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Bebê que ficou na fila por UTI em meio a crise de superlotação em Pernambuco tem alta após um mês internado

13.6.22

/ por casinhas agreste

Ravi, que completa dois meses de vida na terça (14), passou por quatro unidades de saúde com problemas respiratórios, foi intubado e teve parada cardiorrespiratória
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Depois de um mês internado, teve alta do hospital o bebê Ravi, que passou 11 dias na fila por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Recife, por causa da crise de superlotação de leitos em Pernambuco. O menino, que completa dois meses de vida na terça-feira (14), passou metade da vida em quatro unidades hospitalares, com problemas respiratórios.
A alta hospitalar de Ravi aconteceu no sábado (11). Durante a internação, ele foi intubado, teve parada cardiorrespiratória e, agora, se recupera em casa com a família.
"Ravi nasceu de novo. A sensação que eu tenho é como se Ravi tivesse nascido agora, estivesse tendo alta hospitalar do parto. Eu ainda nem estou acreditando", disse a mãe, a psicopedagoga Gicely Van Egmond.
Na metade de maio, Ravi teve os primeiros sintomas do que veio a ser diagnosticado como bronquiolite viral aguda. Ele apresentou coriza e um pouco de tosse e, por isso, foi levado ao pronto-socorro de um hospital particular.
"Ele foi atendido e encaminhado de volta para casa porque não tinha sintomas graves. O tratamento indicado foi nebulização e vitamina C. Eu estava muito atenta à situação da falta de leitos de UTI em Pernambuco e pesquisei muito sobre isso", afirmou a mãe de Ravi.
Um problema no cadastro de Ravi em um plano de saúde fez com que o bebê entrasse no período de carência, sem poder usufruir do convênio. Foi justamente nesse período que ele começou a ficar ofegante e que os sintomas respiratórios pioraram.
Por isso, Ravi foi levado às pressas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na Zona Oeste do Recife. Depois, foi transferido para o Hospital Barão de Lucena, na mesma região da cidade, onde foi intubado.
"Ficamos cinco dias na UPA. O atendimento era bem precário. Ele foi transferido para o Barão e, no dia seguinte, já foi intubado, mas não tinha leito de UTI. Ficou na área vermelha, que, por causa da superlotação, virou aquela coisa: recepção, enfermaria, sala de UTI improvisada, tudo junto", declarou Gicely.


Bebê Ravi e os pais, Tim e Gicely Van Egmond, após alta em hospital no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Segundo a família, somente quando foi levado para o Hospital Maria Lucinda, no bairro do Parnamirim, na Zona Norte do Recife, é que o bebê teve acesso a uma UTI. Isso ocorreu 11 dias depois do internamento.
"O atendimento no Maria Lucina era maravilhoso e a equipe, bem preparada. Mas quem é menos instruído sofre muito, e isso me doeu bastante, ver a forma como as pessoas eram tratadas. No Barão de Lucena, era uma catástrofe. Era criança indo a óbito perto da gente, mãe desamparada", afirmou Gicely.
No fim de maio, dias antes da transferência para o Maria Lucinda, Gicely recebeu a pior notícia da vida dela. Por causa de um desencontro de informações, ela soube que Ravi tinha morrido. Na verdade, outro bebê, de 11 meses, faleceu no Hospital Barão de Lucena, à espera de uma vaga em UTI.
No dia 28 de maio, já no Maria Lucinda, Ravi saiu da intubação. O quadro de saúde dele melhorou gradativamente, até o momento em que o bebê recebeu indicação para ir para uma enfermaria. Nesse meio tempo, a família conseguiu na Justiça uma liminar que permitia que o menino fosse tratado pelo convênio, mesmo diante do erro feito no cadastro do plano de saúde.

"No Maria Lucinda, assim que um bebê não precisava mais de intubação, ele já era encaminhado para a enfermaria. Isso é justo porque tinha crianças na fila. Mas, na enfermaria, não havia isolamento, e a criança corria risco de se reinfectar, como até chegou a ocorrer com Ravi. Por isso, pegamos a liminar e ele foi transferido para um hospital particular", contou Gicely.


Bebê Ravi durante espera por vaga de UTI em hospital, no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo


No hospital particular, o bebê finalizou o tratamento, em isolamento. Agora, a família tenta se recuperar do trauma. O bebê reencontrou o irmão, de 2 anos, e a irmã mais velha, de 22 anos. Os pais, aliviados, começaram a pensar nos próximos passos do tratamento, já que a rotina aparenta ter normalizado.

"Ele vai ser acompanhado por uma pneumologista e vai fazer fono, também. Também vou encaminhá-lo para um teste neurológico, para saber se houve algum dano. Ele ficou muito tempo sedado, e até foi intubado sem sedação, porque foi tudo muito corrido. Mas, ao que tudo indica, está tudo bem", disse.

Gicely fez questão de agradecer às pessoas que rezaram e se juntaram em uma corrente de solidariedade para trazer visibilidade ao caso de Ravi e das dezenas de outras crianças que tiveram que esperar na fila por um leito de UTI.

"O Estatuto da Criança e do Adolescente reforça que toda criança e adolescente tem direito à vida e à saúde. Nós, como sociedade, podemos e devemos intervir sempre, em qualquer situação que possa causar dano ou vulnerabilidade às crianças. A luta de Ravi não foi só de Ravi, foi de todas as crianças. A gente precisa se posicionar para lutar essa guerra como sociedade", finalizou a mãe.

G1 PE

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