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Mulher morta a tiros ao sair de restaurante no Recife ajudava famílias de presos: 'a gente sabia que ela corria riscos', diz amiga

30.4.21

/ por casinhas agreste

Morte de Emanuelly Carolina, de 33 anos, foi registrada por câmeras, na Encruzilhada, na Zona Norte. Vítima era militante de direitos humanos e fundou grupo para apoiar parentes de detentos.
 G1 PE

A mulher assassinada a tiros ao sair de um restaurante no Recife, na quinta-feira (29), era ativista de direitos humanos e ajudava parentes de presos. A morte de Emanuelly Carolina Barbosa Fragoso, de 33 anos, foi filmada por câmeras de segurança.

“A gente sabia que ela corria riscos por causa da atividade”, afirmou, nesta sexta (30), Wilma Melo, que também atua na área e era amiga da vítima.

O assassinato ocorreu por volta das 14h de quinta, na Rua Inácio Galvão dos Santos, no bairro da Encruzilhada, na Zona Norte da cidade. Vídeos enviados ao G1 mostram dois homens disparando vários tiros em Emanuelly Carolina, que morreu na hora 

Segundo Wilma Melo, presidente do Serviço Ecumênico de Militância nos Presídios (Simpre), mesmo jovem, Carol, como ela era conhecida, era “muito atuante” na área de direitos humanos.




“Ela fundou o Canta Liberdade, um grupo que recebia denúncias pelo WhatsApp de familiares de presos. Atuava com foco na luta dessas pessoas por melhores condições nos presídios. Era uma guerreira”, disse.
Melo lembrou que Emanuelly atuou em uma confusão recente no presídio de Itaquitinga, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. “Há uns dois anos, houve um problema. A gente conversou muito sobre os riscos”, comentou.

Vídeo mostra momento em que uma mulher de 33 anos foi morta a tiros no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp
Vídeo mostra momento em que uma mulher de 33 anos foi morta a tiros no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Nas redes sociais, amigos e colegas lamentaram a morte de Carol. "É com muita dor e indignação que comunicamos o falecimento de Emmanuelly Carolina. Carol era Defensora incansável pelos direitos humanos, era sobrevivente do cárcere e familiar de pessoa privada de liberdade”, escreveu uma pessoa, na página do grupo canta Liberdade.

Na mesma postagem, a pessoa disse que ela era “importante referência da luta antiprisional e contra a tortura no cárcere”. Os amigos postaram as hashtags "Carol Presente!" e "Justiça por Carol".

No Instagram do grupo Canta Liberdade, Carol postou imagens registradas no restaurante onde almoçou, pouco antes de ser assassinada. Na segunda (26), ela publicou um vídeo falando sobre a liberação de visitas de parentes de presos no estado, por causa da pandemia.

Investigação

As câmeras de segurança mostraram que um dos atiradores usava camisa azul, calça jeans e boné. O outro estava encapuzado, com uma camisa e uma bermuda preta.

De acordo com o perito criminal Victor Sá Leitão, do Grupo Especializado de Perícias em Homicídios (GEPH) do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), Emanuelly foi atingida por seis disparos de arma de fogo.

Após o assassinato, os dois homens fugiram em um carro branco, um Fox, e se envolveram em um acidente na Rua Fernando César, também na Encruzilhada.

Veículo utilizado por autores de assassinato passou por perícia — Foto: Reprodução/TV Globo
Veículo utilizado por autores de assassinato passou por perícia — Foto: Reprodução/TV Globo

O veículo foi analisado pelo Instituto de Criminalística (IC) e, nele, foram encontrados uma arma de fogo, um aparelho celular e uma bolsa feminina que estava com o documento da vítima, além de pedaços amassados de papel, como se fossem cartas.


Os textos, escritos à mão, com caneta azul, faziam referências a organizações criminosas que atuam em presídios em todo o Brasil, apontou a perícia. Em um dos pedaços de papel, foi possível observar frases como “agentes destratando familiares de presos” e “estão querendo dominar e matar”.

Pedaços de papel com citações a facções criminosas foram encontradas na bolsa de mulher morta no Recife  — Foto: Reprodução/WhatsApp
Pedaços de papel com citações a facções criminosas foram encontradas na bolsa de mulher morta no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

O delegado João Felipe Furtado, que deu início as investigações, contou que, após o acidente, os criminosos roubaram um Fiat Uno cinza para continuar a fuga, abandonando-o depois no bairro de Dois Unidos, também na Zona Norte do Recife.

Segundo o delegado, a hipótese de latrocínio, que é roubo seguido de morte, não foi descartada, mas afirmou que que outras possibilidades estavam também sendo investigadas.

Nesta sexta, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que o caso foi encaminhado para a 2ª Delegacia de Homicídios, que fica responsável por concluir o inquérito.

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