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Três navios são suspeitos de terem causado manchas de óleo no Nordeste em 2019

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8.5.21


Agência Brasil


A Marinha informou nessa sexta-feira (7) que três navios são suspeitos do derramamento de óleo no litoral brasileiro em 2019. As informações foram divulgadas após a retirada do sigilo do relatório da investigação, que foi entregue à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF) em agosto do ano passado. As conclusões são utilizadas pela PF em um inquérito criminal sobre o caso.

“Com o apoio de instituições técnicas e científicas, públicas e privadas, brasileiras e estrangeiras, três navios foram apontados como principais suspeitos: Navio-Tanque (NT) BOUBOULINA; NT VL NICHIOH (em maio de 2020, o navio alterou seu nome para NT CITY OF TOKYO); e NT AMORE MIO (em março de 2020, o navio alterou seu nome para NT GODAM)”, informou a Marinha.


Na época dos fatos, as manchas iniciais de óleo apareceram a 700 km da costa brasileira (em águas internacionais) e atingiram mais de 250 praias do Nordeste.

No comunicado, a Marinha também defendeu investimentos no monitoramento de navios. “Esse evento, inédito e sem precedentes na nossa história, traz ensinamentos, como a necessidade de se investir no aprimoramento do monitoramento dos navios que transitam nas águas jurisdicionais brasileiras e nas suas proximidades, destacando o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz)”.

Trinta toneladas de óleo são recolhidas em praias de Pernambuco neste sábado

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20.10.19


Ao todo, desde a quinta (17), foram mais de 50 toneladas, de acordo com o governo. Cerca de 550 pessoas, entre funcionários do estado e voluntários, participaram do trabalho.
Por Marina Meireles, G1 PE
Trinta toneladas de óleo são recolhidas nas praias de Ipojuca


Ao longo deste sábado (19), 30 toneladas de óleo foram retiradas das praias de Pernambuco. Com este balanço, o estado teve mais de 50 toneladas de óleo retiradas do litoral desde a quinta-feira (17). Para o domingo (20), a expectativa é de um sobrevoo pela manhã para monitorar o possível aparecimento de novas manchas.

Manchas de óleo no Nordeste: o que se sabe sobre o problema
Lista de praias atingidas pelas manchas de óleo no Nordeste
O trabalho mobilizou cerca de 200 funcionários do governo. O estado também contabiliza a participação de outras 350 pessoas, entre voluntários e técnicos de prefeituras das cidades litorâneas.

"É o terceiro dia consecutivo que conseguimos fazer retirada de manchas em alto-mar. Hoje também avançamos na coleta de resíduos, porque o governo contratou empresas para recolher o material. No domingo, vamos sobrevoar a costa para continuar o monitoramento", afirma o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti.

Voluntários fazem mutirão para limpar óleo de praias no litoral de Pernambuco



A mancha mencionada por Bertotti foi localizada neste sábado (19) por meio de um sobrevoo feito pelo litoral pernambucano durante a tarde. O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, major Olivaldi Azevedo, informou ter visto uma mancha de óleo no mar, nas proximidades da praia de Muro Alto. “Conseguimos isolar a mancha em alto-mar, por volta das 15h”, afirmou (veja vídeo abaixo).

Contenção de óleo em alto-mar é feita em Ipojuca

Além do recolhimento do resíduo, também foram colocadas barreiras de contenção para impedir a entrada de óleo na foz dos rios Persinunga, Maracaípe, Mamucabas e Una.

Neste sábado, fragmentos de petróleo também foram encontrados nas seguintes praias: Reduto, em Rio Formoso; Boca da Barra, em Tamandaré; Barra de Sirinhaém, em Sirinhaém; Mamucabinhas, em Barreiros; Pontal de Maracaípe, em Ipojuca; Cupe, em Ipojuca; Muro Alto, em Ipojuca. A Prefeitura de Ipojuca informou que também foram atingidas as praias de Serrambi e Enseadinha.

Também houve manchas de óleo encontradas nos estuários dos rios Formoso, em Tamandaré; Persinunga, em São José da Coroa Grande; Mamucabas, em Barreiros; e Maracaípe, em Ipojuca.

"As praias estão limpas fisicamente, mas é preciso fazer uma análise química da água e da areia para que a gente consiga ter a certeza de que o ambiente está próprio para banho", afirma o superintendente de conservação de biodiversidade da secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, Maurício Guerra.

Outro problema citado pelo governo estadual é a ausência de orientações do governo federal diante do aparecimento de óleo nas praias. "Temos nove estados nordestinos. Os contatos que tenho com outros estados são através de iniciativa nossa, mas não chegam informações coordenadas do governo federal. O maior problema é que ainda não há notícias sobre a origem desse material. A tendência pode ser de aumento no número de praias", afirma Bertotti.

