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Presidente da Vale diz que empresa não pode ser condenada por 'acidente'

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15.2.19


Correio Braziliense

Durante o minuto de silêncio em respeito aos mortos, Schvartsman foi o único a permanecer sentado, de cabeça baixa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Durante o minuto de silêncio em respeito aos mortos, Schvartsman foi o único a permanecer sentado, de cabeça baixa. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, deixou deputados federais indignados, ontem, ao dizer que a companhia “é uma joia brasileira que não merece ser condenada por um acidente” e reconhecer que não sabe o que ocasionou o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A tragédia deixou 166 mortos e 155 desaparecidos. O executivo participou da primeira audiência pública da comissão externa da Câmara dos Deputados criada para apurar o desastre. A reunião durou seis horas. Durante o minuto de silêncio em respeito aos mortos, Schvartsman foi o único a permanecer sentado, de cabeça baixa, enquanto todos os presentes na sala lotada fizeram a homenagem em pé.

O dirigente tentou de todas as maneiras minimizar a responsabilidade da diretoria e da companhia. “A Vale existe há 70 anos e nunca tinha ocorrido problema de barragem. O primeiro foi no Córrego do Feijão, numa barragem que não foi construída pela Vale, e sim pela Ferteco (mineradora comprada pela Vale)”, justificou. Schvartsman também se eximiu do que ocorreu em Mariana. “Estou há apenas um ano e meio na presidência. Depois do acidente da Samarco (da qual a Vale é sócia), a empresa começou a fazer descomissionamento em todas as suas barragens a montante”, disse. “A razão de não ter feito antes foi porque não tinha ocorrido acidente até Mariana”, emendou.

Conforme ele, a questão das barragens “se sustenta numa pedra fundamental, que é o laudo de estabilidade”, concedido por especialistas. “É impossível, de outra maneira, gerir o sistema. Não pode ter burocracia”, ressaltou. Schvartsman disse que não há tempo de envolvimento de outros agentes a não ser os especialistas dos laudos.

Com ânimos exaltados, vários parlamentares rechaçaram a ideia de o desastre ser tratado como acidente e disseram estar ainda mais preocupados com a afirmação de que o presidente da companhia admite não saber o que ocasionou o rompimento. Houve até quem lembrou que, no período em que está à frente da empresa, Schvartsman recebeu quase R$ 40 milhões de salário e que, por isso, deveria estar a par de tudo que ocorre na Vale. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os vencimentos somam R$ 19 milhões por ano.

Providências
O executivo também apresentou as providências que a empresa está tomando. Ressaltou que mantém contato com um órgão norte-americano de licenciamento de barragens, o US Army Corps of Engineers, para intensificar a segurança nas suas estruturas. “A Vale, humildemente, reconhece que, seja lá o que vinha fazendo, não funcionou, pois uma barragem caiu. O que ocorreu foi inaceitável, por isso recorremos à ajuda externa”, explicou.

Questionado pelos parlamentares se a Vale sabia com antecedência da possibilidade de um rompimento e tinha até um estudo sobre o número de vítimas caso a barragem se rompesse, Schvartsman se defendeu. “Apesar de ser presidente da companhia, não sou dono da verdade. Não sei tudo o que acontece lá. O gerente local tem a autonomia de investimento de R$ 40 milhões para definir onde fica o refeitório ou se precisa deslocar um prédio sem perguntar nada para ninguém. Ele morreu no local, maior prova de que nós não sabíamos que isso ia ocorrer. Quando digo que foi uma surpresa é porque foi mesmo”, sustentou.

Sobre os estudos, o executivo justificou que existe uma obrigação legal imposta pela Agência Nacional de Mineração (ANM) de calcular o impacto de uma eventual falência das minas no número de vítimas. “Isso é lei. Em absoluto significa que a Vale sabia que algo ia acontecer a ponto de saber o número de mortos. Demos amplo acesso a todos os documentos, tanto que estudos em desenvolvimento vazaram e concluiu-se que a companhia já sabia. Era apenas especulação, que não chega à diretoria, fruto das condições a que estamos submetidos”, reiterou.

