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Por ordem de Alexandre de Moraes, PF prende homem que ameaçou STF e Lula

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22.7.22


Moraes considerou que as declarações de Ivan Rejane Fonte Boa Pinto, que se intitula 'Terapeuta Papo Reto' nas redes sociais, consistem em "discursos de ódio e incitação à violência" e se destinam a "corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito"

Da Estadão Conteúdo

A pedido da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou a prisão temporária de um homem que gravou vídeos em que diz que vai "invadir" e "destituir" a corte máxima, além de "pendurar os ministros de cabeça pra baixo". O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi alvo de ameaça.

Moraes considerou que as declarações de Ivan Rejane Fonte Boa Pinto, que se intitula 'Terapeuta Papo Reto' nas redes sociais, consistem em "discursos de ódio e incitação à violência" e se destinam a "corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito".

Preocupado com violência política nas eleições 2022, TSE cria grupo para estudar providências
O investigado foi preso na manhã desta sexta-feira (22), em Belo Horizonte, Minas Gerais. Nos bastidores, a avaliação é a de que as medidas tomadas quanto ao caso de Ivan Rejane mostram que não serão toleradas ameaças semelhantes no 7 de Setembro e que grupos de estão sendo monitorados pelas autoridades.

Ao tornar a decisão pública, Moraes registrou que as medidas requeridas pela PF foram integralmente deferidas - prisão temporária, ordem de busca e apreensão - e que as diligências foram cumpridas na manhã desta sexta-feira (22).

Alexandre de Moraes ainda determinou que o Twitter, o YouTube e o Facebook bloqueiem os canais e perfis de Ivan Rejane, e intimou o Telegram a bloquear um grupo administrado na rede social pelo investigado.

"As declarações constantes de suas publicações em diversas redes sociais se revestem de convocação de terceiros não identificados, com união de desígnios, para utilização abusiva dos direitos de reunião e liberdade de expressão, para atentar contra a Democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, ignorando a exigência constitucional das reuniões serem lícitas e pacíficas, o que pode configurar os crimes de associação criminosa (art. 288 do Código Penal) e abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal)", registrou Alexandre no despacho, dado na quarta-feira (20).

Ao requerer as medidas autorizadas pelo ministro do STF, a Polícia Federal alegou necessidade de "adoção de medidas voltadas ao esclarecimento da situação, bem como focadas na dissuasão desse tipo de conduta, que possui risco de gerar ações violentas, diretamente por Ivan Rejane ou por adesão de voluntários".

"Publicações de ameaças contra pessoas politicamente expostas tem um grande potencial de propagação entre os seguidores do perfil, principalmente considerando o ingrediente político que envolve tais declarações, instigando uma parcela da população que, com afinidade ideológica, é constantemente utilizada para impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, podendo culminar em atos extremos contra a integridade física de pessoas politicamente expostas, como visto na história recente do País", argumentou a PF ao requerer as cautelares contra Ivan.

Os investigadores viram na conduta do investigado, a prática de supostos crimes de associação criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito uma vez que Ivan ‘propôs a destituição dos ministros do Supremo Tribunal Federal e sua expulsão do país, com isso impedindo o exercício do órgão do Poder Judiciário, ameaçando reunir pessoas voltadas a um mesmo propósito de "caçar" os ministros Luiz Roberto Barroso, Edson Fachin, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes, Carmen Lúcia e Rosa Weber, e ‘pendurá-los de cabeça para baixo’.

Ainda de acordo com a PF, Ivan Rejane "com auxílio de pessoas não identificadas ('nós da direita'), com união de desígnios, ameaça os citados ministros do STF e políticos de esquerda, dizendo que vai caçar Luiz Inácio Lula da Silva, Gleisi Hofman, Marcelo Freixo".

"Como se vê, as manifestações, discursos de ódio e incitação à violência não se dirigiram somente a diversos Ministros da Corte, chamados pelos mais absurdos nomes, ofendidos pelas mais abjetas declarações, mas também se destinaram a corroer as estruturas do regime democrático e a estrutura do Estado de Direito, contendo, inclusive, ameaças a pessoas politicamente expostas em razão de seu posicionamento político contrário no espectro ideológico", registra o despacho.

