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Entenda o papel de quatro policiais civis no roubo de 326 armas de depósito da corporação e na venda para criminosos

23.9.21

/ por casinhas agreste
Globo teve acesso acesso ao inquérito, que correu em sigilo e detalhou a participação de três comissários e um agente administrativo no desvio de armamento e munições.
 TV Globo

Quatro policiais civis tiveram participação no roubo e venda de ao menos 326 armas que estavam no depósito da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, no Recife. A Globo teve acesso ao inquérito que apurou o crime e detalhou como cada um dos homens estava envolvido no esquema .

Foram acusados os comissários Cleidio Graf Gonçalves Torreiro, José Maria Sampaio Filho e Josemar Alves Dos Santos, e o agente administrativo Carlos Fernandes Nascimento.

Sede da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

O caso do roubo das armas da Core foi divulgado, pela primeira vez, em janeiro deste ano. Em agosto, a Polícia Civil deflagrou a Operação Reverso, que resultou na prisão de 18 pessoas, entre elas os policiais. Entre os armamentos desviados estão 120 pistolas de calibre ponto 40 da prefeitura de Ipojuca, no Grande Recife.


O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) denunciou, ao todo, 20 pessoas por envolvimento no crime, entre elas os policiais.

Segundo o inquérito, o esquema de desvio de armas foi descoberto depois da denúncia de um policial civil, em janeiro deste ano. Quando voltou de férias, ele notou a falta de algumas pistolas e comunicou aos superiores.

Os documentos mostram que, depois da denúncia do policial, perícias constataram que não havia sinais de arrombamento nos depósitos. Apenas cinco pessoas tinham acesso a essa área restrita. Uma delas foi a que denunciou o caso. As outras quatro foram presas acusadas de envolvimento no esquema criminoso.

Segundo a investigação, eles "tiveram participação fundamental no desvio das armas e receberam quantias em dinheiro inclusive, de facções criminosas". Quatro submetralhadoras encontradas com traficantes em dezembro de 2020, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, ajudaram a confirmar as suspeitas, visto que deveriam estar nos depósitos da polícia.

A polícia analisou contas bancárias e celulares dos investigados, descobrindo que pistolas eram vendidas por até R$ 6,5 mil e as submetralhadoras por R$ 22 mil. O relatório apontou que todos os policiais tiveram movimentações financeiras incompatíveis com os salários. Eles foram presos em 12 de agosto.

Segundo os investigadores, Carlos Fernandes do Nascimento apareceu em trocas de mensagens de celular com bandidos negociando a entrega de munições. Ele confessou à polícia que repassava armas e desviadas da core para criminosos. Carlos morreu dias depois de ser preso.

Josemar Alves dos Santos foi apontado como o responsável por manipular os dados das planilhas de controle da polícia para facilitar o desvio.

José Maria Sampaio Filho foi reconhecido por uma testemunha, um outro criminoso, como tendo repassado muitas munições vendidas, material que, de acordo com a investigação, teria sido desviado da Core.

Cleidio Graf Gonçalves Torreiro foi apontado pelas investigações como quem teve a ideia do esquema criminoso e, segundo o inquérito, pode ter usado o dinheiro para comprar uma casa de praia em Enseada dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho, que está no nome de uma das filhas.

Os investigadores encontraram, no e-mail do policial, o contrato de compra e venda da casa e também descobriram que o pagamento foi feito em dinheiro vivo.
No celular de Cleidio, os policiais conseguiram recuperar fotos de armas e anotações sobre quantidades e calibres de munições e o valor que os bandidos deveriam pagar por elas. Segundo o inquérito, é a contabilidade do crime, que reforça a suspeita da venda ilegal de armas.


Os delegados Claudio Castro e Guilherme Caraciolo, responsáveis pela investigação, concluíram que "em virtude da falta de controle e um software onde todo o acervo bélico da polícia pudesse ser relacionado, policiais que trabalhavam diretamente com o acervo, se aproveitaram da facilidade de acesso e falhas na segurança".

Ainda de acordo com a conclusão dos delegados, esses policiais "passaram a desviar armas,munições e acessórios, revendendo esse material de maneira indiscriminada para todo e qualquer tipo de criminoso, integrante ou não de organizações criminosas. uma verdadeira 'Black Friday' de armas, munições e acessórios".

Apesar do inquérito remetido à Justiça, a investigação não acabou. Os delegados ainda não sabem dizer quando o esquema de desvio de armas começou, nem exatamente quantas armas do estado foram parar ilegalmente nas mãos do crime organizado.
Respostas
A defesa de Cleidio Graf, por meio de nota, disse que o processo judicial provará a inocência do ex-comissário e ressaltou, ainda, que ele apresenta um quadro de saúde delicado. Por isso, já foi solicitada a prisão domiciliar, que está sendo analisada.

Um dos advogados de José Maria Sampaio Filho informou que a acusação está baseada no reconhecimento através de fotografias, o que contraria a lei, de acordo com a defesa, que alega ter provas de que não há movimentação financeira incompatível com o salário do acusado, como informa o relatório da investigação.


Carlos Fernandes Nascimento morreu de problemas cardíacos após a prisão e a advogada responsável pela defesa dele, Janaína Eunice, preferiu não se pronunciar. A defesa de Josemar Alves dos Santos não foi localizada.

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