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SÃO PAULO: Piloto de automobilismo morre por coronavírus e pede para ser cremado e ter as cinzas jogadas no autódromo de Interlagos

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2.4.20

Ele mandou mensagem para ex-mulher com o último desejo antes de morrer. Subiu para 164 o número de mortes pelo novo coronavírus no estado de São Paulo.
G1 SP — São Paulo
O piloto de automobilismo César Augusto Visconti, 43 anos, morreu nesta segunda-feira (30) em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, vítima do coronavírus. — Foto: Arquivo pessoal

O piloto de automobilismo César Augusto Visconti, 43 anos, morreu nesta segunda-feira (30) em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, vítima do coronavírus. Ele foi internado dia 26 de março no Hospital São Luís, na cidade, após passar pelo otorrinolaringologista. César deixa a namorada Fernanda e a filha Yasmim, de 15 anos. Ele faria aniversário nesta sexta-feira (3).

A velocidade da doença surpreendeu amigos e familiares dele, mas ele teve tempo de enviar uma última mensagem para a ex-mulher Luara Vida com um último pedido antes de morrer: ser cremado e ter as cinzas jogadas no Autódromo de Interlagos.

"Luara estou indo pro saco mas tenho um pedido. Quero ser cremado e pede para o Antonio e o pessoal da Escola jogar minhas cinzas no Autódromo de Interlagos, o lugar mais importante de minha vida."
O pedido feito no leito de morte foi enviado para o amigo Antonio de Souza, da Escola de Pilotagem Interlagos. "Luara, estou indo pro saco mas tenho um pedido. Quero ser cremado e pede para o Antonio e o pessoal da Escola jogar minhas cinzas no Autódromo de Interlagos, o lugar mais importante de minha vida."

"Foi a ex mulher dele que entrou em contato e passou seu pedido. Eles sempre foram muito amigos e tiveram uma filha", afirmou Antonio. O corpo de César deve ser cremado dentro de dez dias, segundo o amigo.
Luara disse ao G1 que foram casados por sete anos, e namoraram mais quatro anos. "Ele era muito presente. Apesar de sermos separados, éramos muito amigos. Ele vinha em casa todos os dias. Tive minha segunda filha dia 10 de março e ele acompanhou o parto no hospital."

Luara afirmou que César começou a se sentir mal dia 16. "Ele começou a ter tosse e febre e parou de vir em casa. Dia 20 ele foi ao otorrino, que o medicou e falou para ficar em casa. No fim de semana ele passou a sentir dor no peito e voltou ao otorrino, que mandou ele ir ao hospital emergencialmente."
César Visconti e sua mãe visitando a ex-mulher Luara na maternidade poucos dias antes de morrer — Foto: Arquivo pessoal
Ela contou que César ligou e disse para que ela cuidasse da filha Yasmim. "Ele sempre foi muito brincalhão. Ele falou que estava indo pro saco e eu falei para ele parar de falar isso. Me fez prometer que cuidaria da nossa filha e que era para eu alugar um carro e jogar as cinzas do corpo dele no autódromo. Eu falei para ele parar de falar isso e mudamos de assunto."

Luara disse que César ainda estava com celular no hospital quando ligou para ela avisando que seria entubado. "No dia 26 ele piorou e ligou para nos avisar que seria entubado, mas que voltaria três dias depois e que ficaria esse tempo sem entrar em contato e que era para nós não ficarmos preocupados. Foi a última ligação dele."

O resultado do teste para coronavírus deu positivo. O atestado de óbito consta coronavírus e pneumonia como causas da morte. "Ele era saudável, não fumava, não bebia, era atleta. Ele estava ótimo, feliz. O coração dele era espetacular. Ele era um ótimo pai."

Luara explicou que o corpo de César saiu do hospital em caixão lacrado e foi levado para o crematório da Vila Alpina. "Tinha muito corpo pra ser cremado, então, nos falaram que era para rezarmos por ele a partir da tarde desta quarta-feira (1º), quando provavelmente seria feita a cremação, que não podemos acompanhar. As cinzas poderão ser retiradas dez dias depois."

César Visconti e sua mãe visitando a ex-mulher Luara na maternidade poucos dias antes de morrer — Foto: Arquivo pessoalCésar Visconti e sua mãe visitando a ex-mulher Luara na maternidade poucos dias antes de morrer — Foto: Arquivo pessoal
Paixão pelo automobilismo
Antonio disse ao G1 que César era uma pessoa muito querida pelo pessoal da escola de pilotos. "Não é brincadeira o que estamos passando e precisamos nos resguardar em casa, pois a maioria faz parte de grupo de risco. Estou em casa há três semanas, mas continuo segurando está barra."