Tratamento de resíduos
Óleo é acondicionado em sacos plásticos. De acordo com o governo do estado, destino é o Centro de Tratamento de Resíduos de Pernambuco, em Igarassu  — Foto: José Dilermando/TV GloboÓleo é acondicionado em sacos plásticos. De acordo com o governo do estado, destino é o Centro de Tratamento de Resíduos de Pernambuco, em Igarassu  — Foto: José Dilermando/TV Globo
Óleo é acondicionado em sacos plásticos. De acordo com o governo do estado, destino é o Centro de Tratamento de Resíduos de Pernambuco, em Igarassu — Foto: José Dilermando/TV Globo

De acordo com o governo do estado, os resíduos estão sendo levados para o Centro de Tratamento de Resíduos Pernambuco, em Igarassu, no Grande Recife. Segundo o Ibama, a orientação é de que o material seja encaminhado a empresas fabricantes de cimento.

"A orientação é de que o CTR em Igarassu encaminhe esse material para cimenteiras em Pernambuco. Esse trabalho já é feito, mas em menor escala, porque nunca havíamos tido uma quantidade tão grande de resíduo", explica o secretário estadual de Meio Ambiente, José Bertotti.

Voluntariado
Voluntários retiram óleo de arrecife na praia de Muro Alto, em Ipojuca — Foto: Luna MarkmanVoluntários retiram óleo de arrecife na praia de Muro Alto, em Ipojuca — Foto: Luna Markman
Voluntários retiram óleo de arrecife na praia de Muro Alto, em Ipojuca — Foto: Luna Markman


Ao longo do dia, voluntários atuaram na limpeza em diversas cidades, mas houve queixas a respeito da ajuda dos municípios e do governo às pessoas que participaram da força-tarefa. "Recebemos equipamentos de proteção individual e água, mas a ajuda precisa ser mais robusta", afirmou Daniel Galvão, coordenador do movimento Salve Maracaípe.

De acordo com Bertotti, os voluntários podem procurar a Defesa Civil para solicitar ajuda médica. "É ali que estão sendo direcionadas as botas, as luvas. Hoje a Compesa cedeu 4 mil copos de água e também vamos fornecer para dar apoio a quem está fazendo esse trabalho. É importante que tudo isso seja feito de forma coordenada", afirma.

Segundo a prefeitura de Ipojuca, uma das cidades atingidas pelo óleo, foram distribuídas ao menos 2 mil luvas, 2 mil máscaras e 200 pares de botas aos voluntários. Também foram instalados 90 metros de barreira de contenção no estuário do Rio Maracaípe.

Voluntários limpam óleo encontrado na Praia do Cupe, em Ipojuca, neste sábado (19) — Foto: Wellignton Pereira/TV GloboVoluntários limpam óleo encontrado na Praia do Cupe, em Ipojuca, neste sábado (19) — Foto: Wellignton Pereira/TV Globo
Voluntários limpam óleo encontrado na Praia do Cupe, em Ipojuca, neste sábado (19) — Foto: Wellignton Pereira/TV Globo

Os interessados em ajudar na remoção do óleo das praias podem procurar o comitê das prefeituras litorâneas, a Defesa Civil ou a Secretaria de Meio Ambiente, de acordo com o governo do estado.

Há, também, a possibilidade de se cadastrar na plataforma Transforma Brasil. "Você pode acessar diretamente o site para se disponibilizar como voluntário. A partir daí, as equipes são distribuídas, montadas e orientadas para os pontos que precisam da limpeza", afirma Maurício Guerra. O trabalho é coordenado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente.


Reincidência
Funcionários da Prefeitura de Tamandaré, no estado de Pernambuco, trabalham na retirada de óleo da praia dos Carneiros, nesta sexta-feira (18). — Foto: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDOFuncionários da Prefeitura de Tamandaré, no estado de Pernambuco, trabalham na retirada de óleo da praia dos Carneiros, nesta sexta-feira (18). — Foto: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO
Funcionários da Prefeitura de Tamandaré, no estado de Pernambuco, trabalham na retirada de óleo da praia dos Carneiros, nesta sexta-feira (18). — Foto: BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM/ESTADÃO CONTEÚDO

Registradas no início de setembro, as manchas em Pernambuco foram completamente limpas no dia 25 do mesmo mês. Na manhã da quinta (17), após o aparecimento de óleo em praias de Alagoas no trecho próximo à divisa com Pernambuco, uma operação de prevenção foi montada para impedir que o produto chegasse à costa pernambucana.

No início da manhã da quinta (17), após o aparecimento de óleo em praias de Alagoas no trecho próximo à divisa com Pernambuco, um helicóptero da Secretaria de Defesa Social (SDS) sobrevoou o litoral pernambucano e não constatou manchas. Uma operação de prevenção foi montada para impedir que o produto chegasse à costa pernambucana.

