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Hoje têm debate com candidatos ao Governo de PE


Eleitor pernambucano pode decidir seu voto nesta terça (2), no debate promovido pela Globo
O debate será às 22h desta terça-feira (2), promovido pela Globo
Foto: JC Imagem
JC Online

No próximo domingo (7), 6,5 milhões de pernambucanos vão às urnas tendo escutado muitas vezes que o governador Paulo Câmara (PSB) apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que Armando Monteiro (PTB) votou a favor da reforma trabalhista de Michel Temer (MDB). Mas os eleitores escolherão seu futuro governante sem conhecer em detalhes o programa de governo que o vencedor aplicará nos próximos quatro anos à frente do Palácio do Campo das Princesas. A cinco dias do primeiro turno, todos os postulantes entregaram à Justiça Eleitoral apenas um documento superficial, com diretrizes e intenções, mas não prepararam um plano detalhado com a lista completa de propostas, as explicações de como elas serão realizadas e com quais recursos, viabilizadas. É neste cenário que Paulo, Armando, Maurício Rands (PROS) e Dani Portela (PSOL) chegam ao último debate de TV do primeiro turno, às 22h desta terça-feira (2), promovido pela Globo. 

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De acordo com o sociólogo José Arlindo Soares, a desvalorização dos planos de governo é um fenômeno nacional e recente. Na visão do estudioso, o movimento começou a ser percebido quando a figura do “técnico de campanha” foi substituída pela do “marqueteiro”. “As campanhas em Pernambuco estão se tornando cada vez mais pobres de ideias. As principais candidaturas costumavam ter um grupo de trabalho que envolvia setores técnicos, sindicatos, movimentos sociais e, de forma temática, eram definidos capítulos do plano de governo. Quando tudo estava consolidado, esse programa era apresentado em um grande evento, onde eram anunciadas as metas. Quando isso passa a não ocorrer, as campanhas tornam-se mais pobres”, pontuou.

A apresentação do plano de governo tornou-se obrigatória para o registro da candidatura de postulantes a cargos do Poder Executivo a partir de 2010, por força da lei 9.504/97. A norma, contudo, não especifica o formato que o documento deve ter, levando os candidatos a apresentarem textos pouco aprofundados. 

Ontem, seguidores do Instagram dos perfis de Paulo e Armando questionaram os líderes nas intenções de votos sobre o detalhamento de suas propostas nas áreas de educação e saúde, respectivamente. 

“Bom dia governador, gostaria de saber o porquê de eu não ter direito ao Passe Livre, tendo em vista que eu passei na UFPE por cotas (não tem o benefício lá), mas depois eu transferi meu curso para a UPE – Benfica (onde tem o benefício) e mesmo assim não consigo utilizar o Passe Livre Estudantil”, cobrou um seguidor a Paulo. A equipe de campanha do governador não respondeu ao questionamento. 

“Candidato, sou diabética e preciso de medicação contínua da farmácia do Estado. Essa questão me interessa muito e eu preciso de uma resposta para concluir minha escolha em quem votar. Todos os meses faltam insumos, não só para pessoas com diabetes, mas pessoas com doenças crônicas”, questionou uma eleitora a Armando. “O atual governo deve mais de R$ 200 milhões aos municípios no repasse obrigatório para a compra de medicamentos, Samu e para a atenção básica”, respondeu a campanha do petebista. “Mas a questão que eu trago não é de repasse aos municípios, e sim a distribuição pela Farmácia do Estado (Fusan), que é de responsabilidade do governo do Estado”, insistiu a pernambucana, que ficou sem resposta.

“Talvez o que crie a brecha para essa ausência de detalhamento seja o fato de que não existe nenhum formato estabelecido para esse documento. A gente tem desde o texto apresentado pela candidatura de Maurício Rands, que eu vejo como emblemático porque só tem uma página, é quase um tweet, e há materiais como o de Dani Portela, que tem 100 pontos, mas é meio um brainstorm, que tem o detalhamento de alguns pontos e a ausência quase completa em outros”, observou Artur Leandro, cientista político do Observatório do Poder.

Para o economista Ecio Costa, professor da UFPE, há temas importantes que não foram discutidos pelos candidatos, como as medidas para retomar o crescimento, o equilíbrio das contas públicas e o déficit na Previdência dos servidores estaduais. “Vejo com maus olhos a falta dos programas de governo. A gente fica numa incerteza muito grande do que realmente vai ser executado pelos candidatos caso eles se elejam. Como vamos dar um voto de confiança a um candidato que fala em propostas, mas não as documenta? Como vamos fiscalizar esses candidatos e cobrar a execução do que eles estão se propondo a fazer? Eles vão gastar mais ou menos? Vão investir em que áreas?”, questiona.

Para o cientista político Ernani Carvalho, também professor da UFPE, a falta de apresentação de propostas tem sido uma dinâmica geral, também na eleição nacional, em que o discurso tem se focado muito em ataques aos opositores, e não na apresentação de planos concretos para os Estados e para o País. “Os candidatos não estão muito interessados nessas questões. Até porque são temas complexos e interligados, que exigem das próprias candidaturas soluções mais sofisticadas e inovadoras, que gastem pouco e atendam à população. E às vezes você precisa gastar muito tempo e recursos para explicar essas propostas. Aí o canto da sereia, a saída mais fácil, é entrar no discurso da polarização e fazer ataques, muitas vezes grosseiros, aos seus oponentes”, finalizou

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