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PERNAMBUCO: Na rota do Cangaço, veja imagens

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CANGAÇO E LAMPIÃO // NA ROTA DO CANGAÇO



Região por onde surgiu o mito de Lampião mantém viva a história da época, com riqueza de detalhes
Diário de PE


São José do Belmonte

A Rota do Cangaço é um patrimônio cultural de Pernambuco. Conhecer a história da época de batalhas travadas pelo bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, tem alavancado o potencial turístico do estado. São José do Belmonte apareceu de forma expressiva para o Brasil depois da homenagem do poeta paraibano (que se dizia pernambucano também) Ariano Suassuna. A Pedra do Reino, que virou minissérie de TV, é visita obrigatória. O local fica a 26 quilômetros do centro da cidade.

As duas pedras juntas (uma de 30 metros de altura e outra com 33 metros) foram testemunhas de massacres por anos. A causa remonta a 1838, quando lideranças religiosas de uma comunidade messiânica mataram cerca de 100 pessoas, com a promessa de que o rei português Dom Sebastião, morto em batalha em 1578, ressuscitaria. Algumas pessoas passaram a acreditarar na mensagem de que o sangue traria dias melhores para o inferno em que viviam. O sebastianismo, a ideologia aplicada por Dom Sebastião, afirmava que pobres ficariam ricos e negros se tornariam brancos depois do ato. Muitos pais esmagaram a cabeça dos filhos nas pedras com essa esperança. Esse mesmo sebastianismo foi citado em obras de grandes escritores, como Euclides da Cunha, José Lins do Rego e José de Alencar.

Hoje, o lugar recebe, sempre na última semana de maio, a cavalgada da Pedra do Reino, em referência à história da pedra e ao romance de Ariano. Cerca de 500 pessoas saem do centro, a cavalo, até o local, onde ocorre uma cerimônia. Depois da morte de Ariano, em 2014, também é realizada uma missa anual em julho. Entre o acesso da rodovia e a Pedra do Reino, pode se achar uma gruta que serviu de esconderijo para Lampião em 1924. Ele ficou por um mês depois de ter sido baleado em um conflito.

Na volta, vale uma parada no Restaurante do Francisco, a quatro quilômetros da cidade. Galinha de capoeira servida com baião de dois ou angu é o carro-chefe. A refeição serve bem quatro pessoas pelo preço de R$ 60. Comida boa e em clima de sítio do interior.

Se preferir uma síntese da história do cangaço, vale uma passada no Castelo Armorial, no centro da cidade. É um passeio pelas obras de Ariano Suassuna, o acervo fotográfico e jornalístico do movimento, réplicas de cenário de uma cidade sertaneja da década de 1930, assim como registros das cavalgadas e do mestre Ariano, que muito contribuiu

Santa Cruz da Baixa Verde

A 445 quilômetros do Recife, pode ser considerada a terra do cenário bruto do engenhos de rapadura. A passagem pela cidade pode ser bastante rica, a partir das visitas à principal atividade do município que dura o ano inteiro. As estruturas não são nada avançadas. Pode-se dizer que a essência do que se faz com a cana até chegar ao produto final é mantida como manda a cartilha de antigamente.

No engenho de Antônio Pinto, por exemplo, um dos locais abertos para visitação de turistas interessados no assunto, é possível acompanhar todas as etapas. “Mói o ano inteiro”, dizem os trabalhadores. A cana acumulada na frente das pequenas casinhas de tijolo aparente é moída até começar o processo de caldeirões borbulhando em temperaturas extremamente altas, manipulados por trabalhadores que fazem a própria segurança do processo.

Dá para acompanhar tudo, a cana moída vira caldo e o bagaço é separado. O caldo vai para o fogo até serem colocadas as misturas. Quando engrossa, o líquido fervente é colocado em formas até esfriar e virar os blocos de rapadura. É assim. Tudo aos olhos de todos. Detalhe: nada se perde. O bagaço da cana moída é o combustível dos fogos que engrossam

Serra Talhada

Serra Talhada é emblemática no Sertão de Pernambuco. Tem cultura, história e o peso de ser uma das matrizes das cidades que compõem a Rota do Cangaço. O município conta aos visitantes tudo que viveu, a partir do centro, onde fica a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. O lugar respira Lampião e todo o tempo dos cangaceiros. Também por meio da arte, o xaxado e o teatro remontam épocas que os moradores adoram contar, mesmo as que não tenham saudade.