"Equipamentos trazidos de Israel não servem para este tipo de desastre", diz comandante

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28.1.19

1Os equipamentos trazidos por militares de Israel para auxiliar nas buscas em Brumadinho, Minas Gerais, não são efetivos. A informação foi repassada pelo comandante das operações de resgate, tenente-coronel Eduardo Ângelo, para o jornal Folha de S. Paulo.
"O imagiador que eles têm pegam corpos quentes, e todos os corpos são frios. Então esse já é um equipamento ineficiente", afirmou Ângelo. Os outros equipamentos trazidos também não teriam utilidade. "Dos equipamentos que eles trouxeram, nenhum se aplica a esse tipo de desastre", complementou.
Nenhum sobrevivente foi localizado nos últimos dois dias. O comandante admitiu que o detector de imagens poderia ser usado para buscar sobreviventes, pois capta o calor humano. "O que faz [constitui] a imagem é a temperatura. Quando a temperatura está homogênea, é como se não houvesse nada no solo", ponderou.


O tenente-coronel explicou que as chances de localização de sobreviventes são muito pequenas após 48 horas. "O que a literatura fala é que depois de 48 horas, a chance é quase nula. Mas existem registro de pessoas que foram encontradas vivas dias depois, mas é um ponto fora da curva. A experiência mostra que a cada dia que passa, a chance é menor".

Toneladas de equipamentos
Eduardo Ângelo afirmou que os militares estão ajudando nas buscas em campo, como “mão-de-obra”, em conjunto com equipes do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. São 136 israelenses, concentrados em encontrar sobreviventes. Eles desembarcaram em Belo Horizonte na noite do domingo (27), com 16 toneladas em equipamentos.


Ainda durante a noite, uma equipe de comando começou a estudar detalhes do desastre. Quando amanheceu, definiram estratégias no local atingido e, em seguida, se reuniram com o governador do Estado, Romeu Zema.


"O primeiro passo será o esforço de encontrar pessoas vivas desaparecidas. Esperamos encontrar", afirmou o coronel Golan Vach, à frente da equipe. Os militares ainda fizeram uma videoconferência para ajustar os equipamentos trazidos à realidade da tragédia de Brumadinho. O foco das atividades é a área do refeitório da Vale, onde havia muitas pessoas no momento do acidente.


Justiça brasileira já bloqueou R$ 11 bilhões da Vale por rompimento de barragem

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27.1.19


O valor é para compensar os prejuízos e danos ambientais provocados pelo rompimento de uma barragem em Brumadinho

Por: AFP 

Ações da mineradora Vale haviam iniciado o dia com leve alta e passaram a despencar logo após rompimento de barragem em Brumadinho
Foto: Vale/Divulgação
A justiça brasileira já bloqueou 11 bilhões de reais da Vale para compensar os prejuízos e danos ambientais provocados pelo rompimento de uma barragem em Brumadinho, a 60 km de Minas Gerais, informaram fontes oficiais.

O Ministério Público de Minas Gerais informou que no sábado à noite a justiça congelou 5 bilhões de reais. Este valor é adicionado a duas ações de sexta-feira, uma de 5 bilhões e outra de um bilhão, após a tragédia que até o momento deixou 37 mortos e mais de 250 desaparecidos.

Todas as decisões são cautelares e, a pedido do governo e do MP de Minas Gerais, foram determinadas após o rompimento de uma barragem de contenção de rejeitos na sexta-feira no município de Brumadinho, a 60 km da capital do estado. 

De acordo com o balanço mais recente, a catástrofe deixou 37 mortos, 256 desaparecidos e um número indeterminado de desabrigados, além de ter provocado danos materiais e ambientais.

Além do bloqueio de bens, a última medida judicial determina que a empresa deve assumir a responsabilidade da assistência às vítimas e seus parentes, entre outros dispositivos.

