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Documentos apreendidos pela PF indicam pagamentos feitos e recebidos por investigados da Operação Torrentes


Nas planilhas encontradas pela Polícia Federal, obtidas com exclusividade pela TV Globo, constam pagamentos de Ricardo Padilha com indicações para os nomes de oficiais militares que cumprem medidas cautelares.
Por Bruno Fontes, TV Globo
Nove pessoas investigadas na Operação Torrentes voltam para a cadeia
Nos documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) na empresa de alimentos FJW, do empresário Ricardo Padilha, um dos presos na Operação Torrentes, há indícios de pagamentos que podem ter sido feitos a Fábio de Alcântara Rosendo e Laurinaldo Félix do Nascimento. Os dois são oficiais da Polícia Militar que também foram alvos da operação responsável por investigar irregularidades em projetos de reestruturação de cidades da Zona da Mata Sul de Pernambuco atingidas por enchentes em 2010 e em 2017. (Veja vídeo acima)
As planilhas, acessadas com exclusividade pela TV Globo, foram encontradas em um computador de Padilha, em uma casa na Rua Hélio Falcão, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Os documentos mostram que o empresário teria feito cinco pagamentos em 2013, identificados como “Projeto Casa Militar”.
O primeiro deles, em 29 de janeiro, foi de R$ 45 mil. O segundo, de mesmo valor, foi efetuado no dia 26 de fevereiro. O terceiro pagamento, equivalente a R$ 40 mil, foi realizado em 22 de abril. No dia 24 de maio, foi feito o quarto pagamento, de R$ 15 mil. O quinto pagamento, de R$ 10 mil, foi registrado no dia 6 de junho.
TV Globo teve acesso a documentos apreendidos pela PF na Operação Torrentes (Foto: Reprodução/TV Globo) TV Globo teve acesso a documentos apreendidos pela PF na Operação Torrentes (Foto: Reprodução/TV Globo)
TV Globo teve acesso a documentos apreendidos pela PF na Operação Torrentes (Foto: Reprodução/TV Globo)
Na planilha, também está relacionado um pagamento de R$ 10.549,00, no dia 9 de janeiro de 2013. Ao lado, há a indicação do nome “Rosendo”. Um segundo pagamento com a mesma indicação teria sido feito no dia 8 de fevereiro do mesmo ano, no valor de R$ 31.200,00, para quitar um boleto bancário encontrado pela PF no mesmo computador do empresário.
Durante as buscas, a Polícia Federal também encontrou um terceiro documento, no qual consta um pagamento feito em 4 de março de 2011, no valor de R$ 22.600,00, para Laurinaldo Félix do Nascimento. Em 2010, ele era coronel da PM e ocupava o cargo de presidente da Comissão de Licitação da Casa Militar, cargo ocupado até 2014. Em 2015, ele assumiu o cargo de coordenador administrativo-financeiro da Casa Militar.
De acordo com a PF,o tenente-coronel Fábio de Alcântara Rosendo trabalhou com o coronel Laurinaldo na Comissão de Licitação da Casa Militar de 2010 a 2012. Até a deflagração da Operação Torrentes, ele ocupava o cargo de secretário executivo de Defesa Civil da Casa Militar. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos coronéis Rosendo e Félix.
Investigados por desvios nas verbas para vítimas das chuvas foram presas
Entenda o caso
A Operação Torrentes surgiu a partir de denúncias anônimas envidas à Controladoria Geral da União em Pernambuco, no ano passado. Os contratos investigados totalizam R$ 450 milhões para compra de comida, colchões, filtros de água e lonas de proteção para os desabrigados. Segundo a PF, a fraude no valor de contratos para reestruturação de municípios da Mata Sul de Pernambuco após as enchentes de 2010 e deste ano pode chegar até a 30%. Segundo os investigadores, foi verificado ainda um conluio entre quatro grupos de empresas para que se conseguisse as licitações durante os períodos emergenciais. (Veja vídeo acima)
De acordo com a PF, a 36ª Vara Federal expediu 71 mandados judiciais, sendo 36 de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 20 de condução coercitiva. Também houve uma condução coercitiva no Pará. No dia 9 de novembro, 260 agentes da PF, de 10 estados, realizaram buscas nos prédios da Casa Militar do governo pernambucano, onde atuavam os PMs detidos, e da Vice-Governadoria, no Recife. Houve operação também no Centro de Abastecimento de Pernambuco (Ceasa), Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe), bem como em imóveis no Recife e em Olinda. Seis veículos de luxo, de várias marcas, foram apreendidos pelos policiais federais durante a operação.
Todos os mandados foram cumpridos em 9 de novembro, com exceção de um de prisão de temporária: o de Ítalo Henrique Silva Jaques, que apresentou à polícia em 10 de novembro. No dia anterior, tinham sido presos: o coronel da PM Fábio de Alcântara Rosendo, o tenente-coronel da PM Laurinaldo Félix do Nascimento, o coronel da PM Roberto Gomes de Melo Filho, o coronel aposentado da PM Waldemir José Vasconcelos de Araújo, além de Antonio Manoel de Andrade Junior, Antonio Trajano da Rocha Neto, Daniel Pereira da Costa Lucas, Heverton Soares da Silva, João Henrique dos Santos, Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ricardo Henrique Reis dos Santos, Ricardo José de Padilha Carício, Roseane Santos de Andrade e Taciana Santos Costa.
