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Criminosos atacam estação ambiental, rádio e Câmara dos Vereadores no 6º dia de violência no Ceará

07/01/2019

/ por casinhas agreste
Desde quarta-feira, pelo menos 120 ataques ocorreram no Ceará. Membros de facções criminosas que estão presos no Ceará serão transferidos para presídios federais.
Por G1 CE

Bandidos realizam ataques no Ceará pela 5ª noite seguida


Criminosos voltaram a cometer ataques no Ceará no sexto dia seguido de uma onda de violência que atinge o estado desde quarta-feira (2). Bandidos incendiaram uma ambulância em Reriutaba, uma loja de móveis em Fortaleza e atacaram uma rádio e a Câmara dos Vereadores da cidade de Icó, na madrugada desta segunda-feira (7). Em todo estado, são pelo menos 120 ações criminosas desde o início da onda de violência. A Força Nacional chegou ao estado na sexta-feira e começou a atuar nas ruas na noite de sábado (5).

Ataques no Ceará: o que se sabe e o que falta saber
Em resposta aos crimes, o Governo do Ceará informou que transferiu um dos chefes de uma facção criminosa do Ceará para um presídio federal. Outros 19 detentos também devem ser levados para outras unidades prisionais nos próximos dias. (veja a lista dos ataques abaixo)

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 110 pessoas suspeitas de participação nos crimes foram capturadas, e dois homens morreram em confronto com policiais. Pelo menos 60 prisões ocorreram após a chegada de tropas da Força Nacional ao Ceará.

O Governo Federal ofereceu 60 vagas em presídios federais para receber integrantes de facções criminosas que atuam no estado do Ceará. Atualmente, algumas unidades prisionais do estado têm presos separados de acordo com os grupos criminosos que participam.

Motivação
A Secretaria da Segurança e Defesa Social do Ceará não se pronunciou oficialmente sobre o motivo dos ataques no estado.

A sequência de ataques ocorreu após a fala do novo secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, que prometeu fiscalizar com mais rigor a entrada de celulares nos presídios, segundo o governo. Desde o início da onda de crimes, agentes penitenciários apreenderam 407 celulares em presídios de onde foram ordenados os crimes. Em uma das ações, os presos fizeram um motim.


O presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará, Cláudio Justa, afirmou que os atentados são uma represália a essa fala do novo secretário de Administração Penitenciária.

De acordo com uma fonte do Serviço de Inteligência da Secretaria da Segurança ouvida pelo G1, membros de duas facções rivais fizeram um "pacto de união", com o objetivo de "concentrar as forças contra o Estado". Em pixações em prédios públicos de Fortaleza, criminosos escreveram que "não vão parar até o secretário sair". "Fora Mauro Albuquerque", diz a mensagem.

Ceará registra ataques após atuação da Força Nacional

Ataques na madrugada
Os criminosos incendiaram, na madrugada desta uma embarcação do Corpo de Bombeiros foi destruída em um incêndio na Barra do Ceará, na capital, porém os bombeiros não confirmaram se o caso está relacionando à onda de ataques no Estado.

A estação ambiental incendiada fica localizada na Praia de Requenguela, no município de Icapuí. O incêndio no local teve início por volta das 23h. De acordo com a Polícia Militar, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionados para conter as chamas. Na estação ambiental atingida eram desenvolvidos projetos sociais que incentivavam a economia sustentável por meio da produção local de produtos com matéria-prima da região.

Em Fortaleza, por volta de 1h desta segunda-feira (7), o alvo foi uma oficina mecânica que presta serviços para a Enel, empresa responsável pelo fornecimento de energia. Dois veículos foram destruídos pelas chamas. O fogo foi contido pelo proprietário do local com a ajuda de vizinhos.


Celulares nos presídios
De acordo com o secretário Mauro Albuquerque, o controle da entrada de celulares será "uma das medidas" adotadas na gestão dele como secretário de Administração Penitenciária, cargo criado no segundo mandato do governador do Ceará, Camilo Santana, em 1º de janeiro deste ano. "É uma das medidas, mas não a única. Investir nos equipamentos que impeçam a entrada de objetos é um trabalho mais importante e que vamos aprimorar aqui", afirmo Mauro.

"O crime hoje está organizado nacionalmente, para além das divisas. Então não adianta uma unidade possuir o bloqueio [de sinal de celular] e as demais, não. Iniciativas como o Sistema Único de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário são importantes para essa nacionalização das medidas", disse.

Reforço policial
Força Nacional começa a atuar nas ruas de Fortaleza — Foto: Camila Lima/SVM Força Nacional começa a atuar nas ruas de Fortaleza — Foto: Camila Lima/SVM
Força Nacional começa a atuar nas ruas de Fortaleza — Foto: Camila Lima/SVM

Desde a quinta-feira, as equipes de segurança do Ceará receberam vários reforços: 300 membros da Força Nacional, 100 policiais militares da Bahia e 50 policiais rodoviárias federais.

As equipes da Força Nacional atuam principalmente em blitze, já que a maior parte dos criminosos usam carros para ir aos locais do crime e em seguida para fugir, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública do Ceará.

As equipes foram pelo menos 20 blitze simutâneas em "vias estratégicas" de Fortaleza e cidades da Região Metropolitana, que concentram cerca de 80% dos ataques no estado.


Já os policiais baianos que chegaram neste domingo ao Ceará para ajudar no combate ao crime atuam no interior do estado.


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