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Veja momento exato em que um prédio incendeia e desaba no centro de São Paulo



Um incêndio atingiu 3 prédios na região da República, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira (1º). Um deles, o edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, desabou. O Corpo de Bombeiros confirma 1 desaparecido, mas o governo do estado admite a possibilidade de haver mais vítimas.CURTA NOSSA PÁGINA 
 








Acompanhe a cobertura ao vivo do incêndio em SP
Projetado em 1961 pelo arquiteto Roger Zmekhol, o edifício tinha 24 andares e ficava na região do Largo do Paissandu. Desde setembro de 2002, pertencia à União. Ao longo do tempo, o edifício passou a ser do governo federal em 2015. Veja imagens do edifício antes e depois da tragédia.

MP reabre investigação sobre condições estruturais e causas do desabamento do prédio em SP

Vistoria dizia que não havia risco estrutural em prédio que desabou em SP e promotor havia pedido arquivamento de inquérito.
Por Carolina Giancola e Glauco Araújo, TV Globo e G1 SP

Veja o momento em que prédio desaba no centro de São Paulo

O Ministério Público de São Paulo reabriu, nesta terça-feira (1º), a investigação sobre as condições estruturais do prédio que pegou fogo e desabou no Centro de São Paulo nesta madrugada. A promotoria de Habitação e Urbanismo havia pedido, em 16 de março deste ano, o arquivamento do inquérito após a Defesa Civil ter feito uma vistoria no prédio de 24 andares e afirmar que não havia risco estrutural na edificação.




O arquivamento havia sido pedido pelo promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos. No documento, ele mencionava que "não foram constatadas anomalias que implicassem riscos naquela edificação, embora a instalação elétrica estivesse em desacordo com as normas aplicáveis, assim como o sistema de combate a incêndio".

No mesmo documento anterior, o promotor dizia ainda que a Secretaria Municipal de Habitação foi acionada e a pasta informou que o "prédio não está inserido nos chamamentos públicos deflagrados pela municipalidade para regularaização fundiária em favor dos ocupantes". Ainda de acordo com o documento, o promotor dizia que a Secretaria do Patrimônio da União informou que "foi firmada parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo para que esta, então, utilize o imóvel para instalação de equipamentos públicos e que sua desocupação será efetivada pela municipalidade."

Em nota, divulgada nesta terça-feira pela Promotoria de Habitação e Urbanismo, os fatos gravíssimos fizeram com que o promotor pedisse a rebertura das investigações. Veja a íntegra da nota:

"A Promotoria de Habitação e Urbanismo esclarece que em 24 de agosto de 2015 foi instaurado o inquérito civil nº 14.0270.000173/2015 em razão de possível existência de risco no imóvel situado na Rua Antonio de Godoi, entre os números 23, 27 e 33, centro de São Paulo.

Ao longo de dois anos e sete meses de investigação, os órgãos públicos incumbidos de fiscalizar o imóvel, em especial a Defesa Civil de São Paulo e a Secretaria Especial de Licenciamentos, informaram que, a despeito do AVCB estar vencido, não havia risco concreto que demandasse sua interdição.

A Secretaria do Patrimônio Público da União informou ao Ministério Público que já estava providenciando a retirada dos ocupantes do imóvel em ação de reintegração de posse e, por conta de uma parceria feita com a Prefeitura de São Paulo, esta passaria a ocupar o prédio.

A retirada das famílias do imóvel, que poderia ensejar medidas do Ministério Público, já era objeto de ação específica de reintegração de posse desde o ano de 2014.

Por outro lado, as informações referentes à falta de AVCB e necessidade de adaptação da edificação não demandavam medidas, nesse momento, por parte desta instituição. Com a desocupação do prédio haveria que se aguardar, por primeiro, o projeto de utilização do local pela Prefeitura de São Paulo.

Nessas condições foi promovido o arquivamento do inquérito civil em 16 de março de 2018.

Os gravíssimos fatos ocorridos na data de hoje determinarão a reabertura das investigações para verificação das causas do acidente e também da veracidade dos relatórios técnicos encaminhados ao Ministério Público pelos órgãos públicos responsáveis pela manutenção e fiscalização da edificação, nos termos do que já havia indicado o relator do caso no Conselho Superior do Ministério Público."

Incêndio e desabamento
O local do incêndio era uma ocupação irregular, e moradores afirmam que o fogo começou por volta da 1h30 no 5º andar e se espalhou rapidamente pela estrutura.





Ainda não se sabe o que causou o fogo, peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo analisam dois botijões de gás encontrados nos escombros.

O capitão Marcos Palumbo, porta voz dos bombeiros, disse que outras hipóteses serão apuradas, como curto-circuito. "A única certeza até agora que temos é a de houve um incêndio e só análises aprofundadas dirão o que causou."


