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Quase 1.500 cidades estão em risco para doenças do Aedes aegypti


Recife está entre uma das capitais que estão em estado de alerta para casos de doenças provocadas pelo Aedes aegypti

Apenas 38% do total de cidades que fizeram a avaliação estão em estado de risco
Foto: Pixabay
Estadão Conteúdo

Levantamento do Ministério da Saúde indicou que 1.496 cidades brasileiras ainda estão em situação de alerta ou de risco para surto de dengue, zika e chikungunya - doenças causadas pelo mosquito - neste verão. Neste ano estão em alerta, entre as capitais, Maceió, Manaus, Salvador, Vitória, Recife, Natal, Porto Velho, Aracaju e São Luís.

Esse número representa 38% do total de cidades que fizeram a avaliação, batizada de Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa).

Já Belém, Boa Vista, Porto Alegre, Florianópolis, Campo Grande, Cuiabá, Brasília e Rio Branco não informaram os dados. Também não há registros de São Paulo, embora o Estado tenha informado já ter remetido as informações.

Esse grupo apresentou altos índices de criadouros do mosquito, vetor das três doenças. E os números podem ainda aumentar, porque há cidades que não repassaram dados. É considerada área de alerta para as doenças aquela em que o índice de infestação do mosquito varia entre 1% e 3,9% dos domicílios visitados. São classificados como de risco os municípios que apresentam ao menos 4% de índice de infestação.

Técnicos do ministério dizem não ser possível fazer comparação com 2016. No ano passado, fizeram o LIRAa 2.282 cidades. Desta vez, foram 3.946 (aumento de 73%). Anteriormente, o levantamento era feito por adesão. Agora, todos os municípios são obrigados a apresentar os dados.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que locais em situação de risco deverão receber uma atenção prioritária, mas a redução de casos não depende apenas de ações governamentais. O armazenamento de água em barris, por exemplo, foi o principal tipo de criadouro achado no Nordeste e no Centro-Oeste. No Norte e no Sul, o maior número de criadouros foi no lixo. No Sudeste, predominam depósitos móveis, como vasos e frascos com água.

Balanço
Até o dia 11 de novembro, foram notificados 239.076 casos prováveis de dengue em todo o País, uma redução de 83,7% em relação ao mesmo período de 2016. Na mesma data, haviam sido registrados 184.458 casos prováveis de febre chikungunya, também uma redução de 32,1%. Por fim, de zika são 16.870 casos prováveis, redução de 92,1% em relação a 2016 (com 214.126).

Para especialistas na área de Infectologia, com a queda do número de casos, população e autoridades sanitárias relaxaram nas ações de contenção. "As pessoas e até alguns gestores são, infelizmente, reativos", avalia Celso Granato, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).



Para Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, o governo não deu atenção, nos últimos anos a outras políticas necessárias para enfrentar as doenças. "Enquanto não enfrentarmos as questões de urbanização e saneamento básico, o mosquito vai continuar se proliferando."

Estados atingidos pela epidemia que levou a uma explosão de casos de bebês com microcefalia continuam apresentando alto risco para novas ondas de doenças relacionadas ao Aedes aegypti. O levantamento apresentado nesta terça-feira, 28, pelo Ministério da Saúde mostra que, das cidades analisadas em Pernambuco, 48,35% estão em alerta e 23,9%, em risco para zika, dengue ou chikungunya.

Vítima
Depois de 60 anos morando no bairro de Aguazinha, em Olinda, região metropolitana do Recife, a comerciante Ridalva Gastão se prepara para deixar a casa onde criou os cinco filhos e parte dos 12 netos.

"No ano passado, tive chikungunya. Depois, minha vida virou um inferno. Tenho dores todos os dias, muitas vezes não consigo sequer andar sozinha e tive de parar de trabalhar na minha loja. Entrei em depressão. Não desejo para ninguém. Meu marido é diabético e tem problemas no coração e já teve dengue duas vezes Tenho medo de meus netos e filhos adoecerem e, por isso, vou embora", diz.

"É muito triste ver minha mãe sair da casa onde ela construiu sua vida por causa de um mosquito. Praticamente todos os vizinhos já tiveram alguma arbovirose e já houve até registro de mortes", desabafou Laís Cosmo, filha de Ridalva.

Na Paraíba, a situação é ainda mais grave. Das cidades analisadas, 50,67% apresentaram níveis de criadouros que indicam alerta e 24,22%, risco. No Rio Grande do Norte, 44% estão em alerta e 42%, em risco. Em Roraima, 53,8% dos municípios que encaminharam dados do LIRAa estão em situação de alerta e outros 23%, em risco. No Rio, 22% das cidades estão em alerta para doenças ligadas ao Aedes.

Campanha
Para tentar melhorar os dados nacionais, o Ministério da Saúde lançou nesta terça nova campanha de conscientização. "É preciso colocar em prática a sexta sem mosquito (8 de dezembro, dia de mobilização nacional)", disse o ministro Ricardo Barros.

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