A justiça afirma em um comunicado que "em caso de inexistência do valor (estipulado), devem ser declarados indisponíveis bens como automóveis e imóveis". A Vale também recebeu no fim de semana uma uma multa do governo federal de 250 milhões de reais e outra do governo de Minas Gerais de R$ 99 milhões

LISTA: Vale divulga nova lista com nome de 287 desaparecidos

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De acordo com o Corpo de Bombeiros, até o momento foram registradas 37 mortes e resgatados 192 sobreviventes
Vitor Abdala - Repórter da Agencia Brasil 

A mineradora Vale divulgou na tarde de hoje (27) uma nova lista com os nomes de 287 funcionários desaparecidos. Na última lista, divulgada na tarde de ontem (26), havia 252 nomes.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, até o momento foram registradas 37 mortes e resgatados 192 sobreviventes. Segundo a Polícia Civil, 16 dos 37 mortos já foram identificados. Oito corpos já foram entregues aos familiares.

Segundo a Vale, essas são as pessoas com quem a empresa não conseguiu travar contato desde o acidente ocorrido na última sexta-feira (25) (alguns nomes parecem estar repetidos):

Adail Dos Santos Junior
Adair Custodio Rodrigues
Ademario Bispo
Adilson Saturnino De Souza
Adnilson Da Silva Do Nascimento
Adriano Aguiar Lamounier
Adriano Caldeira Do Amaral
Adriano Goncalves Dos Anjos
Adriano Junio Braga
Alaercio Lucio Ferreira
Alano Reis Teixeira
Alex Mario Moraes Bispo
Alex Rafael Piedade
Alexis Adriano Da Silva
Alexis Cesar Jesus Costa
Alisson Martins De Souza
Aloisio Carlos Mendes
Amanda De Araujo Silva
Amarina De Liordes Ferreira
Amauri Geraldo Da Cruz
Anailde Souza Pereira
Anderson Luiz Da Silva
Andre Luiz Almeida Santos
Andrea Ferreira Lima
Angélica Aparecida Ávila
Angelita Cristiane Freitas De Assis
Angelo Gabriel Da Silva Lemos
Anizio Coelho Dos Santos
Antônio Ribas
Armando Rage Grossi
Aroldo Ferreira De Oliveira
Bruna Lelis De Campos
Bruno Eduardo Gomes
Bruno Rocha Rodrigues
Camila Aparecida Da Fornseca Silva
Camila Aparecida De Oliveira
Camila Santos De Faria
Camilo De Lelis Do Amaral
Carla Borges Pereira
Carlos Alberto De Faria
Carlos Augusto Dos Santos Pereira
Carlos Eduardo De Farias
Carlos Eduardo De Souza
Carlos Eduardo Farias
Carlos Henrique De Faria
Carlos Roberto Da Silva
Carlos Roberto Da Silveira
Carlos Roberto Pereira
Cassia Regina Santos Souza
Cassio Cruz Silva Pereira
Cesar Augusto
Claudio Jose Dias Rezende
Claudio Leandro Rodrigues Martins
Claudio Marcio Dos Santos
Claudio Pereira Silva
Cleidson Aparecido Moreira
Cleiton Luiz Moreira Silva
Cleuzane Mascarenhas
Cristiane Antunes Campos
Cristiano Braz Dias
Cristiano Jorge Dias
Cristiano Serafim Ferreira
Cristiano Vinicius Oliveira De Almeida
