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SDS quer devolver policiais às ruas


PMs realizam serviços burocráticos em órgãos públicos
Secretário quer pressa na devolução de PMs / Diego Nigro/JC Imagem
Secretário quer pressa na devolução de PMs
Diego Nigro/JC Imagem
JC Online

Anunciada há uma semana, a decisão do secretário de Defesa Social, Ângelo Gioia, de devolver às ruas o maior número possível de policiais atualmente lotados em outros órgãos públicos, ainda não foi encampada pelos gestores dessas entidades. Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e a própria Secretaria de Defesa Social (SDS) têm policiais – militares na maioria – exercendo funções burocráticas e de guarda patrimonial. Em entrevista ao programa Supermanhã, da Rádio Jornal, ontem, o secretário afirmou ainda estar esperando pela sinalização dos órgãos para liberação dos servidores. “Não tive nenhuma, mas vou continuar esperando. Se não tiver, irei de encontro”.

Gioia não revela números, mas admite que a quantidade de agentes longe das ruas é “acima do considerado razoável”. Ao verificar o que ele chama de “exagero” dentro da própria SDS, ordenou que o máximo possível de policiais fossem devolvidos aos quartéis. Apenas no setor de comunicação da secretaria são oito os servidores que voltarão às ruas.

Entidades sindicais da Polícia Militar estimam em 1 mil o número de PMs realizando as “atividades meio” (serviços burocráticos), dos quais 400 estariam apenas na estrutura da SDS. O número pode ser exagerado. Uma consulta ao Portal da Transparência da Assembleia Legislativa de Pernambuco mostra que são 55 os policiais atuando no órgão. No Ministério Público de Pernambuco (MPPE), a mesma consulta mostra que 14 militares estão atualmente cedidos à instituição, a maioria trabalhando como motorista. No Tribunal de Contas do Estado (TCE), o número é de 23 policiais, também de acordo com o Portal da Transparência do órgão.

Sobre eventuais resistências políticas à retirada dos servidores, o secretário de Defesa Social foi enfático. “É um processo doloroso, mas necessário. O governador Paulo Câmara não colocou qualquer dificuldade à medida e me deu autonomia”.

PRESSA
A justificativa de Gioia é a pressa numa resposta à sociedade. Entre os adversários do novo gestor da segurança pública estão as curvas – ascendentes desde 2013 – de homicídios e crimes contra o patrimônio. No período entre janeiro e setembro, a comparação entre 2015 e 2016 revela que, este ano, houve um aumento de 11,9% no número de mortes violentas. Já os crimes contra o patrimônio (roubo, furtos, entre outros) cresceram 33,7% entre janeiro e junho, na comparação com 2015. 

“Temos que responder e aumentar a sensação de segurança da população. Para isso, precisamos de todo efetivo possível”, diz Ângelo Gioia, lembrando que no primeiro semestre de 2017 1,1 mil policiais militares e cerca de mil policiais civis – oriundos de concursos realizados este ano – estarão aptos para o trabalho nas ruas. “Até lá, temos que otimizar as nossas forças”.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados, Alberisson Carlos, reagiu duramente às declarações do secretário. “É coisa de quem não conhece a realidade do Estado. O que a Polícia Militar precisa é de contratações e estrutura. Atualmente são 19 mil PMs, enquanto o ideal seria, no mínimo, 26 mil. E nossos policiais estão trabalhando sem munição, com coletes vencidos e viaturas velhas”, afirma.

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