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MULTIDÃO: Manifestantes protestam no Recife contra bloqueio de verbas na educação

15/05/2019

/ por casinhas agreste

Ato reúne 50 mil pessoas, segundo o Sintepe, um dos organizadores da manifestação. Polícia Militar não divulga estimativa de público em protestos.
Por Edilson Segundo, G1 PE
Manifestantes protestam no Recife contra bloqueio de verbas na educação
Edilson Segundo/G1
Manifestação contra bloqueio de verbas na educação é realizada no Centro do Recife
Centenas de manifestantes protestam na Rua da Aurora, no Centro do Recife, contra o bloqueio de verbas para universidades e institutos federais feito pelo Ministério da Educação (MEC) na tarde desta quarta-feira (15). Representantes de sindicatos, associações, movimento estudantil, movimento social e sociedade civil reúnem-se em frente ao Ginásio Pernambucano. (Veja vídeo acima)

Mais de 40 instituições participam da manifestação. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), uma das entidades que organizam o protesto, 50 mil pessoas estão presentes no ato. A Polícia Militar não divulga estimativa de público em manifestações.
Estudantes do Recife seguram cartazes no ato contra o corte de verbas na educação — Foto: Edilson Segundo/G1

A passeata pelas ruas da área central da capital pernambucana teve início às 16h45. O trajeto da caminhada inclui vias como a Rua João Lira, Rua dos Palmares, Avenida Cruz Cabugá, Rua do Hospício, Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Guararapes, Avenida Dantas Barreto e Pátio do Carmo.


Em abril, o MEC divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

Ginásio Pernambucano, no Centro do Recife, foi ponto de concentração para manifestação contra o corte de verbas na educação — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press Ginásio Pernambucano, no Centro do Recife, foi ponto de concentração para manifestação contra o corte de verbas na educação — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press
Ginásio Pernambucano, no Centro do Recife, foi ponto de concentração para manifestação contra o corte de verbas na educação — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Manifestantes protestam na Rua da Aurora, no Centro do Recife, contra bloqueio de verbas na educação — Foto: Danielle Fonseca/TV Globo Manifestantes protestam na Rua da Aurora, no Centro do Recife, contra bloqueio de verbas na educação — Foto: Danielle Fonseca/TV Globo
Manifestantes protestam na Rua da Aurora, no Centro do Recife, contra bloqueio de verbas na educação — Foto: Danielle Fonseca/TV Globo


O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anísio Teixeira, afirma que, se o bloqueio de verbas for mantido, a única alternativa para a instituição de ensino é fechar as portas.

“O recurso que temos hoje dá para manter os custos da universidade até setembro. As perdas para a sociedade são grandes”, diz.

Protesto contra cortes na educação é realizado no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo Protesto contra cortes na educação é realizado no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
Protesto contra cortes na educação é realizado no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Estudantes de universidades particulares também participam do ato. É o caso de Wilson Anjos, de 31 anos, que cursa biologia na Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire). “Tive redução do tempo de projeto por causa dos cortes na bolsa do Capes. Vou procurar outras bolsas, outros estágios para poder me sustentar”, diz.

Mesmo quem ainda não é universitário participa do ato. O aluno da Escola Estadual Tomé Gibson, na Guabiraba, no Recife, Emanoel Estorlando, quer fazer artes cênicas e se solidariza com os participantes da manifestação. “Sou a favor da educação. Ela é a base do conhecimento, da nossa construção”, diz.

Mesmo sem ser universitário, o estudante Emanoel Estorlando se solidariza com os participantes da manifestação no Recife — Foto: Edilson Segundo/G1 Mesmo sem ser universitário, o estudante Emanoel Estorlando se solidariza com os participantes da manifestação no Recife — Foto: Edilson Segundo/G1
Mesmo sem ser universitário, o estudante Emanoel Estorlando se solidariza com os participantes da manifestação no Recife — Foto: Edilson Segundo/G1


De acordo com o Sintepe, a luta pela educação pública de qualidade une as instituições na mobilização.