Os amigos entraram em contato com a Federação Paulista de Automobilismo (Fasp) para providenciar a homenagem ao piloto. "Já entrei em contato com a federação e iremos realizar uma cerimôia na primeira prova do Campeonato Paulista de Automobilismo deste ano", disse Antonio.

Por conta das restrições decorrentes da quarentena do coronavírus, o Autódromo de Interlagos está fechado.

"Ele era um excelente piloto, muito rápido e inteligente. Participou de várias categorias e provas como 500 km e Mil Milhas. Em 2006 e 2007 participou do Campeonato Brasileiro de Marcas na equipe da escola, que tinha como companheiros os pilotos como Nelson Alexandre, Belmiro Jr. e Arthur Bragantini. Ele foi o que subiu no pódio. Ele também correu na equipe do Marcos Paoli na Copa Corsa por dois anos", disse o amigo.

César além de piloto era instrutor na Escola de Pilotagem Interlagos. "Ele veio fazer o curso quando tinha 20 anos e nunca mais saiu do nosso grupo. Era um dos melhores como instrutor", disse Antonio.

O piloto de automobilismo César Augusto Visconti, 43 anos, (de macacão vermelho) morreu nesta segunda-feira (30) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vítima do coronavírus.  — Foto: Arquivo pessoalO piloto de automobilismo César Augusto Visconti, 43 anos, (de macacão vermelho) morreu nesta segunda-feira (30) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vítima do coronavírus.  — Foto: Arquivo pessoal
O piloto de automobilismo César Augusto Visconti, 43 anos, (de macacão vermelho) morreu nesta segunda-feira (30) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, vítima do coronavírus. — Foto: Arquivo pessoal

Casos de coronavírus
Subiu para 164 o número de mortes pelo novo coronavírus no estado de São Paulo, segundo balanço da Secretaria Estadual de Saúde divulgado nesta quarta-feira (1º). Com 28 mortes registradas entre terça (31) e quarta (1), o estado tem recorde de mortes desde o início da pandemia.O estado possui ainda 2.981 casos confirmados.

O novo número de casos representa um aumento de 27% em relação aos 2.339 casos anunciados na terça (31). No caso das mortes, o crescimento foi de 21%.

Nesta quarta-feira o número de municípios com mortes pela doença subiu para 16. As cidades de São Sebastião, no Litoral Norte; Suzano, do Alto Tietê, e Cotia, na Grande São Paulo, registraram seu primeiro óbito.

Mortos por coronavírus na cidade de SP — Foto: TV Globo/reproduçãoMortos por coronavírus na cidade de SP — Foto: TV Globo/reprodução
Mortos por coronavírus na cidade de SP — Foto: TV Globo/reprodução

O Instituto Adolfo Lutz conseguiu processar e liberar apenas 0,4% dos testes recebidos para atestar se o paciente estava com coronavírus, na semana passada. Na primeira semana de março, quando a demanda era menor, o instituto processou e liberou 83% dos testes. Até o dia 25 de março, foram recebidos mais de 11 mil testes e liberados 1.224 exames.

Das 164 mortes registradas no estado desde o início da pandemia, 20 tinham mais de 90 anos; 50 na faixa de 80-89 anos; 45 entre 70-79; 32 de 60-59 anos. Outros 17 tinham idade equivalente ou inferior a 59 anos, todos com comorbidades que, assim como os idosos, representam grupo mais vulnerável a complicações da COVID-19. O total soma 96 homens e 68 mulheres.

Testes
O Ministério Público de Contas cobrou nesta segunda-feira (30) que o estado de São Paulo não deve testar apenas pacientes com Covid-19 internados em estado grave, a partir de reportagem publicada no G1 que mostra essa orientação da Secretaria da Saúde.

Cerca de 16 mil testes aguardando análise no instituto Adolfo Lutz. A instituição só conseguiu processar e liberar apenas 0,4% dos testes recebidos para atestar se o paciente estava com coronavírus, na semana passada.

Na primeira semana de março, quando a demanda era menor, o instituto processou e liberou 83% dos testes. Até o dia 25 de março, foram recebidos mais de 11 mil testes e liberados 1.224 exames.