Após audiência de custódia, os homens seguiram para o Cotel, em Abreu e Lima, no Grande Recife, e as mulheres foram levadas para a Colônia Penal Feminina do Recife, na Zona Oeste da capital pernambucana. Também depois da audiência de custódia, os coronéis Fábio de Alcântara Rosendo e Roberto Gomes de Melo Filho, além do coronel aposentado Waldemir José Vasconcelos de Araújo, seguiram para a Academia da Polícia Militar, em Paudalho, em cumprimento à ordem de prisão temporária pelo prazo de cinco dias.
Audiências de custódia ocorreram na Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, no Recife (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press) Audiências de custódia ocorreram na Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, no Recife (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)
Audiências de custódia ocorreram na Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, no Recife (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)
O tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento foi monitorado por tornozeleira eletrônica "em razão da necessidade de submissão a procedimento médico em hospital particular, previamente marcado", segundo nota da Justiça Federal em Pernambuco. Durante uma aula inaugural do curso de formação e habilitação do Corpo de Bombeiros, em 13 de novembro, o governador de Pernambuco, Paulo Camara, evitou falar sobre punição para os policiais militares presos na Operação Torrentes.
Todos os 15 presos foram soltos no dia 14 de novembro, com exceção de Waldemir José Vasconcelos de Araújo, que havia sido liberado após ter o habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) no dia 11 de novembro. (Veja vídeo abaixo)
Pessoas presas na Operação Torrentes foram soltas por determinação da Justiça Federal
Desdobramento
Na terça (21), quando ocorreu o desdobramento da operação, foram expedidos 11 mandados de prisão, sendo dois de prisão domiciliar e nove de prisão preventiva, mediante solicitação do Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF-PE). Na ocasião, dez mandados foram cumpridos. Segundo a Polícia Federal, a solicitação foi feita “mediante novos fatos surgidos dentro da investigação, o que ensejou convencimento por parte da Justiça para decretação das prisões”.
A decisão foi do juiz federal Rafael Chalegre do Rêgo, em cumprimento à ordem de prisão preventiva solicitada pela juíza federal Carolina Souza Malta contra onze pessoas. Todos foram apontados pelo envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro que seria usado para a compra de mantimentos para os desabrigados das chuvas na Mata Sul e cumpriram uma ordem de prisão temporária por cinco dias.
Entre os presos preventivamente, estão seis pessoas que haviam sido capturadas pela Polícia Federal no dia 9 de novembro e foram liberadas pela Justiça Federal em 14 de novembro. São eles: Heverton Soares da Silva, João Henrique dos Santos, Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ricardo Henrique Reis dos Santos, Ricardo José de Padilha Carício e Taciana Santos Costa. O sétimo preso, Ítalo Henrique Silva Jaques, tinha se apresentado à PF em 10 de novembro e também foi solto após o término do prazo da preventiva.
Presos na Operação Torrentes foram encaminhados para presídios do Recife (Foto: Polícia Federal/Divulgação) Presos na Operação Torrentes foram encaminhados para presídios do Recife (Foto: Polícia Federal/Divulgação)
Presos na Operação Torrentes foram encaminhados para presídios do Recife (Foto: Polícia Federal/Divulgação)
O oitavo preso foi identificado como Emanoel Feliciano Ribeiro, que não aparece no rol de prisões realizadas em 9 de novembro. Dois dos quatro oficiais da Polícia Militar presos anteriormente pela mesma operação receberam novamente mandados de prisão domiciliar: o coronel Fábio de Alcântara Rosendo e o tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento.
Após a audiência de custódia na Justiça Federal, seis homens seguiram para o Centro de Observação e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife. As mulheres foram levadas para a Colônia Penal Feminina do Recife, na Zona Oeste da cidade. O advogado do coronel aposentado Waldemir José Vasconcelos de Araújo e de todos os civis presos na operação, Ademar Rigueira, disse ter ficado espantado com a decisão. Ele afirmou que vai preparar um novo habeas corpus.
Aos dois policiais militares investigados que tiveram os mandados de pisão domiciliar cumpridos, foram aplicadas medidas cautelares alternativas à prisão. Segundo a Justiça Federal, a juíza Carolina Souza Malta negou o pedido de prisão domiciliar dos dois oficiais da PM, solicitado pelo Ministério Público Federal. Para o Judiciário, "a aplicação de medidas cautelares, em relação a eles, mostra-se, a princípio, suficiente para afastar o risco de reiteração criminosa".
Diante disso, foram aplicadas aos dois as seguintes medidas cautelares: pagamento de fiança no valor de 10 salários mínimos, equivalentes a R$ 9.370, no prazo de cinco dias; suspensão da função pública; proibições de acessar as dependências da Casa Militar, de sair do país e de entrar em contato com os demais investigados pela operação.
G1 PE

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