Reproduzindo frases usadas em outras decisões sobre o chamado "binômio liberdade responsabilidade", Alexandre ainda frisou: "A Constituição Federal não permite aos pré-candidatos, candidatos e seus apoiadores, inclusive em período de propaganda eleitoral, a propagação de discurso de ódio, ideias contrárias à ordem constitucional e ao Estado Democrático, tampouco a realização de manifestações nas redes sociais ou através de entrevistas públicas visando ao rompimento do Estado de Direito, com a extinção das cláusulas pétreas constitucionais - Separação de Poderes, com a consequente instalação do arbítrio".

Horas antes de ser preso, Ivan publicou vídeo em que afirma: "Eu convoco a população brasileira a ir para dentro do STF, sim." O arquivo é intitulado "PRENDE ELE" e foi publicado no canal do YouTube TV Papo Reto por volta das 7 horas da manhã desta sexta-feira (22).




COM A PALAVRA, A DEFESA

A reportagem busca contato com a defesa do preso. O espaço está aberto para manifestações.

Bolsonaro discursa por vídeo em ato com ataques ao STF em SP

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1.5.22


Presidente discursou em vídeo para apoiadores que estavam em São Paulo. Mais cedo, Bolsonaro foi a uma manifestação pró-governo em Brasília, mas não discursou.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) gravou um vídeo exibido a apoiadores neste domingo (1º) em ato na avenida Paulista destinado a defender o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB).
O parlamentar foi condenado pelo STF a 8 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por ataques antidemocráticos a ministros, ao tribunal e à democracia. No dia seguinte à condenação, Silveira recebeu um perdão da pena do presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliado.
No vídeo divulgado neste domingo (1º), Bolsonaro afirmou que deve "lealdade" aos apoiadores e que tem um "governo que acredita em Deus, respeita as autoridades, defende a família e deve lealdade a seu povo".

"É uma satisfação muito grande poder cumprimentá-los nesta manifestação pacífica com todas as idades em defesa da constituição, das famílias e da liberdade. Eu devo lealdade a todos vocês. Temos um governo que acredita em Deus, respeita as autoridades, defende a família e deve lealdade a seu povo. E eu irei onde vocês estiverem. Estarei sempre ao lado da população brasileira", disse o presidente.
Bolsonaro pretende concorrer à reeleição pelo PL. No vídeo, o presidente agradeceu sua eleição e disse: "Venceremos porque o bem sempre vence o mal".
"Agradeço ao criador pela minha vida e a todos vocês por terem acreditado e terem me ofertado essa missão de conduzir o destino do Brasil. Venceremos porque o bem sempre vence o mal. Muito obrigado a todos vocês. Deus, pátria, família", disse o presidente.

Manifestação em Brasília
Na manhã deste domingo, Bolsonaro foi a uma manifestação pró-governo em Brasília, mas não discursou.

O presidente encontrou manifestantes que estavam concentrados no gramado em frente ao Congresso Nacional, grande parte vestindo as cores verde e amarelo e carregando cartazes com frases de apoio ao presidente.

Os apoiadores também empunharam cartazes e emitiram falas em carros de som pedindo intervenção militar e fazendo ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro foi de carro até as proximidades do ato e depois percorreu um trecho a pé até se aproximar dos apoiadores. Depois andou em um corredor que se formou entre os manifestantes. Cumprimentou os apoiadores e acenou. Em seguida, foi embora. A participação do presidente durou cerca de 10 minutos.

Em determinado momento da caminhada, Bolsonaro deu uma declaração para uma pessoa que estava transmitindo o ato ao vivo na conta do Facebook do presidente. Bolsonaro disse que tinha ido cumprimentar os brasilienses pela manifestação.

"Cumprimentar o pessoal que está aqui numa manifestação pacífica em defesa da Constituição, da justiça e da liberdade", afirmou.

Do G1

FESTA DO TAPUIA 2022

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