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Família morre soterrada após desabamento de uma falésia na praia de Pipa no Rio Grande do Norte

21/11/2020

/ por casinhas agreste



Hugo Pereira, Stela Souza e o pequeno Sol, de 7 meses, não passavam uma folga sem aproveitar o mar, a areia e o sol. Apesar disso, os três não tinham costume de frequentar a praia do Centro, em Pipa - um dos principais destinos turísticos do Rio Grande do Norte - onde uma falésia desabou e matou a família de forma trágica, na última terça-feira (17). Isso é o que conta o publicitário Mateus Souza, de 26 anos, irmão de Stela.


"A filosofia de vida deles era essa: a natureza, mar, plantas, sentir a areia, sentir o vento. Então, toda vez que Hugo tinha folga, geralmente nas segundas, nas terças-feiras, eles iam à praia. Sempre. Não tinha uma folga que eles não fossem para a praia", afirmou em entrevista à Inter TV Cabugi. "Mas eles não iam para essa parte da praia. Eles sempre iam para praia do Amor, para a praia das Minas, nunca iam (para a praia do Centro)", acrescentou.
Segundo Mateus, a família estava feliz e vivia sua melhor fase. Hugo estava em um processo de ascensão profissional e havia sido contratado há poucos meses como gerente de um grande hotel. Ainda assim, mantinha uma simplicidade singular. Stela também estava feliz. De acordo com o irmão, ela vinha conseguindo conciliar os estudos, os cuidados com o bebê, o trabalho em home office e a casa. "Todos se cuidavam".


Os três estavam morando em um hostel da família da mulher. Os familiares ajudavam com os cuidados da criança, enquanto a mãe estava ocupada com trabalho ou estudos. Sol alegrava a todos com seu sorriso pela manhã, lembra Mateus. No dia em que o deslizamento aconteceu, Stela e Hugo tomaram café da manhã com os pais dela e saíram com a criança para aproveitar a folga.


"Ninguém esperava que isso fosse acontecer. O que nos conforta é que eles estavam no lugar que eles queriam, do jeito que eles queriam, vivendo como queriam. Era a vida deles", contou Mateus.


Mateus Souza, 26 anos, conta que família morta em tragédia na praia da Pipa vivia melhor fase da vida. — Foto: Reprodução/Inter TV Cabugi


Uma frase que me conforta muito, que minha namorada disse, é que a mãe natureza jogou a mão de terra neles e os puxou. 'Vocês não têm mais que ficar aqui nesse plano, porque já fizeram sua missão. E não pode ser um ou dois. Tem que ser os três, porque os três têm que ficar juntos sempre'
— Mateus Souza, irmão de Stela


O jovem que perdeu, a irmã, o sobrinho e o cunhado, contou que já havia tomado banho de mar na área afetada pelo desabamento e disse que foi alertado sobre o risco.


"Um morador passou por nós e falou: 'não fica ai que pode cair esse paredão'. E eu e minha namorada tomamos banho de mar e saímos do local. E realmente lá eu percebi que tinha rachadura, mas ninguém espera que a coisa caia e do jeito que caiu", contou.


A família cobra "sensibilidade" e mais "comprometimento" das autoridades em aumentar a fiscalização e orientação aos frequentadores da praia sobre o risco de deslizamentos.





Emergência




A Prefeitura de Tibau do Sul decretou situação de emergência nesta sexta-feira (20), após o desabamento. O decreto tem validade de 90 dias. De acordo com o documento, a área da praia foi afetada por um desastre natural geológico "por movimento de massa com deslizamento de solo /ou rocha".


Já o Governo do Rio Grande do Norte anunciou na noite da quinta-feira (19) que vai criar uma força-tarefa para auxiliar o município de Tibau do Sul na fiscalização das áreas interditadas temporariamente nas falésias de Pipa.


O Poder Executivo também garantiu instalar a estrutura para o isolamento da orla, no trecho do Centro de Pipa até à Praia do Madeiro, no intuito de proteger banhistas e comerciantes. As faixas colocadas até agora, na parte de baixo da areia, acabam sendo levadas pela maré cheia e são recolocadas pelo município.


Farão parte da equipe que auxiliará na fiscalização da área agentes da força de segurança e de órgãos ambientais.


Equipe da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil concorda com interdição no trecho — Foto: Emilly Virgílio/Inter TV Cabugi



Na tarde de quinta (19), a equipe da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil esteve no trecho da falésia que desabou ao lado de equipes da Defesa Civil do RN e do Idema para vistoria do local.


Segundo o órgão nacional, a medida atual de interdição é a melhor alternativa a curto prazo. Outras atuações serão pensadas após estudo das áreas. O trecho foi interditado um dia após o acidente pela Prefeitura de Tibau do Sul.


A equipe coletou amostras das falésias para análises que podem ser usadas para decisões futuras no trecho. O geólogo explicou que qualquer medida de proteção a médio ou longo prazo na região depende de um estudo mais aprofundado.


Os trabalhos também são acompanhado pelo Ministério Público Federal.


Ao todo, 10 estabelecimentos já foram notificados e fechados temporariamente na praia — Foto: Julianne Barreto/Inter TV Cabugi

Família morreu soterrada

O desabamento de uma falésia causou a morte de Hugo Pereira, de 32 anos, Stela Souza, de 33, do filho do casal, Sol Souza Pereira, que tinha 7 meses de vida, e do cachorro da família.


Parte de falésia desaba e deixa 3 mortos de uma mesma família em Pipa — Foto: Arquivo pessoal


Uma das vítimas, Hugo Pereira, de 32 anos, era gerente de recepção no hotel Sunbay. Ele é natural de Jundiaí, no interior de São Paulo, e morava havia alguns anos em Pipa. Em 2017, o G1 contou a história de Hugo, que tinha rodado 14 mil quilômetros com uma cadelinha.


Testemunhas relataram que eles estavam sentados próximos à falésia, quando houve o desabamento. Stela ainda chegou a tentar salvar o filho e o abraçou antes da queda. A família foi velada e sepultada na quarta-feira (18) sob forte comoção, em Pipa.

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