Cristina De Paula Da Cruz Araújo
Daiana Caroline Silva Santos
Daniel Francisco Orlando
Daniel Guimaraes Almeida Abdalla
Daniel Muniz Veloso
David Marlon Gomes Santana
Davyson Christian Neves
Denilson Rodrigues
Dennis Augusto Da Silva
Diego Antonio De Oliveira
Diomar Custódio Da Silva
Dione Moreira De Souza
Dirceu Dias Barbosa
Djener Paulo Las Casas Melo
Duane Moreira De Souza
Edeni Do Nascimento
Edgar Carvalho Santos
Edimar Da Conceicao De Melo Sales
Edionio Jose Dos Reis
Edirley Antonio Campos
Ednilson Dos Santos Cruz
Edson Rodrigues Dos Santos
Edymayra Samara Rodrigues Coelho
Egilson Pereira De Almeida
Eliane De Oliveira Melo
Eliane Nunes
Eliandro Batista De Passos
Elis Moreira
Elis Morina
Eliveltom Mendes Santos
Elizabeth De Oliveira Espindola
Elizeu Caranjo De Freitas
Emael Gomes De Rezende
Emerson Jose Da Silva Augusto
Eridio Dias
Eudes Jose De Souza Cardoso
Eva Maria De Matos
Evandro Luiz Dos Santos
Evenir Nascimento
Everton Guilherme Ferreira Gomes
Everton Lopes Ferreira
Fabricio Lucio Faria
Fauller Douglas Da Silva Miranda
Felipe Jose De Oliveira
Fernanda Batista Do Nascimento
Fernanda Cristhiane Da Silva
Flaviano Fialho
Francis Eric Soares Silva
Francis Marques Da Silva
Genesio Veiga
George Conceicao De Oliveira
Geraldo De Medeiro Filho
Gilmar Jose Da Silva
Gilmar José Da Silva
Giovani Paulo Da Costa
Gisele Moreira Da Cunha
Gislene Conceicao Amaral
Glayson Leandro Da Silva
Gustavo Andrie Xavier
Gustavo Junior Souza
Heitor Prates
Helbert Vilhena Santos
Herminio Ribeiro Lima Filho
Hernane Junior Morais Elias
Hugo Maxs Barbosa
Iara Pereira Dos Santos
Icaro Douglas Alves
Izabela Barroso Câmara Pinto
Janice Helena Do Nascimento
Jhobert Donadonne Goncalves Mendes
João Marcos Ferreira Da Silva
João Marques Pereira Da Silva
Joao Paulo Autino
Joao Paulo De Almeida Borges
João Paulo Ferreira De Amorim Valadão
Joao Paulo Matar
Joao Paulo Pizzani Valadares Mattar
João Tomás De Oliveira
Joiciane De Fatima Dos Santos
Jonis Andre Nunes
Jorge Luiz Ferreira
Jose Carlos Domeneguete
José Dos Santos
Jose Eduardo Soares
Josiane De Souza Santos
Josilene Santos
Josue Oliveira Da Silva
Juliana Creizimar De Resende Silva
Juliana Esteves Da Cruz Aguiar
Juliana Parreiras Lopes
Julio Cesar Teixeira Santiago
Juraci Santos Padilha Souza
Jussara Ferreira Dos Passos
Katia Aparecida Da Silva
Katia Gisele Mendes
Laercio Leonardo Moraes
Lays Gabriela Souza Soares
Leandro Antonio Silva
Leandro Rodrigues Da Conceiçao
Lecilda De Oliveira
Lenilda Cavalcante Andrade
Lenilda Martins Cardoso Diniz
Leonardo Da Silva Godoy
Leonardo Pires De Souza
Leticia Mara Anizio De Almeida
Leticia Rosa Ferreira Arrudas
Levi Gonçalves Da Silva
Liz Mirna
Lourival Dias De Rocha
Luciana Aparecida Alves
Luciano De Almeida Rocha
Luciano Las Casas Goncalves