Pessoas subiram o prédio em chamas em SP achando que resgate viria do alto, diz moradora
Incêndio atingiu dois edifícios no centro de São Paulo. Um deles desabou.
Por Kleber Tomaz, Daniel Médici e TV Globo, G1 São Paulo

Moradores de prédio tomado pelo fogo relatam momentos de pânico
Uma moradora prédio que desabou após pegar fogo no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, disse que viu umas 10 pessoas subindo as escadas em vez de descer. A mulher, que não quis se identificar, afirmou que as pessoas achavam que o resgate iria ocorrer pelo alto.

Outra moradora do 3º andar do prédio que desabou após pegar fogo , Crivalda conta que estava dormindo quando o incêndio começou.

"Eu estava dormindo, acordei meu marido gritando 'fogo, fogo, fogo'. Peguei meu filho e saí. Não consegui salvar os documentos dele, consegui salvar só os meus. Estou aqui no meio da rua, com roupa de dormir, sem nada."

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Crivalda afirma que havia se mudado para o prédio – uma ocupação onde viviam 50 famílias – há um ano, por não conseguir mais pagar o aluguel da casa onde vivia. Segundo ela, os moradores separavam os lares com chapas de madeiras compensada.

Morador conta como escapou do prédio que desabou
"Eu tinha medo mas eu não tinha condições de morar em outro lugar."

Outra moradora do prédio diz que conseguiu chegar na rua pouco antes de as chamas tomarem conta do prédio

"Eu ouvi o barulho dos vidros caindo e pensei que era chuva. Quando nós estávamos na rua, que eu virei, o fogo já estava tomando conta, a chama já estava subindo."
Leandro, que não quis dar seu sobrenome, morador do segundo andar, disse que ouviu uma explosão e que o celular deixou de carregar. Muita gente achou que o incêndio era no prédio ao lado. "Aí ouvi gente gritando fogo, fogo, só consegui pegar minha mochila e a TV, tentei pegar minha gatinha, mas ela escapou. E desci."

Moradora conta que saiu apenas com os documentos e o filho pequeno na hora do incêndio
Um homem que se identificou como Antonio disse ter morado no imóvel de 2015 a 2017 conta ter visto muita fiação aparente e muita rachadura nos andares superiores, além de muito colchão e entulho. "Às vezes ficava dois, três dias sem luz. O pessoal mexia na rede elétrica sem entender".

Marcos Henrique da Silva, 15, morador do segundo andar, disse que mudou para o prédio após o barraco em que vivia na favela do Moinho, também no Centro, pegar fogo

"Depois fui com a minha mãe pra Itaquera, depois pra cá. Eu tava acordado, ouvi um barulho, acordei minha mãe e a gente saiu. A gente tava em choque, não lembro muito como foi na hora. Ela só pegou a bolsa dela, eu vim sem nada."

Moradora de um prédio vizinho, a camareira Brunele Viana Lisboa, de 23 anos, também diz que só teve o tempo de pegar a filha e os documentos.

"No momento que começou eu estava dormindo. Quando começou, a minha amiga que me acordou. O dono do prédio começou a gritar e a falar que estava pegando fogo. Aí ele saiu batendo em todas as portas. Minha amiga que me acordou, acordei ela [a filha] e saí. Não deu tempo de eu pegar nada. Só peguei os meus documentos e peguei a menina e saí do prédio", disse.

O incêndio teve início por volta da 1h30 no prédio, que em seguida, desabou. As chamas atingiram um edifício vizinho.

Até o início da manhã, Corpo de Bombeiros contabilizava 1 desaparecido – um homem que estava sendo restagado quando o primeiro edifício desabou, e caiu junto. O governador de São Paulo, Márcio França, entretanto, disse ao visitar o local que "certamente há vítima" e que algumas pessoas podem estar sob os escombros.


'Se tivesse mais 30 ou 40 segundos teria conseguido', diz bombeiro que tentou salvar morador de prédio

Sargento Diego conta que morador estava colocando equipamento de segurança quando prédio desabou. 'Na hora que a gente ia retirar, o prédio caiu e a corda não aguentou o peso', ele diz.
Por Paula Paiva Paulo e Luiz Gerbelli, G1 SP, São Paulo



Bombeiro narra tentativa de resgate antes de desabamento de prédio em São Paulo
O bombeiro que tentou resgatar um morador do prédio que desabou no Centro de São Paulo disse que se tivesse mais 30 ou 40 segundos teria conseguido salvá-lo. Veja acima a entrevista.

O Sargento Diego orientava o rapaz, chamado Ricardo, a colocar o equipamento de segurança para ser içado quando o prédio desabou. O homem é dado como desaparecido.

