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834 presos fugiram em rebeliões em São Paulo

17/03/2020

/ por casinhas agreste
834 presos fugiram em rebeliões em SP e 429 foram recapturados após Justiça suspender saída por causa de coronavírus

Por G1 SP, TV Globo e Gnews — São Paulo

Pelo menos 834 presos fugiram de quatro unidades prisionais do estado de São Paulo durante rebeliões, na segunda-feira (16), contra decisão da Justiça em suspender a saída temporária de mais de 34 mil detentos para evitar risco de contágio pelo coronavírus. Um quinto presídio teve princípio de rebelião, mas não fuga. Até as 8h55 desta terça-feira (17), 429 presos tinham sido recapturados, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Vídeos que circulam entre policiais mostram as confusões nos presídios (veja nesta reportagem).




Os dados foram divulgados nesta manhã pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O número de presos que fugiram deve aumentar, já que a pasta ainda contabilizada o total de fugitivos.

Todos os presos que participaram das rebeliões das unidades em Mongaguá, Porto Feliz, Tremembé, Mirandópolis e Sumaré são do regime semiaberto. Nesta terça-feira (17) estava prevista a saída temporária deles para passar a Páscoa com suas famílias. Os fugitivos, que já trabalham durante o dia e retornavam à noite para os presídios, voltariam às suas unidades em 23 de março.

Mas, diante do aumento do número de casos de coronavírus, a SAP decidiu pediu a Justiça que essa saída fosse barrada para evitar que os presos saíssem e voltassem infectados, contaminando assim outros detentos.

"Nós temos que diminuir a contaminação dessa população [carcerária] por coronavírus", disse Nivaldo Restivo, secretário da Administração Penitenciária (SAP), na manhã desta terça-feira (17) à TV Globo.

Mongaguá
Preso grava fuga de detentos de dentro de presídio em Mongaguá, SP — Foto: G1 SantosPreso grava fuga de detentos de dentro de presídio em Mongaguá, SP — Foto: G1 Santos
Preso grava fuga de detentos de dentro de presídio em Mongaguá, SP — Foto: G1 Santos

No Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Mongaguá, no litoral paulista, 577 presos fugiram durante a rebelião e 172 foram recapturados. Nove agentes penitenciários foram mantidos reféns, mas todos foram liberados sem ferimentos pelos detentos. Nenhum preso ficou ferido.

Parentes dos presos disseram à reportagem que não há água, que a comida está estragada e tem percevejos. Reclamam da superlotação. A capacidade do CPP é de 1.700 detentos, mas tem cerca de 2.800.

Porto Feliz
Penitenciária de Porto Feliz registra rebelião e fuga de presos em massa

Em Porto Feliz, interior paulista, 178 presos que fugiram do Centro de Progressão Penitenciária (CPP) durante a rebelião foram recapturados. A SAP não divulgou o número total de fugas nesta unidade. Segundo a pasta, não há informações de reféns e feridos.

Durante a fuga, detentos colocaram fogo num canavial próximo a unidade prisional. Outros incendiaram colchões e danificaram a unidade. Há relatos de bombas e tiros usados por policiais e agentes prisionais para conter o tumulto. Parentes dos presos foram ao local em busca de informações. O CPP abrigava quase 2 mil presos do regime semi aberto.

Tremembé
Detentos fazem rebelião no Pemano em Tremembé — Foto: Luiz Big/ TV VanguardaDetentos fazem rebelião no Pemano em Tremembé — Foto: Luiz Big/ TV Vanguarda
Detentos fazem rebelião no Pemano em Tremembé — Foto: Luiz Big/ TV Vanguarda

Em Tremembé, interior de São Paulo, 75 presos que fugiram do presídio Doutor Edgar Magalhães Noronha, conhecido como Pemano, durante a rebelião, foram recapturados. A SAP não informou o total de fugas nesta unidade. A pasta informou que não foram feitos reféns e nem tiveram feridos no presídio.

Mirandópolis
Penitenciária registra rebelião de presos em Mirandópolis

Na Penitenciária de Mirandópolis não teve fuga, segundo a SAP. Apesar disso, nove detentos ficaram feridos durante a rebelião, sendo dois deles em estado grave por briga interna entre os presos. Não há registro de agente penitenciário ferido ou mantido refém.

Os presos queimaram colchões durante a rebelião.

Sumaré
A SAP não considerou o que correu no Centro de Ressocialização (CR) de Sumaré como uma rebelião. De acordo com a pasta o que ocorreu lá foi um caso pontual de uma agente penitenciário que foi mantido refém, mas depois foi liberado pelos presos. Apesar disso, quatro detentos fugiram na confusão, mas foram recapturados à noite.

O local tem 218 presos em regime semiaberto. A capacidade é para 223 pessoas.

Hortolândia
No CDP de Hortolândia, presos também teriam se recusado a entrar nas celas, como ocorreu em Sumaré, mas de acordo com o sindicato dos agentes penitenciários, a situação foi controlada.

O que diz
"Tivemos problemas graves em quatro unidades. Todas elas que abrigam presos do regime semiaberto", disse Nivaldo Restivo, secretário da Administração Penitenciária. "Que é aquele preso que tem a possibilidade de sair para trabalhar durante o dia e retornar ao cárcere à noite. São aqueles presos que, por lei, tem direito à saídas temporárias, cinco vezes ao ano, no máximo de 35 dias".

Pelo menos cinco presídios registram rebeliões com fuga de presos em São Paulo

Em nota emitida no final da noite de segunda, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) informou que a situação estava "controlada nos Centros de Progressão Penitenciária de Mongaguá, Tremembé e Porto Feliz, além da ala de semiaberto da Penitenciária II de Mirandópolis, onde houve evasão de presos e ato de insubordinação". "O Grupo de Intervenção Rápida controlou a situação nos presídios de forma imediata", diz o comunicado.

A nota informou ainda que "até as 22h30, 174 presos foram recapturados pela Polícia Militar com apoio de agentes de segurança penitenciária. A SAP realiza a contagem para determinar o número exato de fugitivos".

Em outra nota, divulgada na tarde de segunda, a SAP informou que "a medida [de suspender as saídas temporárias] foi necessária pois o benefício contemplaria mais de 34 mil sentenciados do regime semiaberto que, retornando ao cárcere, teriam elevado potencial para instalar e propagar o coronavírus em uma população vulnerável, gerando riscos à saúde de servidores e de custodiados."

Restrição de circulação
Na quinta-feira (12), órgãos públicos cujas sedes estão instaladas na cidade de São Paulo implementaram restrições à entrada e à circulação de pessoas como forma de contenção e prevenção de infecções por coronavírus.

Nesta segunda, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu suspender audiências consideradas não urgentes e vetou a presença do público em julgamentos e em fóruns para evitar o contágio do coronavírus. A recomendação é que só sejam atendidos casos considerados urgentes.

São considerados casos urgentes em audiências aqueles que envolvem réus presos, menores infratores e alguns casos da área de família.

A Superintendência da Polícia Federal em São Paulo suspendeu as visitas às pessoas custodiadas na sede da PF.

As medidas de segurança para prevenir o contágio pela doença foram anunciadas na sexta (13) e sábado (14) pelo Tribunal de Justiça. As recomendações seguem as orientações divulgadas pelo Conselho Superior de Magistratura.09:24 17/03/2020


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