Lucio Rodrigues Mendanha
Luis Felipe Alves
Luiz Carlos Silva Reis
Luiz Cordeiro Pereira
Luiz De Oliveira Silva
Luiz Paulo Caetano
Manoel Wilton Alves De Souza
Marceleia Da Silva Prado
Marcelo Alves De Oliveira
Marciano Araujo Severino
Marcio De Freitas Grilo
Marcio Flavio Da Silva
Márcio Flávio Da Silveira Filho
Márcio Mascarenhas Filho
Marcio Paulo Mascarenhas
Marco Aurelio Santos Barcelos
Marcus Tadeu Ventura Do Carmo
Maria Bela Cardoso Alcantra
Marina De Lourdes
Marlon Rodrigues Goncalves
Martinho Ribas
Martinho Vidas
Mauricio Lauro De Lemos
Max Elias De Medeiros
Milton Xisto De Jesus
Miraceibel Rosa
Miraele Bil Rosa
Miramar Antonio Sobrinho
Mirdei Bil Rosa
Moel Borges
Moises Moreira De Sales
Natalia Fernanda Da Silva Andrade
Nathalia De Oliveira Porto Araujo
Nilson Dilermando Pinto
Ninrode De Brito Nascimento
Noe Sancao Rodrigues
Noel Borges
Olavo Henrique Coelho
Olimpo Gomes Pinto
Paulo Giovani Dos Santos
Paulo Natanael De Oliveira
Pedro Bernardino De Sena
Peterson Firmino Nunes Ribeiro
Priscila Elen Silva
Rafael Mateus De Oliveira
Ramon Junior Pinto
Rangel Do Carmo Januario
Reginaldo Garcia
Reinaldo Fernandes Guimarães
Reinaldo Goncalves
Reinaldo Simão De Oliveira
Renato Eustaquio De Sousa
Renato Rodrigues Da Silva
Renato Rodrigues Maia
Renato Vieira Caldeira
Renildo Aparecido Do Nascimento
Ricardo Eduardo Da Silva
Ricardo Henrique Veppo Lara
Robert Ruan
Roberto Ruan Oliveira Teodoro
Robson Mário
Rodney Sander Paulino Oliveira
Rodrigo Henrique De Oliveira
Rodrigo Miranda Dos Santos
Rodrigo Monteiro Costa
Rogerio Antonio Dos Santos
Roliston Teds Pereira
Ronnie Von Olair Da Costa
Rosaria Dias Da Cunha
Roselia Alves Rodrigues Silva
Rosiane Sales Souza Ferreira
Rosilene Ozorio Pizzani Mattar
Ruberlan Antonio Sobrinho
Samara Cristina Dos Santos Souza
Samuel Da Silva Barbosa
Sandro Andrade Goncalves
Sebastião Divino Santana
Sergio Carlos Rodrigues
Sirlei De Brito Ribeiro
Sueli De Fatima Marcos
Thiago Leandro Valentim
Thiago Mateus Costa
Tiago Augusto Favarini
Tiago Barbosa Da Silva
Tiago Coutinho Carmo
Tiago Tadeu Mendes Da Silva
Uberlandio Antonio Da Silva
Vagner Nascimento Da Silva
Valdeci De Souza Medeiros
Vanderlucio Dos Santos
Vania Maria De Carvalho Brito
Vinicius Henrique Leite Ferreira
Wagner Valmir Miranda
Walaci Junhior Candido Da Silva
Walisson Eduardo Paixao
Wallisson Pessoa Damasceno
Wanderson Carlos Pereira
Wanderson De Oliveira Valeriano
Wanderson Paulo Da Silva
Wanderson Soares Mota
Warley Gomes Marques
Warley Lopes Moreira
Weberth Ferreira Sabino
Wellington Alvarenga Benigno
Wellington Campos Rodrigues
Wenderson Ferreira Passos
Weslei Antonio Belo
Wesley Antonio Das Chagas
Wesley Assis (Zinho)
Wilson Jose Da Silva
Wiryslan Vinicius Andrade De Jesus
Zilber Lage De Oliveira