“Sabemos que precisa melhorar. Não podemos dizer que a educação pública é de má qualidade. Os profissionais se desdobram para manter a qualidade. Cabe ao governo federal mandar mais recursos, e não retirar”, diz a secretária de comunicação do Sintepe, Vânia Albuquerque, professora há 33 anos.

Projeções foram feitas na fachada da Igreja do Carmo durante protesto no Centro do Recife — Foto: Edilson Segundo/G1 Projeções foram feitas na fachada da Igreja do Carmo durante protesto no Centro do Recife — Foto: Edilson Segundo/G1
Projeções foram feitas na fachada da Igreja do Carmo durante protesto no Centro do Recife — Foto: Edilson Segundo/G1

A passeata chegou, às 18h30, ao Pátio do Carmo, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife, onde os manifestantes ouviram os discursos de militantes e sindicalistas.

O nome do educador Paulo Freire foi projetado na fachada da Igreja do Carmo, assim como a frase “Greve nacional de educação”. No local, participantes do ato também dançaram ciranda.

Reação
Em ato no Recife contra o corte de verbas na educação, manifestantes seguram cartazes com resposta à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira nos Estados Unidos — Foto: Reprodução/WhatsApp Em ato no Recife contra o corte de verbas na educação, manifestantes seguram cartazes com resposta à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira nos Estados Unidos — Foto: Reprodução/WhatsApp
Em ato no Recife contra o corte de verbas na educação, manifestantes seguram cartazes com resposta à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira nos Estados Unidos — Foto: Reprodução/WhatsApp


Durante a manifestação, estudantes seguram cartazes com respostas à fala de Jair Bolsonaro. O presidente, que está em viagem nos EUA, afirmou que realizou um bloqueio de verbas na educação porque precisou fazer isso e não porque gostaria, mas chamou os manifestantes de "uns idiotas úteis, uns imbecis", "massa de manobra" e que "não têm nada na cabeça".

No centro do Recife, manifestantes respondem à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira (15), nos EUA, com dizeres em cartazes — Foto: Pedro Alves/G1 No centro do Recife, manifestantes respondem à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira (15), nos EUA, com dizeres em cartazes — Foto: Pedro Alves/G1
No centro do Recife, manifestantes respondem à declaração que o presidente Jair Bolsonaro deu nesta quarta-feira (15), nos EUA, com dizeres em cartazes — Foto: Pedro Alves/G1

A professora da rede estadual Queite Diniz, de 43 anos, participa da manifestação com a filha de 16 anos e segura um cartaz criticando o discurso de Jair Bolsonaro. “O presidente teve uma postura imatura. Ele passa insegurança diante da instabilidade que vive o país”, diz.

Ato contra bloqueio de verbas na educação reúne manifestantes no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo Ato contra bloqueio de verbas na educação reúne manifestantes no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
Ato contra bloqueio de verbas na educação reúne manifestantes no Centro do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Escolas fechadas
Parte das escolas públicas não tiveram aula pela manhã, assim como unidades do Instituto Federal de Educação (IFPE). Durante o dia de paralisação, professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ofereceram serviços como aferição de pressão e glicose e orientação sobre alongamento, na Zona Oeste do Recife.

De acordo com a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, 53% das escolas da rede estadual aderiram à mobilização. "A pasta reforça que as escolas que deixaram de funcionar por causa desse ato farão um cronograma de reposição de aula para que não haja prejuízo ao calendário letivo", diz o governo estadual no texto.

Estudantes protestam contra bloqueios nas verbas das instituições federais de ensino

Das 309 escolas municipais do Recife, 112 não abriram nesta quarta (15), enquanto outras 188 funcionaram parcialmente, segundo a Secretaria de Educação da cidade. Cinco funcionaram normalmente e com quatro a secretaria não conseguiu contato. 

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