"Ele dizia: 'Me tira daqui por favor', e eu respondi: 'Calma, confia em mim'", lembra o bombeiro. "A gente acreditava a todo momento que ia conseguir retirar ele de lá", disse.
"Fui orientando ele para ir se amarrando. A ideia era que passasse uma fita em volta do tórax dele. E depois ficaria preso. E depois a gente tiraria ele dessa situação”, disse o sargento.

“O problema maior foi que na hora que a gente ia retirar, o prédio caiu, tensionou a corda e ela não aguentou o peso, estourou. Não daria 30, 40 segundos, pra gente finalizar”, contou.
"Era o tempo de proteger o canto vivo e eu dar a ordem para ele sair com calma." Veja o vídeo abaixo da momento da queda.

Veja o momento em que prédio desaba no centro de São Paulo
Os bombeiros fizeram um buraco em outro prédio para chegar até a laje de um prédio vizinho ao que foi incendiado. "Perguntei o nome dele, parece que era Ricardo. Não deu para ouvir, tinha muito barulho", explicou.

Os moradores da ocupação também disseram que ele se chama Ricardo, com cerca de 30 anos.

Ele contou que começou a visualizar o homem da altura do 15º andar, da janela da cozinha. O sargento também contou que não visualizou outras pessoas no local e que o homem também não falou sobre outras vítimas.

"A gente fica chateado, com certeza. A gente queria ter tirado aquela pessoa de lá. Era uma vítima, uma pessoa que precisava de ajuda, que gritava por socorro. Mas a gente tem que entender que a equipe deu o melhor", disse o sargento. "Não tem como não se emocionar."

O bombeiro Sargento Diego relata a tentativa de salvar morador (Foto: Celso Tavares/G1)
O sargento explicou que não tinha, no momento da operação, o equipamento para resgates em grandes alturas. "Eu não tinha equipamento de salvamento em altura, que seria a parte técnica do Corpo de Bombeiros trabalhar", disse.

Ele tentou montar algo simples para o resgate usando um cinto de segurança chamado de "cinto alemão" preso a uma corda. "É uma cadeira. É um cinto que a gente usa em ocorrência."

"A ideia era ele passar o cinto pela perna, para ficar preso, e a fita tubular ele passou em volta do corpo, passou por baixo do braço e passar uma segunda vez. Deu um nó e ele já estava travado. Colocou a perna por dentro. Conseguimos fazer uma ancoragem usando outro cinto, que estava com outro bombeiro", ele descreveu.

Morador tentava ajudar
Homem que desapareceu prédio incêndio desabou (Foto: TV Globo/Reprodução) 
Os moradores contaram que Ricardo já tinha saído do edifício, mas voltou para tentar ajudar os moradores dos andares mais altos, que estavam com dificuldade para sair.

"Muitas mulheres moravam sozinhas e tinha crianças. Ele voltou para ajudar no resgate dessas famílias", diz Gerivaldo Araújo, de 42 anos, morador e antigo porteiro do prédio.

Há quatro anos, Ricardo vivia na ocupação do prédio de 24 andares na região do Largo do Paissandu. Imagens do cinegrafista da TV Globo Abiatar Arruda mostram o momento em que um bombeiro tenta salvar Ricardo, e o prédio vem abaixo por volta das 2h50 da manhã.

Bombeiros fizeram buraco em outro prédio para chegar próximo ao edifício em chamas (Foto: TV Globo/Reprodução) Bombeiros fizeram buraco em outro prédio para chegar próximo ao edifício em chamas (Foto: TV Globo/Reprodução)
Bombeiros fizeram buraco em outro prédio para chegar próximo ao edifício em chamas (Foto: TV Globo/Reprodução)
Ricardo morava sozinho e trabalhava no centro de São Paulo descarregando produtos importados chineses. Por dia, é possível ganhar R$ 50, contam seus vizinhos e colegas de trabalho. "No seu apartamento, tinha mais planta do que móveis", afirma Gerivaldo.

Ele também era conhecido como "tatuagem" porque tinha várias imagens desenhadas pelo corpo. A mais famosa era o símbolo do super-herói Batman no pescoço. "As tatuagens não eram exageradas. Elas eram harmônicas", diz o autônomo Osires Palma Filho, de 36 anos, morador da ocupação.

Ricardo morava e coordenava o nono andar – cada andar tinha um coordenador. "Foi ele que autorizou uma limpeza no andar quando eu cheguei", afirma Osires, que morou na ocupação por cinco meses.

Segundo Osires, Ricardo é brigado com a ex-mulher e não tem um bom relacionamento com as filhas. Osires não soube especificar quantas filhas Ricardo têm.

O homem é considerado desaparecido pelos bombeiros, mas a corporação afirma que as chances de Ricardo ser encontrado vivo são pequenas. A corda e o cinto usados pela vítima foram achados nos escombros do prédio nesta manhã e são realizadas buscas com cães farejadores.


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