram dispostos” a apoiar o tema. 

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