Rompimento citado na tensa reunião que aprovou licença da barragem

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26.1.19


Representante do Ibama afirmou que bastaria negligência ou abandono para haver a tragédia

Ranier Bragon – Folha de S.Paulo

A ata da reunião extraordinária do órgão ambiental de Minas Gerais que aprovou em dezembro, de forma acelerada, a ampliação das atividades do complexo Paraopeba, que inclui a mina Córrego do Feijão, mostra que o risco de rompimento, que acabou ocorrendo nesta sexta (25), foi objeto da discussão.

Em 11 de dezembro de 2018 reuniu-se extraordinariamente a Câmara de Atividades Minerárias, na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, para deliberar sobre a licença para a continuidade das Operações da Mina da Jangada e a continuidade das operações da Mina de Córrego do Feijão.

Após ampla e acalorada discussão, com manifestação contrária da comunidade local por causa de possíveis abalos hídricos, representantes do governo estadual e das empresas aprovaram com folga as licenças: 8 votos contra 1, com 1 abstenção.

O representante do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Julio Cesar Dutra Grillo, justificou a abstenção citando ações que considerava corretas por parte da empresa, mas fez um alerta.

"Esse projeto traz algumas novidades positivas. Uma delas é o descomissionamento [eliminação] de uma barragem de 10 milhões que 2889 está acima de Casa Branca. A população de Casa Branca está preocupada com muitas coisas, com toda razão, mas não manifesta preocupação sobre aquilo que eu considero que é potencialmente o maior problema de Casa Branca", disse Grillo. 

"O que é esse problema? Casa Branca tem algumas barragens acima de sua cabeça. Muita gente aqui citou o problema de Mariana, de Fundão, e vocês têm um problema similar. E ali é o seguinte, essas barragens não oferecem risco zero. Em uma negligência qualquer de quem está à frente de um sistema de gestão de risco, aquilo rompe. Se essa barragem ficar abandonada alguns anos, não for descomissionada, ela rompe, e isso são 10 milhões m³, é um quarto do que saiu de Fundão, inviabiliza Casa Branca e inviabiliza ao menos uma das captações do Paraopeba", acrescentou.

Mais cedo, ele havia dito que qualquer projeto que de mineradora que cai no órgão é aprovado porque os ambientalistas são minoritários. 

A aprovação, com um licenciamento único e mais rápido, foi obtida através de uma diminuição do potencial de risco da barragem.

O licenciamento deveria ter sido realizado em três fases —de licença prévia, de instalação e de operação—, mas foi feito de uma só vez. Isso porque a mina Córrego do Feijão era tida como classe 6, com maior potencial poluidor e, por isso, necessitando um licenciamento ambiental trifásico. Ao passar para classe 4, pulou etapas de licenciamento.

"Sobre essa questão da classe 4 e do licenciamento ambiental concomitante em uma única fase, o nosso parecer de vista apontou trechos do Parecer Único da Suppri [Superintendência de Projetos Prioritários], que claramente demonstram que essa ampliação e continuidade da Mina da Jangada, concomitante com Córrego do Feijão, é para até 2032, um incremento de 88% na produção. Eu nem tenho a palavra certa para falar, mas é abominável que tenhamos hoje esse empreendimento como classe 4, quando sempre foi classe 6", reclamou Maria Teresa Viana de Freitas Corujo, do Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (Fonasc).

Ela foi o único voto contrário às licenças. Segundo Curujo, a proposta não era de eliminação da barragem, mas de incremento de continuidade das minas Jangada e Feijão.

Rodrigo Ribas, superintendente da Suppri, rebateu as críticas de forma contundente.

"Senhor presidente, a equipe técnica terminou aqui a sua manifestação, e eu quero fazer um breve desabafo. Nós somos funcionários públicos, nós servimos à sociedade. Atualmente, nos últimos dois anos e pouquinho, nós temos servido à sociedade com os salários parcelados. Para o senhor saber, a minha equipe não recebeu o salário de novembro. Então, é extremamente desagradável que as pessoas, de maneira irresponsável, vil, cruel, cheguem para uma equipe sensacional, bacana, que está aqui em todas as reuniões disposta a discutir todos os pontos técnicos, todos os pontos políticos, todos os pontos jurídicos com quem quer que seja, e chamem a minha equipe de criminosa", disse, se referindo a relatos de participantes da reunião.

Segundo ele, o processo de licença foi plenamente analisado e tratava-se de uma ampliação de um descomissionamento de barragem. "É um reaproveitamento de rejeito em barragem. (...) E aí vem um projeto que se propõe a apresentar um ganho ambiental a partir de inversão tecnológica, e nós vamos discutir aqui com base no acidente de Mariana. São casos completamente diversos. Nós tivemos muita tranquilidade naquele parecer que elaboramos e estamos muito seguros em relação a ele", disse o técnico.

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