De acordo com o secretário de saúde, José Henrique Germann, o estado de São Paulo possui 201 mortes que ainda aguardam resultado do exame para confirmar se a causa foi coronavírus.

"Uma parcela desses 201 óbitos acumulados vai dar positivo. São pessoas que estavam com Covid-19 e que não foram confirmados na época do óbito, vai ser agora", afirmou o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann.

Notificação apenas em casos graves
Na segunda-feira (23) a Secretaria Estadual da Saúde determinou que as unidades de saúde da rede pública devem registrar no sistema apenas pacientes internados com sintomas graves da doença.

Pessoas com sintomas leves, especialmente aquelas que não sentem falta de ar, não são registradas como casos suspeitos ou confirmados de coronavírus no sistema oficial, tampouco são submetidas ao teste laboratorial. Especialistas afirmam que a nova metodologia de registro pode levar a subnotificação.

Segundo a Diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), Helena Sato, a medida é necessária para concentrar esforços nos casos graves.

"Isso não quer dizer que a gente vai ter menos dados, de jeito nenhum. Nós trabalhamos com vigilância epidemiológica. Então, nós tivemos um procedimento muito parecido na época da pandemia que aconteceu dez anos atrás, em relação ao vírus do H1N1. Antes a gente notificava os casos leves, moderados, depois, com o aumento, com o que se considera uma pandemia, a gente foca nos casos graves. Isso de modo nenhum vai alterar nossas ações de vigilância, não altera em nada", disse Sato em entrevista ao G1.

"É só uma forma de a gente poder acompanhar o que é mais importante nesse momento. Quando começa a ter mais casos, a gente começa a focar nos graves", completa.

Para Fernanda Campagnucci, diretora executiva da Open Knowledge Brazil e especialista em transparência de dados, a nova orientação mostra que as estatísticas estaduais precisam ser analisadas com cautela, já que não refletem mais o mesmo cenário que era analisado antes.

"É compreensível que haja mudanças no processo de coleta dos dados, porque a gente está aprendendo a lidar com o vírus, e não há testes suficientes. Mas qualquer mudança na metodologia impacta o resultado. Isso precisa ser comunicado, divulgado, para que as análises sejam feitas com base nessa informação importante da nova orientação", afirma Campagnucci.

Aumento de casos graves
O secretário estadual de saúde, José Henrique German disse na quinta-feira (26) que os casos de pacientes graves internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) após serem infectados pela Covid-19 aumentaram 42% em 24 horas no estado de São Paulo.

"Os pacientes graves internados em UTI são agora 84. Neste último dia houve um acréscimo de 42%. Isso é mais ou menos característico da epidemia, ela tem dias de mais acréscimo e dias de menos acréscimo. Mas ela vem crescendo, o que mostra talvez para nós que as medidas de restrição de mobilidade estão sendo suficientes ou, pelo menos colaborando de forma bastante efetiva, para que a gente tenha 862 casos", afirmou Germann.

De acordo com ele, esse crescimento de mortos e pacientes graves é característico de uma epidemia. “Nós éramos praticamente 90% dos casos do Brasil e agora nós somos 30% dos casos do Brasil. O que significa que existe uma expansão da epidemia de forma acelerada. Se nós formos olhar o número de óbitos, nós tivemos no Brasil 57 óbitos, infelizmente, e no estado de São Paulo, 48. No estado de São Paulo ontem eu anunciei 40 óbitos, então, tivemos um acréscimo de 20% no número de óbitos", disse.

Representantes do comitê estadual de combate ao novo coronavírus em São Paulo afirmam que as medidas de restrição de circulação adotadas nas últimas semanas foram eficazes e ajudaram a conter a curva de crescimento de casos confirmados no estado. Segundo Helena Sato, médica que coordena o comitê, "muito provavelmente haveria um número muito maior [de casos] se as nossas famílias não estivessem em casa".

Em pronunciamento na terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro criticou medidas de isolamento adotadas por estados e municípios. Na quarta-feira (25), Bolsonaro discutiu com o governador de São Paulo, João Doria.

Quarentena
O estado de São Paulo adota estratégias de restrição de circulação contra o coronavírus desde 16 de março. A quarentena começou na terça-feira (24) e vai durar 15 dias, até o dia 7 de abril, para os 645 municípios do estado de São Paulo.

