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Ato pró-democracia em SP começa pacífico, encontra grupo pró-Bolsonaro e termina em confronto com PM

31/05/2020

/ por casinhas agreste
Protesto na Paulista foi organizado por torcidas de futebol, e começou com coros pela democracia. Depois, grupo encontrou apoiadores de Bolsonaro. PM entrou entre os grupos e usou bombas de efeito moral para dispersar torcedores, que atiraram pedras e paus.
Por G1 SP e TV Globo — São Paulo
Um protesto pró-democracia organizado por torcidas de futebol, que começou de forma pacífica, teve confronto de manifestantes com apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e com policiais militares. O ato ocorreu na Avenida Paulista, região central de São Paulo, neste domingo (31).

Os principais momentos do ato foram:
G1
Início do ato por volta do meio dia, com coro pela democracia e sem confusão
Encontro com grupos de apoiadores pró-Bolsonaro por volta de 13h
Início de tensão com a polícia, que se colocou entre os dois grupos
Escalada da tensão entre a PM e torcedores, até por volta de15h. Manifestantes atiraram pedras e PM jogou bombas de efeito moral
Como foi o protesto
As torcidas organizadas dos principais clubes de São Paulo se uniram para fazer a manifestação pela democracia. O ato começou por volta de 12h, de forma pacífica pacífica, com coros e bandeiras defendendo a democracia. Também houve coros contra o governo Bolsonaro.

Torcidas organizadas caminham pela Avenida Paulista com faixa "somos pela democracia" — Foto: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Torcidas organizadas caminham pela Avenida Paulista com faixa "somos pela democracia" — Foto: ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO


Durante uma hora, as torcidas de Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos se manifestaram sem confusão na Avenida Paulista. Elas haviam convocado pela internet os atos de forma conjunta.

Diversos vídeos bastante compartilhados nas redes sociais mostram as torcidas se reunindo no vão do MASP. O principal canto era apenas a palavra "democracia".

Em dado momento, os torcedores saíram caminhando em coro pela Avenida Paulista. A marcha seguiu pacífica, com a PM acompanhando de longe. Na frente da manifestação tinha uma faixa onde se lia: "Somos pela Democracia".

Os confrontos começaram por volta de 13h e ocorreram de forma mais intensa até, pelo menos, pouco antes das 15h.
Ás 15h20, parte dos manifestantes fazia uma espécie de barricada ateando fogo em objetos no meio da Avenida Paulista, próximo à Rua da Consolação. Também foi colocada uma caçamba na rua e uma banca de jornal foi depredada. Policiais militares também permaneciam na rua, caminhando com escudos em direção ao grupo.

Pelo menos cinco manifestantes foram detidos pela Polícia Militar (PM) e levados ao 78º Distrito Policial dos Jardins. Segundo a PM, alguns estavam com produtos químicos e armas brancas. Até por volta de 16h, não havia informações sobre feridos.

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que revidaram com pedras e paus. Houve correria.

Bombas de gás são lançadas na direção de manifestantes na Avenida Paulista
Bombas de gás são lançadas na direção de manifestantes na Avenida Paulista



Duas confusões
A primeira confusão começou por volta de 13h, quando torcedores de pelo menos quatro clubes de futebol - Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos - se manifestavam contra o fascismo e em defesa da democracia.

Inicialmente, o embate foi com um grupo de defensores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que também realizam ato no local a favor da reabertura do comércio durante a pandemia.

A Polícia Militar (PM) usou, então, bombas de efeito moral para dispersar a confusão entre torcedores e bolsonaristas. Foi feito um cordão de isolamento entre os dois grupos, que estavam entre os prédios do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e da Federação da Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Manifestante pró-democracia (à esquerda) discute com manifestante bolsonarista na Avenida Paulista — Foto: Reprodução/Redes sociais

Até a última atualização desta reportagem, não estava claro quem começou as provocações. Vídeos postados em redes sociais mostram pessoas dos dois grupos trocando agressões verbais. Uma mulher que segurava um bastão chegou a ser barrada pela polícia enquanto provocava os manifestantes pró-democracia. Um homem também foi filmado xingando e avançando para cima de um torcedor.

Segundo o coronel Álvaro Camilo, secretário executivo da PM de SP, por volta de 15h, não era possível afirmar ainda quem iniciou a confusão. “As imagens, os atos, analisando claramente vamos saber quem começou”, disse. “A Polícia vai agir agora para manter a ordem. Não interessa o grupo, não interessa o lado."


Manifestante a favor do presidente Jair Bolsonaro aponta bastão para torcedor de ato a favor da democracia e é conduzida por PM na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Reprodução/Twitter

Confronto com policiais
PM usa bombas de gás em confronto com manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo
PM usa bombas de gás em confronto com manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

Por volta das 14h, ocorreu novo confronto, dessa vez entre policiais militares e os torcedores pró-democracia. Os PMs voltaram a atirar bombas de efeito moral e os torcedores arremessaram pedaços de pau e pedras nos policiais. A PM passou a usar gás lacrimogêneo e a atirar balas de borracha para afastar os manifestantes ligados às torcidas.

“A polícia estava ali entre os dois grupos antagônicos para manter a segurança de todos. Num determinado momento começaram a atirar pedras contra a Polícia militar, que usou bombas de efeito moral”, disse o coronel Álvaro Camilo em entrevista à GloboNews.

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