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Em PE, sumiço de 280 armas no CORE; estado cria protocolo de segurança em depósito

18.2.21

/ por casinhas agreste

Após sumiço de armas guardadas pela Secretaria de Defesa Social, estado cria protocolo de segurança em depósito
Fontes ouvidas pela TV Globo afirmaram que cerca de 280 armamentos do arsenal não estavam no local em que deveriam estar armazenados. SDS designou dois delegados para investigar o caso.
Por Bruno Grubertt, Priscilla Aguiar e Marina Meireles, TV Globo e G1 PE

Após o desaparecimento de armas custodiadas pela Secretaria de Defesa Social (SDS), a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, criou um protocolo de segurança para o controle de material guardado em um depósito da unidade (veja vídeo acima).

Segundo fontes ouvidas pela TV Globo que não quiseram ser identificadas, a suspeita é de que cerca de 280 armamentos de diversos calibres tenham sumido. A SDS foi procurada, mas não disponibilizou porta-voz para comentar o assunto.

O documento, assinado pelo diretor da Core, Joel Venâncio, é do dia 11 de janeiro de 2021, após a divulgação do desaparecimento de parte do arsenal da SDS. O protocolo contém 15 pontos que determinam o controle da entrada e saída de pessoas e de armas e munições.

Entre as normas está a determinação da elaboração de relatórios mensais sobre quantas armas e munições estão armazenadas no depósito. Também é vedada a entrada de pessoas na armaria com casacos, blusões ou roupas sobrepostas.

Dentro da Polícia Civil, a Core é responsável por dar apoio operacional a delegacias, proteger autoridades ameaçadas e oferecer treinamento a policiais para o uso de armas. Outra função é a guarda de armamento usado pelos policiais ou apreendido com criminosos.

Ao serem apreendidas pelas polícias Civil ou Militar de Pernambuco, as armas de fogo seguem para a delegacia responsável por instaurar o inquérito.

Os armamentos devem receber lacres de segurança com o número de identificação. Em seguida, os itens são levados para perícia em unidades da Polícia Científica. Por fim, as armas são recolhidas pela Core.

O prédio da coordenadoria, localizado no bairro de São José, no Centro do Recife, é protegido por câmeras de segurança e uma cerca elétrica. No fim de 2020, durante a realização de um inventário, a Secretaria de Defesa Social se deu conta de que o local não armazenava todas as armas que deveria.

Para investigar o desaparecimento de parte do arsenal, a SDS designou dois delegados. Essa investigação teve início depois que o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o Ministério Público do estado (MPPE) e a SDS publicaram uma portaria para dar destino a mais de 53 mil armas apreendidas em depósitos da SDS.

A partir do documento, foi criada uma força-tarefa para identificar, fotografar e relacionar cada arma ao processo judicial a que está vinculada. Durante esse processo, a SDS não encontrou os armamentos que deveriam estar armazenados nos depósitos.


Durante o inventário, o recolhimento de armas apreendidas em delegacias foi suspenso por, no mínimo, 60 dias. O mesmo documento, de dezembro de 2020, também indicou a apreensão de 54,3 mil armas.

Na comunicação interna da Polícia Civil, o responsável pela Core informou que identificar cada uma dessas armas estava "exigindo um esforço grande", já que a coordenadoria não tinha um sistema que pudesse gerar essa informação automaticamente.

Procuradas pelo G1 e pela TV Globo, a Polícia Civil e a Secretaria de Defesa Social não informaram a quantidade exata de armas que desapareceu da Core. Em janeiro, por meio de nota, a Polícia Civil reconheceu que houve o desaparecimento de "algumas armas". A investigação segue sob sigilo.

De acordo com documentos internos, cinco comissários da Polícia Civil que trabalhavam na armaria da Core foram removidos do setor, durante a apuração do desaparecimento das armas.

Segundo as determinações, assinadas pelo delegado chefe da coordenadoria, Joel Venâncio, os afastamentos foram para "garantir isenção no processo de auditoria".

Além da SDS, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol) também acompanha as investigações. Para o presidente da entidade, Rafael Cavalcanti, o prédio da Core não tem a estrutura necessária para guardar o arsenal da polícia.

"Aquela unidade demonstra, na verdade, um raio-x da Polícia Civil no estado de Pernambuco. Uma deficiência de estrutura gravíssima que a gente vem pontuando ao longo dos últimos anos, mas que a gente vê pouco avanço. É uma unidade que não tem condições nem a segurança necessária para poder guardar, para ter as funções que ela precisa desempenhar", afirmou.

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