A medida obriga o fechamento do comércio e mantém apenas os serviços essenciais, como nas áreas de Saúde e Segurança. Assim, os hospitais, clínicas, farmácias e clínicas odontológicas, públicas ou privadas, terão o funcionamento normal.

As transportadoras, armazéns, serviços de transporte público, serviços de call center, petshops, bancas de jornais, táxis e aplicativos de transporte continuam funcionando com as orientações dos sanitaristas.

Os serviços de Segurança Pública, tanto estadual, quanto municipais, continuam funcionando normalmente. Os bancos e lotéricas também continuam abertos. As indústrias devem continuam operando, já que não têm atendimento ao público em geral.

Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Peguei o rosto dela na mão, botei na sacola e corri, diz namorado que socorreu jovem após acidente com kart

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13.8.19

Débora Stefanny Dantas de Oliveira teve o couro cabeludo e parte da pele arrancados. Jovem está internada no Hospital da Restauração, no Recife.
Por G1 PE e TV Globo
O namorado da jovem de 19 anos, que teve o couro cabeludo arrancado em um kart, falou sobre o acidente e recordou o resgate, ocorrido no domingo (11). "Eu peguei o rosto da minha namorada na minha mão, botei em uma sacola [...] e corri", disse o microempresário Eduardo Tumajan, nesta terça-feira (13).
Débora Stefanny Dantas de Oliveira estava com o namorado na pista de kart no estacionamento do Walmart, localizado na esquina da Avenida Fernando Simões Barbosa com a Rua Padre Carapuceiro, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Desde o acidente, ela está internada no Hospital da Restauração, no bairro do Derby.

Débora tinha o cabelo longo, até quase a altura da cintura, e o prendeu para poder correr, relatou o namorado. No momento do acidente, ela usava a touca no mesmo estilo da usada por pilotos, segundo ele.

“Foi um negócio muito rápido. A gente estava no kart, eu dei a primeira volta. Vi que o carro dela parou, quando eu ia ultrapassar, achei que ela tinha batido. Quando eu parei, ela tava com daqui [da testa] para cima todo cortado, só estava o osso”, disse.
Ao perceber o que aconteceu, Eduardo contou que saltou do kart e retirou a namorada do veículo. "A gente esperou por ajuda, mas não veio ajuda. O máximo que fizeram foi Ligar para o SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] e seguranças assim ficaram de longe olhando", afirmou o namorado.

O cabelo e a parte do rosto arrancados no acidente foram colocados na sacola e, com auxílio de um senhor que estava também no local, o microempresário socorreu a namorada para o Hospital da Restauração.

O cirurgião Jonathan Vidal, em coletiva de imprensa nesta terça, explicou que, como o material foi levado para o hospital, médicos dos setores de neurologia e de cirurgia plástica do HR conseguiram recuperar e reimplantar 80% da área atingida em uma cirurgia que durou cinco horas.


Um vídeo mostra a jovem na corrida de kart momentos antes do acidente. Ela é a primeira a aparecer no vídeo, no carro de número 01. (Veja vídeo acima)

A Polícia Civil está investigando o caso e, nesta terça, uma equipe do Instituto de Criminalística (IC) esteve na pista de kart para realizar perícia. O advogado da empresa acompanhou, a distância, o trabalho dos peritos.

“Todos os procedimentos de segurança foram tomados. O cabelo da senhora Débora foi preso usando uma balaclava e um capacete. O kartódromo está tomando as providências para que, após a cirurgia no Hospital da Restauração, que é referência para esse tipo de situação, ela seja removida para um hospital particular para ter um acompanhamento médico mais adequado, que requer mais cuidados e eventuais situações médicas serão obviamente cuidadas pelo kartódromo", afirmou o advogado da empresa Adrenalina Kart Racing, Carlos Arthur Ferrão Júnior.


Desde a segunda-feira (12), a pista de kart foi interditada pelo Procon de Pernambuco, que fez uma fiscalização no local.

