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O pernambucano Bruno Araújo é o novo presidente nacional do PSDB

31/05/2019

/ por casinhas agreste
 Paullo Allmeida/Folha de Pernambuco
Carolina Linhares e Daniel Carvalho

O ex-deputado federal e ex-ministro Bruno Araújo (PE), 47, foi eleito presidente nacional do PSDB nesta sexta-feira (31) para colocar em prática as diretrizes do novo PSDB engendrado pelo governador de São Paulo, João Doria, principal líder do partido.

Doria, que constrói uma candidatura ao Planalto em 2022, foi recebido pela militância aos gritos de "Brasil pra frente, Doria presidente". Chegou acompanhado do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), de quem se tornou aliado na articulação para aprovação da reforma da Previdência.

Araújo sucede o ex-governador Geraldo Alckmin no comando do PSDB e foi eleito em chapa única, sem concorrência. Não porque todos os tucanos concordem com os rumos ditados por Doria, que prega renovação, mas porque caciques fundadores da sigla não conseguiram viabilizar um nome competitivo.

A tensão entre a velha guarda tucana e aliados de Doria ficou evidente na convenção, por meio de discursos e de uma briga. Dois grupos da juventude do partido, um ligado ao governador paulista e outro ligado e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, trocaram agressões físicas.

A confusão começou quando o grupo de Doria vaiou a nova presidente da juventude tucana, Júlia Jereissati, sobrinha do senador Tasso Jereissati (CE) e representante do grupo opositor. Até o presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, que foi indicado por Doria, se envolveu no bate-boca.

Aliados de Doria estavam vestidos com camiseta amarela e boné azul, onde se lia "novo PSDB".

Já o grupo próximo a Alckmin questionava se a alegada renovação era real. 

Questionavam, em tom de brincadeira, se os "cabeças-pretas" não eram apenas cabelos brancos tingidos.

No entanto, a ala alckmista não se furtou a fazer autocrítica. Em rodas de conversas pelo salão, aliados reconheceram o tamanho da derrota na disputa eleitoral do ano passado e a perda de espaço no lado direito do espectro político para o presidente Bolsonaro.

"Sentimento de dever cumprido", disse Alckmin ao chegar à convenção. Questionado sobre seu sucessor, se comprometeu a ajudá-lo. "Bruno é um bom quadro, preparado, animado. Vai fazer um bom trabalho e vamos ajudá-lo", afirmou.

"É um processo de renovação natural e, ao mesmo tempo, com responsabilidade de respeitar o passado e construir o futuro", disse o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, um dos jovens quadros do partido.

Jereissati disse que a transição é importante e representa a superação de "um período difícil". "Renovar não é só idade, é ideias. Cabeça nova, hábitos, comportamento político. Tem muita gente nova. Muita gente boa, que tem condições de levar o partido no seu rumo verdadeiro", afirmou.

Sobre a reaproximação com DEM e MDB, representados, respectivamente, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e pelo presidente nacional da segunda sigla, Romero Jucá (RR), disse entender que é algo necessário.

"Estamos vivendo em um momento de extremos. Extrema-direita de um lado, extremamente radicalizada, intransigente e intolerante, e a mesma coisa na esquerda. E a grande maioria silenciosa brasileira não está em nenhuma dessas extremidades e precisa de um grupo político que os represente", disse Jereissati.

Rompido com Alckmin na eleição passada, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), pregou que "o PSDB não pode ter dono", "tem que redefinir identidade" e defendeu o parlamentarismo, momento em que foi aplaudido.

O prefeito disse que o PSDB não é mais o partido que polariza e cobrou "que nunca mais se realize eleição para presidente da República sem prévias duras" e fez autocríticas.

"Que saiam daqui notícias das vaias, das divergências, mas que tem um jovem de valor que assume a presidência do PSDB", disse Virgílio.

A convenção nacional que elegeu a nova direção do PSDB foi mais modesta que as anteriores. O evento tucano foi realizado no mesmo centro onde Alckmin lançou sua candidatura à Presidência da República no ano passado, mas dessa vez não ocupou o salão principal, reservado a um congresso médico de catarata.

Os filiados se reuniram em um salão no subsolo, contíguo à garagem. O público se aglomerou à frente do palco e sobraram cadeiras vazias ao fundo.

NOVO PSDB

Ao falar sobre o futuro do partido, que sofreu derrotas expressivas na eleição de 2018, Doria defende cabeças-pretas, como são conhecidos os tucanos jovens, em cargos de direção.

Também pede rigor contra os investigados por corrupção, como Aécio Neves (MG), Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO) -nos bastidores, aliados do governador paulista falam em tirar esses nomes da sigla.

Outra bandeira de Doria é acabar com o viés de esquerda do partido fundado por progressistas e que leva a social-democracia no nome.

Na semana passada, Doria chegou a afirmar que quem não concorde com seu novo PSDB deve pedir pra sair. Fez o mesmo apelo aos enrolados em escândalos de corrupção.

O novo presidente do PSDB, assim como Doria, afirma que o partido será de centro -rejeitando o que consideram extrema esquerda e extrema direita. Ambos, no entanto, colaram suas campanhas no ano passado a Jair Bolsonaro (PSL), para surfar na onda conservadora que elegeu o presidente da República.

Araújo, porém, não conseguiu se eleger senador por Pernambuco. O ex-ministro das Cidades na gestão Michel Temer (MDB) foi deputado federal por três mandatos seguidos desde 2006. 

Em Pernambuco, Araújo é conhecido como um político tradicional, pragmático e habilidoso nos bastidores. No ano passado, chegou a elogiar o ex-presidente Lula (PT), classificando o petista, cuja popularidade é alta no Nordeste, de "presidente excepcional".

Em 2015, ganhou holofote nacional ao proferir o voto que sacramentou, na Câmara dos Deputados, a admissibilidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Araújo é advogado e filho do ex-deputado estadual Eduardo Araújo. Em 1998, aos 26 anos, foi eleito pelo PSDB o deputado estadual mais jovem de Pernambuco.

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