No mesmo dia à tarde, por volta das 13h, uma mancha de óleo foi encontrada em São José da Coroa Grande. De acordo com o balanço repassado no fim da quinta (17), 1,2 mil litros foram retirados do mar neste dia.

Na sexta, foram atingidas as Praias dos Carneiros e Boca da Barra, em Tamandaré; Mamucabinhas, em Barreiros; e Ilha de Santo Aleixo, Aver o Mar e Guaiamum, em Sirinhaém. Além disso, a força-tarefa recolheu, no mar, 600 litros de óleo, perto da Ilha de Santo Aleixo.

Durante a noite da sexta (18), o governo de Pernambuco informou ter retirado mais de 20 toneladas de óleo em seis praias de três cidades do Litoral Sul de Pernambuco.

Estaleiro Atlântico Sul reduz atividades quase a zero e empregados são demitidos

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21.8.19

Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco diz que 3.450 empregados foram demitidos, nos últimos 12 meses.
Por Antonio Coelho, TV Globo
Estaleiro Atlântico Sul reduz quase a zero as atividades e demite funcionários
O Estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca, no Grande Recife, reduziu quase a zero as atividades, depois que a última encomenda de navio foi entregue, no fim de junho. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, 3.450 empregados foram demitidos por causa da crise no setor naval, nos últimos 12 meses. 
Segundo Henrique Gomes, presidente do sindicato, o que mais preocupa é a perda de mão de obra qualificada. "Isso nos preocupa, porque são pais de família, que foram capacitados para trazer o pão de cada dia e fazer o que sabem, os navios, com grande produtividade e qualidade", afirma Henrique.

O estaleiro fica no Porto de Suape e construía grandes navios. O Atlântico Sul tem capacidade para processar 160 mil toneladas de aço por ano, numa área de 130 mil metros quadrados. Atualmente, a estrutura está parada, sem embarcações.
Estaleiro Atlântico Sul, no Grande Recife, ocupa 130 mil metros quadrados — Foto: Reprodução/TV Globo
Até 2018, o estaleiro injetava na economia de Pernambuco cerca de R$ 500 milhões, anualmente, com os salários dos funcionários. Além dos 3.500 trabalhadores, outros 18 mil empregos indiretos eram gerados.

A crise no setor naval se agravou nos últimos anos, depois que construtoras e a Petrobras passaram a ser alvo de apurações e foram punidas por participar do esquema criminoso investigado pela operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O maior baque foi em 2018, depois que o então presidente Michel Temer (MDB) decidiu reonerar a folha de pagamento do setor industrial para encerrar a paralisação dos caminhoneiros.

Na prática, a reoneração significa cobrança de impostos pra compensar a renúncia fiscal com a isenção da cobrança do PIS/Cofins sobre o óleo diesel, em atendimento às exigências dos motoristas.

Na época, a presidência do EAS informou que o impacto era de R$ 35 milhões por ano e pesaria na competitividade. A preocupação virou constatação, segundo o sindicato.

Impacto
O estaleiro se pronunciou por meio de nota e disse que as "atividades foram reduzidas depois que a última encomenda foi entregue". Afirmou também que "está procurando caminhos para atender aos interesses da empresa e de Pernambuco".

Estaleiro Atlântico Sul fica no Complexo Portuário de Suape, no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo Estaleiro Atlântico Sul fica no Complexo Portuário de Suape, no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo
Estaleiro Atlântico Sul fica no Complexo Portuário de Suape, no Grande Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

O presidente do Porto de Suape, Leonardo Cerquinho, afirma que, a curto prazo, é difícil que o estaleiro volte a gerar tantos empregos como antes, mas diz que busca reativar a estrutura.


"Junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, temos buscado outras empresas, nós chamamos de 'offshore', pode ser a parte de energia eólica, de grandes peças, de petróleo e gás. A gente tem prospectado empresas setor para que elas verifiquem se, eventualmente, a infraestrutura que está colocada no estaleiro pode servir para seus negócios", diz Cerquinho.

Ainda segundo Cerquinho, a reativação do EAS depende de decisões do governo federal. "[Para que o estaleiro voltasse a funcionar] seria necessário que o governo federal voltasse a ter políticas desenvolvimentistas para os estaleiros, principalmente garantindo, novamente, demanda dos navios a partir da Petrobras", declara Leonardo Cerquinho.

Desemprego
Um dos trabalhadores afetados foi o pintor industrial George Henrique Silva. Sem trabalho, ele vive de olho no celular e indo à Agência de Emprego de Ipojuca, em busca de trabalho. Segundo ele, a maior dificuldade é encontrar oportunidades em sua área de atuação.

"No momento, não aparece nada. Só se a gente for para outra área, mas outra área, muitas vezes, requer experiência. A gente tem que se qualificar, fazer cursos, se programar para que estejamos à altura das vagas que aparecerem", declara George.

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