A Casa da Cultura mostra rastros do cangaço. Lá, é possível conhecer um pouco das batalhas dos cangaceiros e ver itens do próprio Lampião. O mais interessante é que 100% do acervo foi montado com doações de descendentes, familiares de cangaceiros e colecionadores. A casa abre todos os dias e o acesso é gratuito. Já na entrada, uma estátua de Lampião e Maria Bonita é cenário de foto de turistas. No interior, além de fotos e armas, uma biblioteca está à disposição de quem quer mergulhar na história. Dá para comprar lembranças da cidade em uma lojinha dentro da Casa da Cultura.

Onde também é possível garantir uma boa lembrança de Serra Talhada é no Museu do Cangaço, ao lado da Estação do Forró (antiga estação de trem). O espaço mantém fotos, conta a história do cangaço, tem réplicas de metal de Lampião e ainda conta com uma sala multimídia, para quem preferir conhecer a história a partir do audiovisual. O local não cobra entrada, exceto para grupos, por exigir a necessidade de um guia para gerenciar a visita.

No mês de dezembro, a organização não-governamental Cabras de Lampião realiza o Encontro Nordestino de Xaxados, expressão cultural mais forte da cidade. Nos meses de julho, um teatro ao ar livre é a grande atração que movimenta a cidade. A peça Massacre de Angicos atrai turistas de várias partes do Brasil anualmente.

Triunfo

O clima da montanha é um ponto que garante um frio que torna a alta estação na cidade um diferencial entre aquelas da Rota do Cangaço. A cidade tem pontos de vista panorâmica da microrregião, inclusive o ponto mais alto de Pernambuco, o Pico do Papagaio, a 1.260 metros de altura. Como não poderia faltar, o local tem hotéis com vistas para as serras, manteve viva a resistente cultura de engenhos de rapaduraa e cachaça e conseguiu ter uma pérola à beira do lago central, que é o Teatro Guarany, outro tesouro cultural da cidade. Triunfo tem um festival de cinema dentre as várias programações da cidade durante todo o ano.

Quem vai a Triunfo sempre visita o Pico do Papagaio. Há uma estrutura para que os turistas tenham uma visão da região. Lá em cima, Patrícia Santos recebe as pessoas em sua lojinha, uma antiga casa de maribondo que virou um ponto de apoio. Vende cachaça, licor, doces e cafezinho. Se agendar, ela prepara um almoço para quem quiser fazer a refeição nas alturas. De lá, já dá para descer com presentes para os amigos, dos mais diversos artesanatos a bebidas, inclusive a cachaça Triumpho, artesanal da terra. Ela é feita no Engenho de São Pedro, outro ponto de visitação, e integra um grande complexo da cidade. O local reúne também parque aquático e casa de chocolate.

Triunfo já teve mais de 200 engenhos quando a rapadura era o açúcar do Sertão, mas hoje tem cerca de 15 “resistentes”. O São Pedro foi incorporado ao roteiro turístico em 2001, quando a cachaça Triumpho apareceu como produto artesanal de alta qualidade. Hoje, é premiada nacionalmente e internacionalmente. O turista pode conhecer todo o processo de fabricação da cachaça e da rapadura, com degustação no fim do circuito. Quem quiser presentear, a embalagem da cachaça em cerâmica gera empatia imediata. A tradicional custa R$ 44 no próprio engenho. A envelhecida, R$ 55.

O Teatro Guarany vale a passagem, mesmo que rápida. Como Triunfo já foi muito rica, considerada a “Corte do Sertão”, possuía três teatros. O Guarany permanece vivo e é um xodó dos moradores. Atualmente, o espaço recebe o festival de cinema, no mês de agosto, mas é aberto durante o ano todo e tem vista, da sua varanda, para o açude central.
Na gastronomia, um detalhe que dá um charme extra ao município: os cafés das pousadas são de grãos originários de pequenas plantações da própria cidade, torrados em casa e vendidos nas propriedades rurais.




















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