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Roubos a bancos em Pernambuco são financiados pelo crime organizado


Facção paulista do tráfico de drogas seria um dos principais investidores

Assaltos são conduzidos como atividade empresarial
Arte: Thiago Lucas/JC
Felipe Vieira
Do JC
Os roubos a instituições bancárias em Pernambuco não são ações isoladas, desconexas e frutos de oportunidade, como localidades com pouco policiamento. São, acima de tudo, um negócio meticulosamente planejado,onde existem investidores e executores.

Entre os acionistas do ramo no Estado estaria a facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), atualmente o maior tentáculo do tráfico de drogas no País. A Polícia já identificou as digitais do grupo criminoso no cinematográfico assalto à transportadora de valores Brinks, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife, no último dia 21 de fevereiro. Na ocasião, cerca de 15 bandidos explodiram o cofre da empresa, entraram em confronto com as forças de segurança e conseguiram fugir com um valor não revelado em dinheiro.

No último dia 1º, policiais prenderam o agente de trânsito licenciado da prefeitura de Olinda Willames Aguiar Silva, de 28 anos, acusado de ser o elo pernambucano com a facção paulista na empreitada.

Como em qualquer investimento, o acionista entra com um valor em dinheiro para que os “colaboradores” toquem o negócio. “A logística desse tipo de assalto é bastante complexa. É preciso armamento pesado, veículos, explosivos e especialistas em lidar com esse tipo de material, além de pessoas para administrar o dinheiro depois do roubo”, explica o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua.

Segundo ele, os fuzis utilizados nas investidas são alugados especialmente para as ações e vêm do Sudeste. “Muitas dessas armas ficam circulando pela região, sendo utilizadas em vários assaltos”.  Ainda de acordo com Pádua, ambas as partes – investidor e executores – acertam previamente o valor que será pago pelo crime. “Se esse montante não for conseguido em uma única ação, o grupo segue roubando agências até ter condições de pagar o prometido”.


O principal ramo do PCC é o tráfico de drogas, o que não significa que o grupo não esteja expandido as atividades. Os investigadores descobriram a participação da quadrilha que roubou a Brinks em outras ações, cujo dinheiro fruto do roubo servia para o financiamento de campanhas políticas – mas não revelaram que partidos os candidatos seriam beneficiados.

No ano passado, a polícia do Ceará descobriu um plano da facção para financiar campanhas de prefeitos e vereadores no Ceará, onde morava Alejandro Herbas Camacho Júnior, de 44 anos. Ele é irmão de Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo da organização,e que está preso desde 1999 em São Paulo. Alejandro foi preso no ano passado, em Fortaleza, acusado de ser o número dois da facção.

DOMÍNIO

Curiosamente, o fluxo de armas para dentro do território nacional e a intensificação das ações contra bancos no país se iniciaram depois que o PCC assumiu o controle do tráfico na região da fronteira brasileira com o Paraguai, entre as cidades de Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero. A facção brasileira dá as cartas no local desde junho do ano passado, quando, numa ação ousada, matou o pecuarista Jorge Rafaat, conhecido como “Rei da Fronteira”, e que comandava o tráfico na região. Rafaat foi morto com 120 tiros de calibre .50 – que perfura as blindagens mais pesadas – quando dirigia seu carro pelas ruas da cidade paraguaia.

O promotor Ricardo Lapenda, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do ´Ministério Público de Pernambuco, explica que Willames Aguiar, preso sob suspeita de colaborar com o PCC, tinha pretensões de se candidatar a um cargo político no Recife. “Ele já tinha distribuído um caminhão de chocolates na UR-7, Várzea, onde morava. Se fosse eleito, seria um político a serviço de uma organização criminosa”, comenta. O secretário Antônio de Pádua, no entanto, não confirma a atuação do PCC nas investidas em Pernambuco.

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