Eduardo Tumajan, noivo da jovem que teve o couro cabeludo arrancado em acidente com kart no Recife, durante entrevista nesta terça-feira (13) — Foto: Reprodução/TV Globo Eduardo Tumajan, noivo da jovem que teve o couro cabeludo arrancado em acidente com kart no Recife, durante entrevista nesta terça-feira (13) — Foto: Reprodução/TV Globo
Eduardo Tumajan, noivo da jovem que teve o couro cabeludo arrancado em acidente com kart no Recife, durante entrevista nesta terça-feira (13) — Foto: Reprodução/TV Globo

1º de Maio, Ayrton Senna permanece influente, 25 anos após morte

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1.5.19

Um dos maiores ídolos do Brasil, piloto transformou esporte e virou patrimônio de uma geração de apaixonados
O capacete amarelo com uma faixa azul e outra verde de Ayrton Senna fez história nas pistas mundo afora. A genialidade do piloto que guiava com maestria marcou uma geração que aprendeu a ter orgulho em agitar a bandeira do Brasil. Hoje, completam 25 anos do acidente na famosa curva do Tamburello, no circuito italiano de Imola. No 1º de maio de 1994, o “tema da vitória” não tocou. Deu lugar a um silêncio de dor pela despedida daquele que, ainda hoje, é para muitos o principal mito do esporte nacional. Senna morreu aos 34 anos e, mais de duas décadas depois, permanece influente, tendo sua imagem associada a marcas comerciais e, principalmente, a campanhas sociais.
"Vivíamos os anos 80, com hiperinflação, a ditadura militar tinha terminado pouco tempo antes, não fazia muito sentido sentir orgulho do Brasil, mas Senna saiu pelo mundo levando a bandeira como um símbolo que encheu de orgulho tantos brasileiros", diz o jornalista especializado em automobilismo, Alexander Grünwald. Segundo ele, o legado de Senna foi "transformar o esporte". Seu diferencial, além de ser um piloto excepcional, foi o de atender outros aspectos como a preparação física e mental, entender o veículo e a tecnologia e cuidar de sua imagem.
Uma pesquisa realizada em 2014, no 20º aniversário de sua morte, mostrou que 47% dos moradores de São Paulo, sua cidade natal, consideravam Senna o maior nome do esporte nacional. Pelé, tomado como Rei do Futebol, aparecia em segundo lugar, com 23%. "Pelé viveu uma época em que as pessoas ouviam os jogos de futebol pelo rádio ou liam no jornal. Elas não viveram esse período com a mesma intensidade e emoção. Já com Senna, os domingos eram com a família, na frente da televisão”, explica Grünwald.

Recentemente, Ibope Repucom fez uma pesquisa especializada em avaliação online de celebridades e atestou que 96% dos entrevistados reconhecem a imagem de Senna. É o maior índice entre as dezenas de celebridades ligadas ao esporte, e com avaliação acima da média em 20 dos 25 atributos pesquisados. Entre os que o conhecem, há um leve destaque entre homens de 40 a 54 anos, mas são as mulheres que melhor o avaliam.

O atributo que Senna conseguiu sua maior nota foi em Sucesso/Bem Sucedido, certamente motivado pela imagem do tricampeão impressa no imaginário coletivo brasileiro. Ayrton também figura entre as cinco celebridades com maiores notas em alguns atributos comportamentais e de influência como: Humilde, Confiável, Admiração, Tranquilo, Multicultural, Especialista em sua área, Engajado em Causas Sociais e Religioso.

“Sua imagem é um patrimônio nacional e uma referência para todos, sobretudo para os esportistas. Não só a paixão pelas pistas e seu desempenho excepcional, como também sua vida pessoal, carregam lições importantes a serem seguidas por todas as personalidades nacionais", comenta o diretor-executivo do Ibope Repucom, José Colagrossi.

Senna conquistou três vezes o título da Fórmula 1 (1988, 1990 e 1991) com a McLaren, equipe na qual brilhou de 1988 a 1993, vencendo um Grande Prêmio de cada três (35 em 96 participações). Os primeiros anos na escuderia foram marcados por sua famosa rivalidade com o francês Alain Prost, companheiro de equipe, que depois de tantas brigas travadas em público, ajudaria a carregar o caixão de Senna, visivelmente emocionado.

Esse antagonismo é talvez o ponto mais controverso de sua biografia, abordado em livros e documentários. "Claro que não era perfeito (...) teve rivalidades dentro da pista, mas seus aspectos positivos superaram os negativos", defende o jornalista Fred Sabino, editor de Fórmula 1. "Determinação" e "dedicação" são as palavras mais repetidas quando as pessoas próximas ao piloto falam de sua trajetória. São também os valores exaltados pelo Instituto Ayrton Senna, que sua irmã Viviane fundou em 1994 para oferecer oportunidades a crianças em situação de pobreza.

FESTA DO TAPUIA 2022

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