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Pernambuco está no rumo da educação do futuro

02/05/2019

/ por casinhas agreste

Especialista alerta que o Brasil está na 66ª posição mundial com relação à matemática e ciências, mas ressalta que Pernambuco e o Recife têm caminhado na direção correta
Folha PE
No Recife, a Prefeitura inaugurou o quarto laboratório de robótica do ano, no bairro do Coque
Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR
Os professores brasileiros ainda não conseguiram o sucesso no ensino tradicional do século 20 e já precisam pensar em como educar para o século 21. Isso porque os alunos da atualidade terão que competir com a inteligência artificial no mercado de trabalho do futuro. Uma reflexão sobre o problema e as alternativas para resolvê-lo, colhidas em viagens por todo o planeta, foram trazidas pela ex-diretora global de Educação do Banco Mundial, Cláudia Costin, em palestra da Plataforma de Educação SAS realizada no Recife. 

Costin conta que, de 70 nações analisadas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil figura na 66ª posição em matemática e ciências. Em 59ª em leitura e interpretação de texto. A boa notícia é que, apesar de um déficit nacional no aprendizado de competências simples, Pernambuco e o Recife, especificamente, têm dado passos no caminho correto na educação do futuro. No Estado, a mudança mais importante ocorre no Ensino de Referência em Ensino Médio (Erem).
“Os Erems tentam dar protagonismo ao aluno e isso faz com que ele se sinta inserido na atividade escolar e participe do processo, tenha ideias, pense fora da caixa. Isso ocorre quando você ensina que o aluno é portador de um sonho e que a escola é um instrumento para alcançar esse sonho. O aluno que obedece cegamente está no mesmo patamar que as máquinas, faz apenas o que mandam”, analisa Costin. 

“O programa pernambucano é moderno e, por isso mesmo, já foi copiado para outros estados, como Espírito Santo e Ceará.” De acordo com o diretor executivo de Tecnologia na Educação da Prefeitura do Recife, Francisco Luiz dos Santos, a robótica não é válida por si só, apenas pela criação de robôs. Ela ajuda na criação várias habilidades, desde o trabalho em grupo até a familiaridade com a mecânica fina e a eletrônica. 

Na última sexta-feira (26), a gestão municipal inaugurou o quarto laboratório de robótica do ano, no Coque. “Também temos um espaço maker com impressora 3D que os alunos poderão utilizar com a monitoria de quatro universitários de cursos de exatas. Eles podem resolver problemas individuais e da comunidade.” Para tentar formar alunos cada vez mais diferentes de máquinas, o colégio Dom, em Olinda, investe na capacitação de habilidades socioemocionais. 

“A nova Base Nacional Comum Curricular exige esse trabalho. Mas, há dois anos, já temos o Laboratório de Inteligência de Vida (LIV), onde trabalhamos, a partir de vivências, a inteligência socioemocional”, explica o diretor pedagógico da escola, Arnaldo Mendonça. “Não dá mais para se contentar com escola conteudista. O aluno precisa ter habilidade de vida desenvolvidas e a escola pode e deve trabalhar isso. Assim, esse será o século do humano. As máquinas serão nossas ferramentas.” 

A capacitação do mestre também precisa avançar
Se já começamos a atentar para o futuro, ainda há muitas pendências na educação brasileira, de acordo com Cláudia Costin, que perpassam, principalmente, pela formação dos professores. “Há dois desafios principais para uma educação de qualidade no Brasil: a valorização da carreira de professor e a profissionalização da graduação em pedagogia. A graduação é muito divorciada da realidade. O médico tem o hospital universitário desde o primeiro período. Professores realizam cirurgias e anamneses assistidas pelos alunos. Em pedagogia, os alunos são jogados no mercado de trabalho sem ver a prática acontecendo.” 

A palestrante lembrou o caso da Coréia do Sul, em que professores são assistidos por uma junta de outros professores que lhe dão um feedback sobre sua atuação. A Finlândia, país com muito menos desigualdade que o Brasil, mas que também passou por uma mudança radical na educação, também é citada por Cláudia quando a profissionalização da graduação é trazida à tona. “A mudança começou neste momento. Mas, a Finlândia também pode ensinar aos outros sistemas seu grande trunfo: a autonomia dos docentes. Há base curricular e livros didáticos definidos pelo Ministério da Educação, mas, dentro disso, o professor está livre para realizar seu trabalho.” 

A fragmentação dos contratos está relacionada com a atratividade da carreira de professor. “Se ele precisa dar 16 horas de aula por dia em mais de uma escola, acaba-se a possibilidade de criar um corpo docente unido que pense junto o desenvolvimento do ensino naquela escola. Um salário satisfatório e exclusividade do profissional a determinada escola pode melhorar muito a qualidade da educação. Atualmente, 2,9% dos alunos querem ser professores”, ressalta. 

O número indica que muitos que estão se tornando professores não o desejam verdadeiramente, assim como que os bons professores em potencial estão migrando para áreas mais valorizadas, o que influencia na qualidade do ensino. “Quando admiram o mestre, é por pena, pelo que ele sofre para fazer o seu trabalho. Professor não é para ter pena. É um profissional que demanda perícia.”

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